COISAS ESTRANHAS. De facto, são muito estranhos os números da GfK, empresa alemã que substituiu a Marktest na medição das audiências televisivas. Estranhos porque a incompetência é tanta que se duvida que seja só isso, e mais estranho se torna quando é só a RTP a queixar-se de ter perdido, segundo a nova empresa, um terço das audiências. Não sou entusiasta das teorias da conspiração, mas cheira-me que isto traz água no bico. Resta saber se os números da Marktest eram mais rigorosos ou apenas mais generosos.
6 de março de 2012
COISAS ESTRANHAS. De facto, são muito estranhos os números da GfK, empresa alemã que substituiu a Marktest na medição das audiências televisivas. Estranhos porque a incompetência é tanta que se duvida que seja só isso, e mais estranho se torna quando é só a RTP a queixar-se de ter perdido, segundo a nova empresa, um terço das audiências. Não sou entusiasta das teorias da conspiração, mas cheira-me que isto traz água no bico. Resta saber se os números da Marktest eram mais rigorosos ou apenas mais generosos.
ISLÂNDIA. Não faço ideia se o ex-primeiro-ministro islandês é culpado pela falência da banca do seu país, nem se o tribunal que o julga por esse motivo será capaz de o condenar caso se demonstre que Geir Haarde é culpado. Mas agrada-me a ideia de haver um tribunal que pode julgar os governantes — ou ex-governantes — pelos seus actos.
5 de março de 2012
PROPAGANDA. O que já não teria dito o João Gonçalves de Álvaro Santos Pereira caso o ministro não integrasse o Governo que lhe paga para dizer esta estrumeira moral.
MAIS COISAS SIMPLES. «(...) o único ajustamento [ao Acordo Ortográfico] que me parece adequado seria a anulação de tamanha vergonha. (...) Conheço poucos processos tão unilaterais quanto o AO, não só porque alguns dos países envolvidos se recusam a aplicá-lo, mas sobretudo porque se trata de uma invenção de emproados com demasiado tempo livre e de uma imposição política e postiça.»
2 de março de 2012
AO CUIDADO DA ASAE. Acabo de receber dois pares de mouras lá da terra (em alguns sítios também conhecidos por chouriços de sangue), que tenciono despachar daqui a pouco com uns grelos da Califórnia, duas batatas do Idaho, um fio de azeite da Toscânia, e um tinto do Cartaxo. Se tudo correr bem, no final haverá pão-de-ló, e um vinho fino que eu cá sei. Depois falamos de colesterol, de tofu, de ginástica, coisas assim.
1 de março de 2012
DO RESPEITO. Os políticos ignoram as perguntas dos jornalistas? Riem-se deles? Acusam-nos de deturpar o que dizem? Está mal, mas se calhar o primeiro culpado são os próprios jornalistas. Quem já não ouviu, nas televisões e nas rádios, perguntas parvas? Quem já não assistiu a directos que não acrescentam um milímetro ao que é dito em estúdio? Vem nos livros que para ser respeitado é preciso dar-se ao respeito, e os jornalistas nem sempre se dão ao respeito. Verdade que a culpa nem sempre é deles, que muitas vezes é de quem manda neles, também eles pressionados por «objectivos» que é preciso cumprir. Só que o jornalismo que abdicou de se dar ao respeito acabará por perder tudo o que dantes possa ter ganho. É que o respeito, uma vez perdido, jamais se recuperará.
29 de fevereiro de 2012
THOMAS MANN. Após vários adiamentos, li A Montanha Mágica, e escassas páginas bastaram para ver que estava diante um livro notável. Sabia, à partida, que A Montanha é um grande livro, mas devo dizer que a circunstância não condicionou a minha opinião. Nem antes de o ler, nem depois de o ler. As referências elogiosas a um livro ou autor despertam-me, quando muito, curiosidade e incentivam-me a lê-lo (e já não é pouco), mas o juízo final sou eu quem o faz. Sou dos que prefere errar pela sua própria cabeça a acertar pela cabeça dos outros, com todas as virtudes e defeitos daí resultantes. E a minha sentença não me oferece dúvidas: se A Montanha Mágica não é uma obra-prima, não sei o que é uma obra-prima. Li com alguma dificuldade Morte em Veneza, salvo erro numa edição da Europa-América, mas lembro-me que na altura atribuí o escasso entusiasmo à má tradução. Ainda assim lembro-me de algumas passagens, apesar de o ter lido há mais de uma década. Agora vou a meio d’Os Buddenbrook, e apesar do prazer que me está a dar parece-me aquém da Montanha. Espero que Doutor Fausto, que me espreita ali da estante, faça jus à Montanha. Sei que é pedir demasiado, mas quem bebe um vinho fino de cinco estrelas tenderá a pôr defeitos num de quatro.
28 de fevereiro de 2012
FONTES ANÓNIMAS (2). A Agência Lusa diz não ter conseguido «provas conclusivas» de que a fonte anónima que lhe terá garantido que Domingos Paciência terá mantido encontros com dirigentes do FC Porto lhe terá fornecido informações falsas ou agido de má-fé. «Após aturada averiguação feita ao caso», diz a Lusa em nota aos clientes, a direcção de informação decidiu anular a controversa notícia e não divulgar, «para já», a identidade da fonte. Como foi evidente desde o início (disse-o aqui), a «aturada investigação» só podia ter acabado numa mão cheia de nada. Mais valia, portanto, ficarem calados.
COISAS EVIDENTES. Desculpem a presunção, mas há anos que ando a dizer o que agora o director da biblioteca de Harvard confessou à revista Ñ. «Me han invitado a tantas conferencias sobre la muerte del libro que estoy convencido de que el libro está bien vivo. La gente simplifica demasiado las cosas. Pocos entienden que cada año se publican muchos más libros que el año anterior. La impresión de libros se expande a un ritmo vertiginoso, y, de hecho, este año habrá un millón de nuevos títulos impresos. También es cierto que los libros digitales están adquiriendo cada vez más importancia, como nunca antes. Se piensa que el mercado de libros electrónicos ocupa el 15% de las ventas. Es mucho. A los libros electrónicos les está yendo muy bien en EE.UU. Es una tendencia mundial. Los libros electrónicos, por supuesto, se están volviendo cada vez más importantes. Pero, al mismo tiempo, eso sucede con los libros impresos. Entonces, ¿cómo podemos interpretar esta situación? (...) Me parece que la gente hoy comprende la llegada del mundo digital como algo que transforma totalmente nuestra experiencia. Entonces imaginan que los medios de comunicación digitales y analógicos ocupan extremos opuestos del espectro tecnológico. Eso, en mi opinión, es un malentendido de base. Para mí, de hecho, se complementan entre sí.»
27 de fevereiro de 2012
24 de fevereiro de 2012
22 de fevereiro de 2012
TÃO SIMPLES COMO ISTO. «Toda a gente sabe que, não tendo sido ratificado pelas Repúblicas Populares de Angola e de Moçambique, [o Acordo Ortográfico] não entrou em vigor. (…) Ora, sem o AO estar em vigor, a solução é muito simples: continua a vigorar a ortografia que se pretendia alterar. Como estamos num estado de Direito, a solução é só essa e mais nenhuma. E a lei deve ser cumprida por todos.»
21 de fevereiro de 2012
A BOA MOEDA E A MÁ MOEDA (1). Não sei se a atitude de Passos Coelho quando se dirigiu aos manifestantes que o vaiaram em Gouveia foi um acto de modéstia da sua parte ou um gesto devidamente ponderado, mas tiro-lhe o chapéu de qualquer maneira. Não porque o primeiro-ministro tenha feito mais que a sua obrigação, mas porque gestos assim, genuínos ou encenados, são cada vez mais raros, e na minha opinião cada vez mais necessários. Teve uma eficácia acrescida: disparou uma farpa tão oportuna como certeira sobre o Presidente da República, que dias antes vergonhosamente se furtou a uma visita a uma escola onde era aguardado por uma manifestação de descontentamento que nem sequer lhe era directamente destinada. Portugal precisa de um Presidente forte e umas botas? Não há dúvida que precisa. Mas a verdade é que os episódios pouco edificantes protagonizados por Cavaco nos últimos anos em nada contribuíram para que os portugueses o respeitem. Como em tempos se disse de outros governantes, resta, portanto, ajudá-lo a terminar o mandato com dignidade. Pelo rumo que as coisas estão a levar, não vai ser fácil.
17 de fevereiro de 2012
FONTES ANÓNIMAS (1). Depois de ser alvo de um processo — ou ameaça de um processo — por divulgar uma notícia aparentemente falsa, a Agência Lusa resolveu emitir um comunicado onde se penitencia e explica por que tal sucedeu. Segundo ela, uma fonte anónima de «toda a confiança» terá dito ao autor da notícia que Domingos Paciência, então treinador do Sporting, terá mantido encontros com dirigentes do FC Porto, facto que não será verdadeiro. Disse mais: a elaboração da notícia «não respeitou as normas essenciais do Código Deontológico do Jornalista nem as regras do Livro de Estilo da Agência» previstas para estes casos, e caso venha a apurar que a fonte da notícia agiu de má-fé identificá-la-á. Ora, cometer um erro e assumi-lo, é o mínimo que se exige, mas neste caso parece-me pouco. Desde quando se dá uma notícia, ainda por cima uma notícia que iria causar brado, com base em fontes anónimas de que não se está absolutamente seguro? Depois, como saber — e demonstrar — que a tal fonte agiu de má-fé? Perdoar um erro que não tem perdão, ainda vá. Mas fazerem promessas impossíveis de concretizar, só mesmo para enganar o freguês.
15 de fevereiro de 2012
COISAS QUE NÃO SE PERCEBEM. Haverá, no sistema penal português, inúmeros procedimentos difíceis de entender, mas este parece-me flagrante. Um suspeito de ter cometido determinado crime pode ser obrigado a aguardar julgamento em prisão preventiva caso um juiz considere perigoso mantê-lo em liberdade. Já um condenado por um tribunal a uma pena de prisão efectiva pode aguardar em liberdade a decisão de um tribunal superior caso o condenado decida para aí recorrer. Estão a ver a lógica da coisa? Eu confesso que não.
14 de fevereiro de 2012
AGUENTA QUE É SERVIÇO. Pergunto-lhe como vão as coisas por ter de falar sem nada que me ocorra, e o sujeito desata a crescer, a crescer, a encher os pulmões — e a seguir despeja-me em cima um arrazoado que logo desisti de ouvir para lhe observar os danos colaterais que um olho matreiro no mais leve movimento das catraias ao balcão não conseguia esconder. Citou Nietzsche mal e a despropósito, embrulhou-se numa teoria do bem-estar que dizia praticar mas claramente não praticava, meteu os pés pelas mãos vezes sem conta, e concluiu o «raciocínio» a barafustar contra «os filhos da puta que nos governam». Terminou o monólogo a segredar-me o que fazia àquela pequena se ela deixasse, e a pequena a perceber que o sujeito falava dela e não devia ser coisa boa. Às vezes, quando o acaso nos junta, descreve-me as proezas sexuais que diz ter praticado ainda ontem mas obviamente não praticou, nem sequer o «papai e mamãe», como diriam as brasileiras que tanto lhe incendeiam a libido. Tudo dito com uma convicção tal que chega a parecer-me que acredita nas suas próprias mentiras, mesmo depois de ajuntar um ou outro detalhe à história que só lha enfraquece. Mas ninguém é perfeito, como ele costuma dizer, embora a modéstia não seja o seu forte.
9 de fevereiro de 2012
ESTRELAS LITERÁRIAS. Considerando que apenas uma ínfima parte dos livros que diariamente se publicam resistirão ao tempo, esse grande juiz, como entender a quantidade de estrelas que os críticos literários atribuem às novidades que vão saindo? E os autores portugueses contemporâneos, que pela quantidade de estrelas que lhe são concedidas a cada novo livro só podem ser obras-primas? Será que alguém se lembrará desses livros daqui a dois ou três anos? Com certeza que há livros e escritores injustamente esquecidos (estou a lembrar-me de Vergílio Ferreira, mas há mais), mas quer-me parecer que o esquecimento não durará para sempre. Mais tarde ou mais cedo regressarão ao convívio com os leitores, que a passagem do tempo faz esquecer mas não apaga inteiramente. Já as «obras-primas» diariamente apregoadas como tal estão, de um modo geral, condenadas ao esquecimento eterno. Bem sei que os críticos literários têm contas a pagar no final do mês, mas fazia-lhes bem meditar nisto.
7 de fevereiro de 2012
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