21 de março de 2013
YO NO CREIO EM LAS BRUJAS. É sabido que a FIFA, organismo que superintende o futebol mundial, costuma ter mão pesada em matéria disciplinar. Estranho, por isso, que desta vez se tenha limitado a emitir um lacónico desmentido após Mourinho a ter acusado de irregularidades na última eleição para melhor treinador do ano (que Mourinho perdeu para Vicente del Bosque), irregularidades já confirmadas por alguns dos votantes (ver aqui e aqui). A acusação de Mourinho só merece um comunicado a dizer que a lista de votos «está correcta»? Sabendo-se que o treinador português já foi castigado por menos, só pode ser estranha tanta benevolência da FIFA. É um facto que nem sempre a existência de fumo comprova a existência de fogo. Mas se a acusação de Mourinho está, digamos, dentro do que se esperaria, a reacção da FIFA é surpreendente.
20 de março de 2013
ARRUACEIROS. Será que o FC Porto não devia, na sua página da internet, condenar a violência gratuita dos seus adeptos antes e depois do jogo de Málaga e, no mínimo, pedir desculpa?
DA EXTINÇÃO DOS DINOSSAUROS. Independentemente das deficiências da lei que limita os mandatos, não se sabe se por incompetência ou de propósito, qualquer pessoa medianamente inteligente sabe o que ela pretende: limitar a três os mandatos sucessivos que se podem exercer como presente de Câmara. É o chamado espírito da lei, de que só duvida quem lhe convém. Qualquer interpretação que não seja esta viola o princípio, mesmo que a lei se preste a outras interpretações e os tribunais decidam o contrário. O facto de a justiça ser incapaz de punir meliantes com determinado estatuto não significa que esses meliantes estejam inocentes. A comparação é grosseira, bem sei, mas para o efeito serve perfeitamente. Aliás, quem se candidata nas circunstâncias descritas não merece um pingo de respeito.
16 de março de 2013
SEGREDOS PAPAIS. Como agnóstico, a eleição de Mario Bergoglio não me aquece, nem me arrefece. Como não me aqueceria nem arrefeceria caso fosse eleito outro qualquer, incluindo os mais controversos ou suspeitos de actividades pouco recomendáveis. Mas acompanhei com natural curiosidade a sucessão de Bento XVI, sobretudo para tentar perceber o que levou Ratzinger a resignar. Depois de tudo o que foi dito até à eleição do Papa Francisco, fiquei praticamente na mesma. Continua a não distinguir-se a verdade da mentira, os factos das suposições. Veremos o que sucederá nas próximas semanas, mas suspeito que haverá importantes mudanças na cúpula da Igreja. Mudanças que Bento XVI não terá sido capaz de fazer — por incapacidade, por achar que tudo estava bem como estava. Desconfiei desde o início dos motivos invocados por Bento XVI para renunciar ao cargo (alegou incapacidade física e espiritual), e ainda estou para saber se foi um acto de coragem e tudo o mais que se disse. Devido à previsível unanimidade da Igreja em torno do novo Papa, se calhar mais aparente que real, provavelmente jamais saberei. Como agnóstico, repito, não me incomoda. Mas os segredos que a cúpula da Igreja se esforça por esconder dão azo a falsas notícias, boatos pouco abonatórios, teorias da conspiração em que as chefias são invariavelmente culpadas das piores maldades. Resumindo, provocam precisamente o contrário do que pretendem. Problema deles, dir-me-ão. Verdade, mas não aprecio ver injustamente acusada (se for o caso) uma instituição que respeito. Não gosto, aliás, de ver ninguém injustamente acusado, mesmo o pior dos inimigos, que nunca hesitei defender quando tal sucedeu.
13 de março de 2013
CRUEL DILEMA.
Bem sei que o dr. Mário Soares apelou à violência a pretexto de que ela pode ocorrer a qualquer momento, que Macário Correia não sai nem à bomba, e que Isaltino Morais foi mandado prender variadíssimas vezes mas ninguém lhe deita a unha. E, claro, habemus papam. Mas o que hoje realmente me interessa é o que me chegou da terrinha: começar por onde?
Bem sei que o dr. Mário Soares apelou à violência a pretexto de que ela pode ocorrer a qualquer momento, que Macário Correia não sai nem à bomba, e que Isaltino Morais foi mandado prender variadíssimas vezes mas ninguém lhe deita a unha. E, claro, habemus papam. Mas o que hoje realmente me interessa é o que me chegou da terrinha: começar por onde?
8 de março de 2013
PREPAREM-SE. Vem aí a receita para salvar o mundo e, quiçá, a paróquia. É, pelo menos, o que promete o Presidente, e já para amanhã. Depois de um mês sem abrir a boca, o Presidente resolveu fazer prova de vida, e de uma assentada dizer que os portugueses que se manifestaram no último sábado têm de ser ouvidos (não disse como nem por quem) e divulgar o prefácio da interessantíssima obra Roteiros VII, que reúne, segundo o próprio, «as intervenções mais significativas» por ele produzidas nos dois primeiros anos do segundo mandato. Só não o fez antes porque um chefe de Estado «sensato e responsável» deve falar pouco com os jornalistas, diz ele, especialmente quando o chefe do Governo é da sua família política, digo eu. Quem se lembra das desgraças nos tempos do engenheiro de fim-de-semana, que punham o Presidente a falar a toda a hora com os jornalistas? Pois, agora a desgraça é ainda maior — e o Presidente só abre a boca quando é espicaçado, e a contragosto. Porque um «Presidente da República que fale muito à comunicação social normalmente não tem influência nas decisões que se toma no país», diz agora, e garante saber bem do que fala. Afinal, ninguém, como ele, «foi primeiro-ministro 10 anos e acumulou com sete anos de Presidente da República», escreveu no Facebook, coisa que lhe permitiu acumular «uma informação que mais ninguém tem». Dezassete anos, portanto, a exercer o poder, sem dúvida uma experiência enriquecedora. Mas uma experiência cujo resultado, convém lembrar, contribuiu generosamente para o estado a que isto chegou.
7 de março de 2013
ESTRANHAS PREPOSIÇÕES. Ninguém do poder parece ralado com o novo Acordo Ortográfico, e se alguém tem uma opinião sobre ele ninguém sabe qual é. Não deixa, por isso, de ser curioso que a Presidência da República tenha detectado uma troca de preposições na lei que pretende limitar os mandatos, erro que poderá permitir a um autarca recandidatar-se a um novo mandato ao fim de três consecutivos. Num país onde o primeiro-ministro dá pontapés na gramática quando escreve e o seu adjunto quando abre a boca, estranha-se tanto zelo com a língua.
6 de março de 2013
AO CUIDADO DO MINISTRO RELVAS. A RTP Internacional passa a vida a transmitir programas onde se diz que o Carnaval foi ontem e o Natal é amanhã, quando na verdade o Carnaval já foi há uma semana e o Natal é daqui a um mês. O «critério» da RTP resume-se a pôr no ar a cassete mais à mão, e quando assim é por vezes a Páscoa calha no Entrudo e o Verão começa no Outono. Como não bastasse, passam dúzias de vezes os mesmos anúncios a chamar a atenção para os mesmos programas, por vezes no espaço de poucos minutos, esgotando a paciência a um santo. Onde está, já agora, o Conselho das Comunidades, e o que pensará ele sobre o assunto? Aliás, tirando as excursões à terrinha (pagas pelo erário público, está bom de ver), onde os conselheiros de vez em quando se juntam para discutir o sexo dos anjos e matérias afins (de que obviamente nada resulta em benefício de quem representam), não se sabe o que pensam os srs. conselheiros sobre este e outros assuntos, se é que pensam alguma coisa. Desconfio, aliás, que o Conselho das Comunidades é um caso de morte que se esqueceram de anunciar.
1 de março de 2013
MOURINHO. Além das qualidades que se lhe reconhecem, Mourinho é um maná para o jornalismo, e não só desportivo. Não há dia em que não seja notícia, pelas melhores e piores razões. Geralmente dão conta de polémicas, reais ou inventadas, públicas ou privadas, que os media apreciam polémicas, e os adversários aproveitam para daí tirar partido. Verdade que Mourinho se excede com frequência, às vezes sem motivo aparente. Mas começo a dar-lhe razão quando ele disse, não me lembro onde nem a que propósito, que a humildade era um defeito (foi assim mesmo que a definiu) que ele, felizmente, não tinha. De facto, a humildade na actividade que desenvolve só atrapalha, e fosse ele humilde e não teria o currículo que se lhe conhece. Agora é o Real, ontem foi o Inter, anteontem o Chelsea, amanhã outro qualquer — mas tudo indica que nada fará diminuir o interesse dos media por tão rentável filão. Nada de novo ao fim de três dias? Inventa-se. Vai para o PSG ou Manchester por incontáveis milhões, regressa a Milão onde será recebido de braços abertos, embolsará uma indemnização astronómica e depois irá caçar gambozinos. Como é evidente, qualquer uma destas «notícias» é verosímil, mesmo completamente inventada. Mourinho queixou-se, há pouco, de ser um desastre a lidar com os media, deixando implícito na queixa que o aparente defeito lhe sai caro. Sinceramente, duvido. Como o próprio já disse variadíssimas vezes, o confronto com o próximo adversário começa na conferência de imprensa imediatamente antes do jogo, embora a mim me pareça que comece antes. Mourinho conhece como ninguém o mundo em que se move, incluindo o mundo dos media, o que lhe permite tirar vantagem das virtudes e defeitos, e consequentemente levar a água ao seu moinho. Se por vezes as coisas não lhe correm como deseja, globalmente não me parece que tenha grandes razões de queixa. Antes pelo contrário.
26 de fevereiro de 2013
FALHANÇOS E ALDRABICES. Percebe-se que os falhanços aconteçam, que o diagnóstico e a receita não encaixem com os resultados, mesmo depois de nos terem vendido como inevitáveis e infalíveis. Mas o que se percebe cada vez menos é que os governantes não assumam as falhas, e não expliquem aos portugueses por que não ocorreu o milagre que lhes prometeram. Os governantes anunciam diariamente medidas de austeridade que significam o falhanço das anteriores — mas nada justificam, nada argumentam, nada dizem. Julgam não ter obrigação de explicar nada a ninguém, e quando condescendem a explicar deliberadamente confundem (nos melhores casos), ou aldrabam. Não me revejo no modo como os protestos têm vindo a ocorrer, sei muito bem de onde vêm e o que pretendem, e duvido da sua eficácia. Mas não há dúvida de que os governantes, e políticos em geral, precisam de ser confrontados com a realidade, e a realidade tem forçosamente que passar por não mentir a quem os elegeu. Os portugueses estão fartos de malabarismos, de quem lhes mente sistematicamente. Que a cantoria com que estão a ser recebidos um pouco por todo o lado lhes sirva, ao menos, de aviso para o que pode vir a seguir.
22 de fevereiro de 2013
SEM FACTURINHA. Leio que os consumidores são obrigados, desde Janeiro, a pedir facturinha da bica sob pena de serem multados entre 75 e 2000 euros caso não o façam, e estremeço de emoção com o zelo com que o Estado vela por nós. Entretanto, passam-se coisas inacreditáveis. Por que será que os consulados portugueses, pelo menos alguns consulados portugueses nos EUA, só passam facturas pelos serviços prestados caso os utentes as reclamem, e, se as reclamam, as passam a contragosto? Por que será que os mesmos consulados só aceitam como pagamento dinheiro vivo (repito: dinheiro vivo), mesmo que se trate de valores que atingem as centenas de dólares? Alguém faz o favor de me explicar por que não se pode pagar utilizando os métodos correntes (cartões de crédito ou de débito, cheques, etc.)? E, já agora, para onde vai o dinheiro? Entrará ele, como se espera, na contabilidade, digamos, oficial? Se a ideia é criar uma espécie de saco azul destinado a ensinar boas maneiras à gente que lá trabalha, de modo a ter mais respeito pelos utentes, nada a opor. Mas, nesse caso, avisem, que eu também contribuo.
20 de fevereiro de 2013
15 de fevereiro de 2013
POLÍTICOS. É evidente que os políticos não são todos incompetentes, corruptos e aldrabões, embora os haja em demasia. Mas os políticos honestos e capazes não precisam de nos lembrar a toda a hora que o são, e de se escandalizarem sempre que os colocam, a todos, no mesmo saco. Os políticos honestos e capazes precisam, sim, de denunciar os incompetentes, os corruptos e os aldrabões, um dever que simultaneamente lhes salienta a honestidade e a competência. Será distracção minha, mas não os tenho visto, sobre este assunto, mexer uma palha. Outra coisa que se nota bastante: apesar de cada vez pior vistos pela generalidade dos cidadãos, apesar de estarem cada vez mais sujeitos aos piores nomes, apesar de tantas vezes serem injustamente acusados de maldades que não cometeram, a verdade é que a chamada vida política continua a ser uma actividade apetecível e com enorme procura. Porque, lá está, os honestos e capazes não fazem o que devem, e porque os maus geralmente ficam impunes. Dito de outra maneira, porque a desonestidade e a incompetência geralmente compensam. Não surpreende, por isso, que um estudo recente revele que 96% dos portugueses não confiam na classe política. Surpresa é haver 4% que acredita nela.
14 de fevereiro de 2013
A MENTIRA DA RTP. Quem acredita que a RTP aumentará as audiências e, simultaneamente, a qualidade do que transmite? Quem acredita que, deixando de transmitir programação dirigida ao grande auditório (concursos, novelas, nacional-cançonetismo, futebol), substituindo-os por programas culturais (digamos assim para simplificar), as audiências subirão? A avaliar pelo que disse à própria RTP, o actual presidente acredita. Alberto da Ponte afirmou, preto no branco, que os dois canais públicos têm de ter 22% de audiência global em finais de 2014 (no dia da entrevista tinham 16%). Ao contrário de muita gente, que parece não ter dúvidas sobre tão complexa matéria, não sei o que é — ou deve ser — um serviço público de televisão. Há, no entanto, uma coisa que julgo saber: um serviço público de televisão minimamente decente apenas seria visto pela maioria dos cidadãos caso houvesse uma só televisão. Como não é assim, se a actual programação da RTP mudar de rumo, a maioria dos telespectadores mudar-se-á para a concorrência, que não deixará de explorar o filão. Também me parece que os canais públicos não devem operar com a mesma lógica da concorrência, e o pouco que vejo da programação dirigida ao grande auditório é de fugir. Mas então haja coragem para assumir as consequências — e os custos — que isso comportará.
12 de fevereiro de 2013
UNANIMIDADE BURRA. Se é verdade que Bento XVI está muito debilitado fisicamente, como todos admitem, porquê a surpresa da resignação? Será assim tão surpreendente que alguém renuncie a um cargo por se sentir incapaz de exercer com o grau de exigência que entende necessário? Outra coisa que não percebo na unanimidade dos comentários, a começar pelos responsáveis da Igreja Católica, alguns deles próximos do Papa: se Bento XVI mostrou coragem, lucidez e humildade, quer isso dizer que o seu antecessor, que também terá ponderado resignar, não foi corajoso, lúcido e humilde? E se Ratzinger resignou por estar farto dos intermináveis — e desgastantes — problemas internos, que se sente incapaz de resolver? Será assim tão improvável um cenário destes? Como dizia Nelson Rodrigues, toda a unanimidade é burra. E esta em volta de Bento XVI não me parece excepção.
O DESERTO. Pela enésima vez, o professor Carlos Reis saiu em defesa do novo Acordo Ortográfico (ver última edição do Expresso). Pela enésima vez, não apresentou um único (repito: um único) argumento. Têm sido assim todos quantos, desde o início, defendem o Acordo: zero argumentos, e quando os têm não passam de abstracções que, espremidas, não dão uma gota. O mínimo que se espera de quem defende uma ideia é que apresente argumentos, de preferência muitos e bons. Quem é contra o Acordo tem-nos apresentado às dúzias, quase todos pertinentes, sempre fundamentados, e com exemplos para todos os gostos. Já os defensores do dito, nem um para amostra. Tirando que é crucial para a «afirmação internacional da língua portuguesa», como ainda há pouco lembrou Jorge Miranda (sem que alguma vez se tenha explicado o que isso significa), é o deserto total. Será abusivo deduzir que não os têm?
8 de fevereiro de 2013
HERÓIS E VILÕES (2). Vi com interesse a entrevista do novo secretário de Estado do Empreendedorismo à RTP e retive, essencialmente, duas coisas: Franquelim Alves não informou o Banco de Portugal (BdP) das aldrabices porque não teria, na altura, dados substantivos que as comprovassem; depois assinou as contas do Banco Português de Negócios (BPN) apesar de lhes ter detectado irregularidades, a pretexto de que o fez depois de chamar a atenção para as irregularidades, e de que se não o fizesse seria o colapso do BPN e de todo o sistema financeiro. Temos, assim que Franquelim Alves assinou as contas assumidamente aldrabadas (de que não deu conhecimento ao BdP, apesar de aqui já haver substância) por razões patrióticas. Leram bem: razões patrióticas. Como dizia o ministro da Economia, o país devia agradecer ao seu novo secretário de Estado por ter contribuído para ajudar «a desmascarar a fraude do BPN». Eu bem disse que isto ainda vai acabar em homenagem.
7 de fevereiro de 2013
HERÓIS E VILÕES (1). O ministro da Economia tentou transformar o seu novo secretário de Estado num herói a quem o país devia agradecer por ter contribuído para ajudar «a desmascarar a fraude do BPN». Fez mais: invocou, em defesa de Franquelim Alves, factos que não são verdadeiros, quero acreditar que por mera ignorância, embora isso me sirva de pouco consolo. Quando os factos amplamente conhecidos apontam em sentido contrário, o ministro faz de conta que não ouve e não vê, e ainda tem o desplante de nos vir com a estapafúrdia ideia de que o cavalheiro está a ser vítima de linchamento na praça pública. Só falta ao ministro propor uma homenagem ao dito, naturalmente por relevantes serviços prestados à pátria. Infelizmente, não brinco. A impunidade e a desvergonha chegou a tal ponto que casos como este começam a ser corriqueiros, a que já ninguém liga. E isso, como é óbvio, é meio caminho para se tornarem ainda piores.
5 de fevereiro de 2013
GOZAR COM O PAGODE. Como se diz da mulher de César, não basta ser sério. E convenhamos que o novo secretário de Estado do Empreendedorismo deixa algumas dúvidas a esse respeito. Franquelim Alves pode ter um trajecto imaculado como ex-administrador da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), proprietária do Banco Português de Negócios (BPN), como agora reclama (há quatro anos admitiu ter aprovado irregularidades), mas camuflar a sua passagem por tão malcheirosa coisa não pode deixar de ser visto como um expediente de quem tem algo a esconder. Não basta, portanto, dizer que o novo governante não é arguido nem alvo de investigação, como diz o ministro da Economia, ou o visado jurar que sempre pautou a sua conduta pelo rigor e exigência (já vimos que não foi bem assim). É por demais evidente que o Governo fez mal ao nomeá-lo, e o Presidente fez pior ao dar-lhe posse. Mais: no estado a que o país chegou, em que são cada vez mais necessários sinais contrários ao que daqui emergiu, chega a ser uma provocação. Quem conhece a história da SLN não pode deixar de ficar perplexo quando vê um ex-administrador de uma associação criminosa ser premiado com uma secretaria de Estado. Sim, houve outros que fizeram o mesmo ou pior no caso SLN/BPN. Mas não me consta que algum deles seja governante.
1 de fevereiro de 2013
AGUENTEM, PARTE DOIS. O famoso «Ai aguenta, aguenta» proferido por Fernando Ulrich há três meses, pretendendo dizer que os portugueses ainda aguentariam mais austeridade, foi, segundo o próprio, descontextualizado. Resolveu, por isso, explicar melhor o que então quiz dizer. E o que disse ele agora para esclarecer os mal-intencionados? Comparou a situação dos portugueses aos sem-abrigo. Se os sem-abrigo aguentam a austeridade, diz ele, por que razão não haveremos nós de aguentar? Ficamos, portanto, esclarecidíssimos acerca do «aguenta». Só não percebemos por que razão o Governo resolveu emprestar 1.500 milhões ao banco a que preside quando podia ter dito «aguenta». Empréstimo, já agora, sem o qual o BPI não teria alcançado os 249 milhões de lucro que anuncia, que naturalmente serão repartidos pelos seus accionistas e de que o Governo, que administra o nosso dinheiro, não verá um centavo.
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