20 de novembro de 2014
BOA PERGUNTA. «(...) se não temos tempo para ler o património fundamental da literatura dos últimos 2500 anos, vale a pena perder tempo a ler livros “novos”, a esmagadora maioria dos quais desaparece da memória literária a alta velocidade, porque, no fundo, nada tinham a acrescentar de novo ao património anterior?» (Pacheco Pereira, Público de 15/11/2014)
14 de novembro de 2014
TAXAS E TAXINHAS. Definitivamente que a eleição de António Costa para a liderança do PS deixou muita gente nervosa, alguns mesmo de cabeça perdida. Taxar os turistas que chegam a Lisboa em um euro por dia (o total não ultrapassará sete euros por sete ou mais dias) fará com que eles, turistas, deixem de viajar para a capital? Só os politiqueiros «acreditam» que isso possa suceder. Como, pelos vistos, Paulo Portas, para quem a taxa matará a galinha dos ovos d’ouro, e o ministro Pires de Lima, que no parlamento protagonizou uma palhaçada inacreditável. (O ex-ministro Manuel Pinho foi demitido — e bem — por idêntica gracinha, lembram-se?) Devo dizer que António Costa não me entusiasma, como não me entusiasma a generalidade dos políticos, embora ninguém ignora que António Costa é, de longe, melhor que o seu antecessor, que me lembre o pior líder que o PS já teve. Talvez isso justifique a tosca ofensiva da coligação, com meia dúzia de governantes à cabeça, que deviam ocupar-se doutros assuntos em vez de atacar adversários com argumentos estúpidos.
13 de novembro de 2014
SALGADO E OS JULGAMENTOS PÚBLICOS. Ricardo Salgado transferiu centenas de milhões de euros para contas em paraísos fiscais quando já tinha recebido guia de marcha? Segundo uma auditoria encomendada pelo Banco de Portugal, assim foi. Perante isto, o ex-presidente do Banco Espírito Santo já veio dizer que está a ser vítima de uma «tentativa de julgamento público», e de difamação. Assim sendo, é grave? Como o veredicto não lhe será favorável, imagino que será, para ele, gravíssimo. Mas é preciso que se diga que, tirando os tribunais, que na hora da verdade ninguém sabe o que irão decidir, toda a gente sabe que há matéria para o julgar — e condenar — por vários crimes. São demasiados as evidências já conhecidas, demasiadas as fontes que as vêm tornando públicas, e se há evidências que não são inteiramente verdadeiras e fontes que não serão de fiar, a abundância de matéria credível chega e sobeja para o incriminar. E ainda a procissão vai no adro.
7 de novembro de 2014
INTERVALO LITERÁRIO. E agora, para desenjoar de Arquivos do Norte, segundo de três volumes autobiográficos de Marguerite Yourcenar, ler para crer o primeiro parágrafo da última crónica no Público de Valter Hugo Mãe, que muitos consideram um escritor, e dos bons:
«As metáforas da luz talvez expliquem porque perdemos o olhar entre candeeiros quando buscamos uma frase, uma solução para a sempre suplicante literatura. Fixamos espaços vazios, de onde se ausentam referências. Os tectos são páginas limpas cuja única palavra é candeeiro. Uma palavra que acende.»
Que tal? Confesso que fiquei todo aceso. Não fora um antiácido que mantenho por perto, e pegaria fogo a um incêndio.
«As metáforas da luz talvez expliquem porque perdemos o olhar entre candeeiros quando buscamos uma frase, uma solução para a sempre suplicante literatura. Fixamos espaços vazios, de onde se ausentam referências. Os tectos são páginas limpas cuja única palavra é candeeiro. Uma palavra que acende.»
Que tal? Confesso que fiquei todo aceso. Não fora um antiácido que mantenho por perto, e pegaria fogo a um incêndio.
5 de novembro de 2014
BONS TEMPOS. Por me parecer delicioso, aqui vai um extracto de Eterna Meia-noite em Paris, um texto de Marcelo Franco sobre os anos loucos da capital francesa publicado não sei em que edição da Revista Bula:
(…) o início da festança [anos loucos de Paris na década de 20] ocorreu bem antes, no jantar que Picasso ofereceu, em 1908, ao pintor Henri Rousseau, que, mesmo com 64 anos, era admirado pela geração mais jovem. Dele participaram várias pessoas, entre elas os pintores Georges Braque e Marie Laurencin, os escritores André Salmon e Guillaume Apollinaire, os americanos Gertrude Stein, seu irmão Leo e sua nova amiga (e futura amante) Alice B. Toklas. Planejaram que se reuniriam aos pés de Montmartre para aperitivos no bar Fauvet e depois subiriam a ladeira até o estúdio de Picasso, onde comeriam arroz à valenciana. Plano bom, execução desastrosa.
Realmente, até aí tudo fora bem, mas a coisa desandou: no bar, Laurencin embriagou-se e ficou inconveniente; a namorada de Picasso, Fernande Olivier, ficou desconsolada porque alguns produtos encomendados não foram entregues, saindo então com Alice Toklas para tentar encontrar alguma mercearia aberta, o que não conseguiram; na subida de Montmartre, Gertrude e Leo tiveram de carregar Laurencin, que não conseguia mais andar; Fernande barrou a entrada de Laurencin no ateliê, e Gertrude Stein disse-lhe então que, depois de carregá-la, ela teria que ser aceita, com o que Picasso concordou, mas Laurencin, já dentro do ateliê, caiu sobre uma bandeja; Appollinaire, que era amante de Laurencin, levou-a para fora e, ao que tudo indica, deu-lhe uns tabefes, fazendo-a recuperar um pouco a sobriedade; vizinhos esfomeados roubaram comida; um frequentador do famoso Lapin Agile passeou dentro do estúdio com seu burro, que bebeu bastante e comeu o chapéu de Alice Toklas; cantores de rua italianos juntaram-se à bagunça e foram expulsos por Fernande; André Salmon, também embriagado, começou a brigar com todo mundo e então estátuas começaram a ser derrubadas, para desespero de Braque, que inutilmente tentava segurá-las; um dos pintores dançou músicas religiosas espanholas e estendeu-se no chão como um Cristo crucificado; uma convidada não identificada rolou ladeira abaixo e caiu dentro de um esgoto; Rousseau adormeceu debaixo de uma vela que pingava cera derretida sobre a sua cabeça e, quando acordou, passou a tocar violino.
(…) o início da festança [anos loucos de Paris na década de 20] ocorreu bem antes, no jantar que Picasso ofereceu, em 1908, ao pintor Henri Rousseau, que, mesmo com 64 anos, era admirado pela geração mais jovem. Dele participaram várias pessoas, entre elas os pintores Georges Braque e Marie Laurencin, os escritores André Salmon e Guillaume Apollinaire, os americanos Gertrude Stein, seu irmão Leo e sua nova amiga (e futura amante) Alice B. Toklas. Planejaram que se reuniriam aos pés de Montmartre para aperitivos no bar Fauvet e depois subiriam a ladeira até o estúdio de Picasso, onde comeriam arroz à valenciana. Plano bom, execução desastrosa.
Realmente, até aí tudo fora bem, mas a coisa desandou: no bar, Laurencin embriagou-se e ficou inconveniente; a namorada de Picasso, Fernande Olivier, ficou desconsolada porque alguns produtos encomendados não foram entregues, saindo então com Alice Toklas para tentar encontrar alguma mercearia aberta, o que não conseguiram; na subida de Montmartre, Gertrude e Leo tiveram de carregar Laurencin, que não conseguia mais andar; Fernande barrou a entrada de Laurencin no ateliê, e Gertrude Stein disse-lhe então que, depois de carregá-la, ela teria que ser aceita, com o que Picasso concordou, mas Laurencin, já dentro do ateliê, caiu sobre uma bandeja; Appollinaire, que era amante de Laurencin, levou-a para fora e, ao que tudo indica, deu-lhe uns tabefes, fazendo-a recuperar um pouco a sobriedade; vizinhos esfomeados roubaram comida; um frequentador do famoso Lapin Agile passeou dentro do estúdio com seu burro, que bebeu bastante e comeu o chapéu de Alice Toklas; cantores de rua italianos juntaram-se à bagunça e foram expulsos por Fernande; André Salmon, também embriagado, começou a brigar com todo mundo e então estátuas começaram a ser derrubadas, para desespero de Braque, que inutilmente tentava segurá-las; um dos pintores dançou músicas religiosas espanholas e estendeu-se no chão como um Cristo crucificado; uma convidada não identificada rolou ladeira abaixo e caiu dentro de um esgoto; Rousseau adormeceu debaixo de uma vela que pingava cera derretida sobre a sua cabeça e, quando acordou, passou a tocar violino.
31 de outubro de 2014
É SÓ FUMAÇA. O Ministro dos Negócios Estrangeiros revelou que há jihadistas portugueses que pretendem regressar à pátria, e que isso, a suceder, será um problema que não sabe como resolver. Por razões que já referi, e que cinco minutos de Google bastarão para explicar, não morro de amores pelo ministro. Mas a dúvida de Machete parece-me razoável, e só a politiquice explica tanta celeuma. A eurodeputada Ana Gomes apressou-se a dizer que os jihadistas «têm de ser tratados como terroristas», julgados por actos de terrorismo nos países de origem. E como? Como vai a justiça portuguesa saber dos crimes eventualmente cometidos na Síria ou no Iraque? Vai lá investigar? E como vai saber que os jihadistas, reais ou hipotéticos, integram (ou integravam) o Estado Islâmico? Deitar-se-ão a adivinhar, ou ficar-se-ão pelo palpite? Mais que as dúvidas do ministro, que talvez deveria guardar para si, gostaria de saber como se fará, na prática, o que defende Ana Gomes. Como já não se ouve falar no assunto, desconfio que foi só fumaça.
24 de outubro de 2014
ARGUMENTOS DESPROPORCIONAIS. Já disse e repeti o que penso do conflito israelo-palestiniano. Mas há uma coisa que me tira do sério: acusar Israel de responder aos seus inimigos «de forma desproporcional», como ainda ouvi esta semana. Alguém explica por que se deve responder de forma proporcional? E o que será, já agora, responder de forma proporcional? À pedrada se se for apedrejado, e com o mesmo número de pedras? Nunca vi argumento mais tão sem pés, nem cabeça. Num conflito, valem as razões que cada um diz ter para atacar ou defender-se. Quem lhe escasseia os meios não tem, como pretende a «tese» da desproporcionalidade, mais razão que o outro, nem retira ao outro legitimidade para os usar.
23 de outubro de 2014
OU HÁ MORALIDADE, OU COMEM TODOS. O presidente da República e o primeiro-ministro enganaram os investidores do Banco Espírito Santo (BES), assegura Daniel Oliveira. Porque ambos conheciam a real situação do BES, e aconselharam outra. Não conheço as declarações dos governantes, mas acredito que o Daniel saiba do que fala. Assim sendo, é grave? Com certeza que é grave. E mentir aos portugueses sobre variadíssimas matérias sobre as quais também sabem, à partida, estar a mentir? Não será igualmente grave, talvez ainda mais grave? Mentir aos accionistas de determinado banco, que de antemão sabem os riscos que correm, é mais grave que mentir aos eleitores? Na opinião do Daniel Oliveira (e doutros mais), é mais grave. Não vou repetir o que já disse por duas ou três vezes. Se os accionistas lesados pelas mentiras dos governantes têm direito a ser ressarcidos, então a generalidade dos cidadãos também tem. Parece-me que isto chega e sobeja para demonstrar o absurdo da teoria.
22 de outubro de 2014
INCOMPATIBILIDADES. Para usar uma expressão que detesto mas muito em voga, os episódios à volta do universo Espírito Santo são, para os comentadores políticos, incontornáveis. O assunto tornou-se obrigatório para quem comenta a actualidade, e tudo indica que por muito mais tempo. Como já se viu, Miguel Sousa Tavares não tem condições para se pronunciar sobre o caso (é compadre de Ricardo Salgado) com um mínimo de isenção. Marcelo Rebelo de Sousa é amigo do banqueiro agora em desgraça, e está tudo dito. Haverá outros, mas estes são, seguramente, os mais influentes. Nada contra Miguel Sousa Tavares ou Marcelo Rebelo de Sousa, mas é preciso que isto se diga — e repita — as vezes que for preciso. A ver se alguém decide o óbvio.
15 de outubro de 2014
COLHEITA DAS VINDIMAS.
Além de meia dúzia de garrafas de origem certificada e proveniência segura, e da gastronomia capaz de ressuscitar um moribundo, nos primeiros dias do santíssimo descanso dediquei-me à colheita de Viagem a Itália, de Goethe, Através do Continente Negro (Volumes I e II), de Henry Morton Stanley, O Homem sem Qualidades (Volumes II e III), de Robert Musil, Enviado Especial, de Evelyn Waugh, O Doutor Glas, de Hjalmar Soderberg, As Maçãs Douradas, de Eudora Welty, e Vidas Perdidas, de Nelson Algren — todos encomendados com prudente antecedência, e prudentemente guardados em local seguro. Depois foram A Estrada do Tabaco, de Erskine Caldwell, A História Não Acabou, de Claudio Magris, Arquivos do Norte, de Marguerite Yourcenar, Novelas e Textos Para Nada, de Samuel Beckett, O Caminho de San Giovanni, de Italo Calvino, Portugal, Ensaios de História e de Política, de Vasco Pulido Valente, A Travessia, de Cormac McCarthy, Arte de Amar, de Ovídio, Sonhos de Bunker Hill, de John Fante, O Mundo de Ontem, de Stefan Zweig, Sapho, de Alphonse Daudet, A Consciência de Zeno, de Ítalo Svevo, O Ente Querido, de Evelyn Waugh, A Divina Comédia, de Dante (oferta do meu sobrinho), Confissões de Uma Liberal, de Maria Filomena Mónica (que comprei sem saber que já tinha), e Pan, de Knut Hamsun (que voltei a comprar pelo mesmo motivo). O pior é o espaço para os acomodar, cada vez mais escasso. Já faltou mais para começar a pô-los debaixo da cama.
Além de meia dúzia de garrafas de origem certificada e proveniência segura, e da gastronomia capaz de ressuscitar um moribundo, nos primeiros dias do santíssimo descanso dediquei-me à colheita de Viagem a Itália, de Goethe, Através do Continente Negro (Volumes I e II), de Henry Morton Stanley, O Homem sem Qualidades (Volumes II e III), de Robert Musil, Enviado Especial, de Evelyn Waugh, O Doutor Glas, de Hjalmar Soderberg, As Maçãs Douradas, de Eudora Welty, e Vidas Perdidas, de Nelson Algren — todos encomendados com prudente antecedência, e prudentemente guardados em local seguro. Depois foram A Estrada do Tabaco, de Erskine Caldwell, A História Não Acabou, de Claudio Magris, Arquivos do Norte, de Marguerite Yourcenar, Novelas e Textos Para Nada, de Samuel Beckett, O Caminho de San Giovanni, de Italo Calvino, Portugal, Ensaios de História e de Política, de Vasco Pulido Valente, A Travessia, de Cormac McCarthy, Arte de Amar, de Ovídio, Sonhos de Bunker Hill, de John Fante, O Mundo de Ontem, de Stefan Zweig, Sapho, de Alphonse Daudet, A Consciência de Zeno, de Ítalo Svevo, O Ente Querido, de Evelyn Waugh, A Divina Comédia, de Dante (oferta do meu sobrinho), Confissões de Uma Liberal, de Maria Filomena Mónica (que comprei sem saber que já tinha), e Pan, de Knut Hamsun (que voltei a comprar pelo mesmo motivo). O pior é o espaço para os acomodar, cada vez mais escasso. Já faltou mais para começar a pô-los debaixo da cama.
REGRESSO ANUNCIADO. Andei afastado das notícias nas últimas três semanas, demasiado tempo para quem vive delas. Regresso com a impressão de me ter escapado algo importante, mas talvez seja apenas um sentimento de culpa. Dediquei os últimos dias a ler incontáveis publicações atrasadas, na esperança de recuperar o tempo perdido. Terei ficado melhor informado, mas a sensação permanece.
18 de setembro de 2014
12 de setembro de 2014
ADIVINHEM DE QUEM É A CULPA. Loureiro dos Santos afirmou, no Público, que a «emergência da tentativa de restauração do califado na região Síria/Iraque resulta de dois erros estratégicos cometidos pelos EUA». Segundo ele, o primeiro é da responsabilidade de Bush (por ter invadido o Iraque), e o segundo da responsabilidade de Obama (por não ter dado o apoio militar que os insurgentes requeriam). Daniel Oliveira, no Expresso, junta-se ao coro: «(...) o “Estado Islâmico” é filho da intervenção norte-americana no Iraque.» Resumindo, nada de novo, muito menos de surpreendente. A culpa é dos americanos, dos americanos, e dos americanos. O argumento é fraquinho, para não dizer pior. Dizer-se que o fundamentalismo islâmico resulta da política externa americana é, desde logo, um facto que carece de sustentação, uma mentira que qualquer livrito de História desmente. Mas nem é preciso tanto. Qualquer pessoa mediamente informada, e que não vê apenas o que lhe convém, sabe que o fundamentalismo islâmico não nasceu ontem, muito menos do ódio à América (leia-se EUA).
LIVRARIAS. Boas notícias, más notícias, e notícias assim-assim para quem gosta de livros e livrarias. A Shakespeare & Co. da Broadway acaba de fechar. Desmontavam as últimas estantes quando lá estive, faz hoje uma semana . (Ainda me lembro da Strand da Fulton Street pouco antes de fechar e da tristeza que me causaram as estantes vazias.) Nas boas notícias, descobri a Idlewild Books, livraria especializada em literatura de viagens que hei-de explorar com mais tempo na próxima visita. Nas assim-assim, vi na McNally Jackson e na livraria da NYU uma maquineta que imprime livros enquanto o diabo esfrega um olho. A avaliar pela informação disponível e por alguns exemplares expostos, a qualidade é boa. Digo assim-assim, porque não sei bem o que isto significa. Se é bom, se é mau. Quando o mercado dos eBooks cresce de dia para dia, deparar com uma coisa destas é, no mínimo, surpreendente.
10 de setembro de 2014
A BARBÁRIE. Parece que o presidente Obama não sabe o que fazer face à escalada do jihadismo do autodenominado Estado Islâmico (escrevo antes de Obama falar aos americanos, que deverá suceder esta noite). Pelo menos foi isso que deu a entender um dia destes, quando assumiu não ter uma estratégia para enfrentar o problema. É grave? Segundo alguns, é gravíssimo. Na minha opinião, a gravidade, a existir, foi tê-lo assumido publicamente, que neste tipo de assuntos a verdade não é um bem absoluto. Depois, por que é que os americanos têm que ter uma estratégia para tudo, estar prontos a intervir em todo o lado sempre que estão em causa problemas que dizem respeito a meio mundo? Por que não se exige o mesmo aos outros países, nomeadamente da União Europeia, cujos mandantes se limitam à retórica quando são postos diante casos destes? Por que não se denunciam abertamente os países, alguns da União Europeia, que em segredo pagam resgates astronómicos pela libertação dos seus cidadãos que tiveram o azar de cair nas mãos dos jihadistas, entregando a um bando de assassinos não só o dinheiro que lhes é exigido mas o mais elementar dos princípios? Evidentemente que o problema dos jihadistas do Estado Islâmico é global, pelo que a resposta só pode ser global. Infelizmente, não se vêem passos concretos nesse sentido, nem como o jihadismo possa ser erradicado com paninhos quentes. Entretanto, decapita-se, crucifica-se e fuzila-se, e quanto mais tempo levar a encarar a realidade de frente — e a agir em conformidade — mais vítimas haverá para contar. O islão é uma religião de paz? Acho que vou rever o debate entre Christopher Hitchens e Tariq Ramadan, realizado há quatro anos precisamente com esse título. A ver se desta vez saio mais esclarecido.
NÃO SE FAZEM OMELETAS SEM OVOS. Paulo Bento já foi. Não é um desejo (nem deixa de ser), mas uma constatação. Por tudo o que se diz desde a derrota frente à Albânia (e ainda antes), falta apenas acertar as contas e fazer a mala. E porquê? Porque os resultados não têm sido brilhantes, e os resultados é que contam. Todos sabem que quando não há resultados, a primeira cabeça a rolar é a do treinador. Haja, ou não, razões para isso, e no caso de Paulo Bento não sei se haverá. A mim parece-me que o problema da selecção é outro. Tirando três ou quatro jogadores, não temos matéria-prima. Por uma vez dou razão a Miguel Sousa Tavares: se a selecção disputasse o campeonato português, acabaria em quinto ou em sexto. Vendo bem, se calhar nem isso.
5 de setembro de 2014
SEM REI, NEM ROQUE. A RTP, pelo menos a RTP Internacional, passa a maior parte do dia a promover o que há de pior na música portuguesa. É normal que uma televisão pública passe dias inteiros a promover entulho? Outra coisa, já agora, sobre a dita. Por acaso saberão quantas vezes passam, diariamente, durante meses a fio, os mesmos anúncios aos mesmos programas? Para quem não vê, eu respondo: nas três ou quatro horas diárias que tenho visto nos últimos meses chega a ultrapassar a meia dúzia. O pior é a música de qualidade (também há, também há) e um ou outro programa de divulgação cultural, que de tanto passarem se tornaram insuportáveis. A última vítima foi Cardoso Pires, cujo programa (Ler Mais, Ler Melhor, salvo erro) ouvi tantas vezes e durante tanto tempo que já conheço de cor. A RTP Internacional, como está, promove o que há de pior, e destrói o que há de melhor. Pior seria difícil.
4 de setembro de 2014
PROCESSAR OS CONTRIBUINTES? (2). Se bem entendi, alguns accionistas do BES insistem em processar o Estado, a pretexto de que o Estado, pela boca de alguns dos seus mais altos representantes (Presidente da República à cabeça), os induziu a tomar decisões desastrosas. Já dei para este peditório, mas espanta-me que a teoria continue a fazer caminho, a ponto de o próprio Presidente da República resolver recordar o que disse sobre o BES que tanto os terá prejudicado. Alguns accionistas perderam quase tudo o que tinham? Imagino a tragédia. Mas, lamento dizê-lo, problema deles. Quem se mete nessas coisas sabe, desde o início, ao que vai, e os riscos que corre. Era só o que faltava que os contribuintes pagassem as perdas de quem jogou e perdeu.
O NOSSO HOMEM EM BRUXELAS. Talvez não chegue a Presidente da República, como será seu desejo. Mas foi graças a exercícios como este que o homem chegou onde chegou.
SERVIÇO PÚBLICO. Obrigatório o artigo do médico Manuel Pinto Coelho sobre o vírus Ébola no Público de hoje.
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