11 de julho de 2008

LER FAZ BEM À SAÚDE (7). Why facts won’t demolish the conspiracy theories, por Frank Furedi. Matemática, por João Miranda.
CRÍTICA. Não tenciono ler o mais recente romance de Margarida Rebelo Pinto, mas duvido que ele seja pior que a prosa que sobre ele escreveu Conceição Caleiro na Ípsilon de hoje.

10 de julho de 2008

BETANCOURT. Como se viu desde a primeira hora, há quem não se conforme com a libertação de Betancourt e companhia. Depois dos milhões que terão sido entregues pelos americanos (quem havia de ser?) aos rebeldes colombianos em troca dos reféns agora libertados, hoje, no Público, um fulano, identificado como investigador, escreveu que a ex-candidata presidencial poderá ter-se deixado raptar pelas FARC, pela simples razão de que o rapto iria «alavancar as suas ambições políticas». E com base em que factos chegou ele a esta conclusão? Aparentemente, com base noutro motivo simples: Betancourt sabia que o local onde acabou por ser raptada «era bastião das FARC». Temos, assim, que o futuro político da franco-colombiana justificou umas «férias» na selva, onde foi sujeita a toda a espécie de privações e sevícias. A não ser, claro, que tudo isto não passe de um embuste, evidentemente que montado pelo governo colombiano, com apoio americano e israelita. Aliás, não me surpreenderia que nos próximos dias se comece a dizer que Betancourt não passou os seis anos acorrentada e em trabalhos forçados mas numa estância de férias, provavelmente na Suíça, onde um jornal local «descobriu» que o resgate de Betancourt e companhia se deveu aos milhões do governo americano e não, como foi dito, a uma operação militar. Divago, é certo, mas com a certeza de não ter imaginação bastante para ombrear com o que há-de vir.
APITA O COMBOIO. Quem segue com alguma atenção as movimentações da justiça desportiva só pode ter concluído uma coisa: a realidade ultrapassa largamente a imaginação. Mesmo que as expectativas sobre o desfecho do «apito final» sejam escassas (ou nulas), os mais recentes episódios demonstram que o catálogo de trapalhadas (para não lhe chamar outra coisa) é infindável. Pior só constatar-se que a justiça em geral não é melhor que a justiça desportiva, e nalguns casos é francamente pior. Menos trapalhona nos métodos, é certo, mas pior nos resultados. De facto, a justiça tornou-se uma coisa a evitar a todo o custo, e nalguns casos razão para fugir do país. Digo bem: fugir do país. Não falo dos que cometeram crimes, que dessa forma procuram ficar impunes. Falo dos cidadãos inocentes, que a justiça, apesar de toda a retórica, tem por culpados até prova em contrário.
LER FAZ BEM À SAÚDE (6). O culto do especialista (I) e (II), por João Miranda.

9 de julho de 2008

JUDICIÁRIA. A ser verdade o que diz esta notícia, estamos perante uma situação duplamente lamentável. Porque o caso significa que a Judiciária se movimenta à margem da lei e mete o nariz onde não deve, e porque a informação obtida nessas circunstâncias, previsivelmente mais valiosa que em circunstâncias normais (dentro da lei), não parece traduzir-se em maior eficácia da justiça.
BOAS NOTÍCIAS. Blogger português Nuno Gouveia credenciado para a Convenção Republicana de Minneapolis.
FILIPE NUNES VICENTE. Palpita-me que vai haver más notícias.
ESPERAR SENTADO. A anedota do dia.

7 de julho de 2008

4 de julho de 2008

PC (2). Não surpreende a posição do PC sobre o caso Betancourt, como ontem referi. O curioso é que até Fidel Castro condena o sequestro de civis, argumentando que «nenhum propósito revolucionário poderia justificá-lo». Não fosse o assunto dos reféns ser demasiado sério para que com ele se brinque, seria risível a posição dos comunistas portugueses.
LER FAZ BEM À SAÚDE (5). Os testes de Português podiam ser substituídos por uns papeluchos como os do Totobola, por Maria Filomena Mónica.

3 de julho de 2008

BLOGUES LOCAIS. Ou muito me engano, ou o caso do blogue suspenso por ordem judicial é uma amostra do que há-de vir não tarda muito, pois é previsível que os blogues locais comecem a surgir um pouco por todo o lado, e a incomodar quem não está habituado a ser incomodado. Refiro-me aos poderes locais, que a generalidade dos media regionais não trata como deve por razões que todos conhecemos, e a que os media nacionais dão escassa importância. Não duvido que, mais tarde ou mais cedo, os blogues locais irão «acordar» os media regionais, obrigando-os a cumprir o que deles se espera — ou, pelo menos, a desempenhar melhor as suas funções. Claro que a proliferação dos blogues locais não será, por si só, motivo de júbilo, mas não duvido que trarão mais benefícios que inconvenientes. Como, aliás, sucede com a maioria dos blogues generalistas, que nem o facto de a sua grande maioria ter escasso interesse retira importância aos que o têm. Nem interesse, nem importância, nem poder, como se tem visto e se verá cada vez mais.
PC (1). O PC não gostou da libertação de Betancourt e companhia. Percebe-se porquê, e está no seu direito. Escusava era de maltratar a língua portuguesa, que não tem culpa nenhuma.

2 de julho de 2008

1 de julho de 2008

OLIVEIRA vs MADAÍL. Extraordinária a forma como o treinador António Oliveira se referiu ao presidente da Federação Portuguesa de Futebol para defender a sua imediata saída do cargo, se necessário for a mal. Extraordinária porque António Oliveira fez um trabalho medíocre quando foi seleccionador nacional, e com o agravante de protagonizar algumas cenas pouco dignificantes. Devo dizer que nada me move por Gilberto Madaíl, e também me agrada a sua rápida substituição. Mas, que diabo, Madaíl tem mais currículo à frente da Federação que Oliveira à frente da selecção. Se bem me lembro, foi com Madaíl que Portugal chegou à final do Euro2004 e às meias-finais do Mundial de 2006. E o sr. Oliveira, o que tem ele para mostrar? Tirando os adjectivos com que brindou o actual presidente da Federação («incapaz» e «incompetente»), que assentariam bem a si próprio, não fez nada que se visse no plano desportivo, e no plano não desportivo é melhor nem falar. É público que António Oliveira tem um problema com o presidente da Federação (Madaíl despediu-o no final do Mundial de 2002), mas até por isso devia ser mais contido. O ressentimento, é sabido, nunca foi bom conselheiro.
BASTONADAS. É possível que as polícias compitam «para ver quem sai em primeiro lugar nos telejornais», como diz o bastonário dos Advogados. Mas já não me parece que Marinho Pinto tenha, sobre esta matéria, autoridade moral para criticar as polícias. Se é verdade que algumas declarações do bastonário são oportunas, também é verdade que outras deixam muito a desejar, além da impressão que o bastonário não desdenha sair «em primeiro lugar nos telejornais». Disparar em todas as direcções a propósito de tudo e de nada, às vezes de forma leviana e pouco informada, poderá ser útil à sua agenda, mas não me parece que adiante alguma coisa às causas que diz defender. Numa coisa têm os seus adversários razão: não basta ao bastonário falar mal. Compete-lhe, também, apresentar soluções.
TRAPALHADAS. Que os clubes portugueses ou a Federação se metam em trapalhadas, ninguém se espanta. Mas o que terá levado a UEFA a meter os pés pelas mãos e a desdizer o que disse sobre o FC Porto? Terá havido algo de novo que a fez mudar de opinião? Como não disse que havia, presume-se que a segunda decisão (readmitir o Porto na próxima «Champions») foi tomada com os mesmos factos com que foi tomada a primeira (expulsar o Porto da próxima «Champions»), e isto não se compreende. Mais: custa a crer que tudo isto venha da UEFA, um organismo que nos habituou ao rigor e não costuma envolver-se em trapalhadas destas. Compreende-se que a discussão que por aí vai assente mais no «coração» que nos factos, e que alguns clubes aproveitem a ocasião para tentarem abotoar-se com o que, aparentemente, não lhes pertence. Mas, por favor, não me venham com a história de que as «vitórias na secretaria» não são legítimas. É que, a ser assim, grande parte das decisões dos tribunais seriam ilegítimas.

27 de junho de 2008

DE MAL A PIOR. A Associação Sindical dos Juízes Portugueses diz que pelo menos 16 tribunais de todo o país registaram, recentemente, casos de violência, dois deles nos últimos dias. A violência incluiu agressão e tentativas de agressão a juízes, procuradores, funcionários e advogados, e ainda, segundo a mesma fonte, «incêndios provocados intencionalmente». Notícias diárias dão conta que há tribunais a funcionar em instalações provisórias sem o mínimo de condições ou em edifícios a cair aos bocados. Como não bastasse, o Rádio Clube Português divulgou, esta semana, que as sanções disciplinares aos magistrados do Ministério Público quadruplicaram em relação a 2006 (foram sancionados 40 magistrados, sete dos quais com suspensão de funções), um claro indício de que as coisas têm piorado. Perante estes factos, a que se poderiam juntar muitos outros, as autoridades tentam desdramatizar, dizendo o que deles se espera nestas ocasiões: as polícias estão a funcionar como devem, vai haver mais dinheiro para os casos mais necessitados, não há razão para alarme. A verdade, porém, é que a situação é mais grave do que se pinta e do que o Governo nos quer fazer crer, e os dados enunciados não prenunciam nada de bom. Resta esperar que o «abanão» em curso faça ruir os arcaísmos e, de uma vez por todas, acorde para a realidade quem deve ser acordado, isto partindo do princípio que está em curso um «abanão». Como os casos mais mediáticos demonstram e alguns protagonistas confirmam (o bastonário dos advogados acaba de dizer que Vale e Azevedo tem «razões de queixa da Justiça portuguesa» e que «há centenas» ou «milhares de pessoas presas por terem sido mal defendidas», e a procuradora-geral adjunta disse esta semana que os tribunais «deixam os denunciantes [de casos de corrupção] entregues a si próprios»), está quase tudo por fazer na Justiça, e o que foi feito não é, por si só, motivo de orgulho. Tirando um caso ou outro, antes pelo contrário.

26 de junho de 2008