MORALISMO. Não alinho na ideia de que acusar o primeiro-ministro por ter fumado onde não devia constitui um acto moralista. É que, a ser assim, os governantes não podem ser criticados por ingerirem álcool onde não se pode, por deitarem lixo na via pública, ou por não apanharem o cocó do cão. Evidentemente que se espera de um governante que seja o primeiro a cumprir a lei, nomeadamente a lei que o próprio fez aprovar, e não me parece que isto seja moralismo. Mas, se for, antes isso que reduzir o episódio a um mero fait divers.
20.5.08
16.5.08
JORNALISMO (2).
«Numa visita do então Presidente da República Mário Soares, o jornalista Miguel Sousa Tavares, enviado especial da RTP, não pediu para ir à missa mas precisou de uma pequena ajuda. Estava a realizar uma reportagem de exterior e precisava de alguém que personificasse o nova-iorquino bem informado que não perde tempo a almoçar de garfo e faca para poder ler o Wall Street Journal ou a Time.
Na ausência de um exemplar disponível, não se atrapalhou. Chamou o meu colaborador e ex-sócio Ribas, com o seu cabelo e barba preta mediterrânicos, comprou-lhe uma sanduíche, um exemplar do New York Times, sentou-o num banco do jardim em frente ao hotel Plaza (...) e executou ali mesmo, na perfeição, o retrato do típico nova-iorquino: “Nem na hora de almoço, em Nova Iorque, o homem de negócios norte-americano deixa de se informar sobre o que se passa no mundo”.
O Ribas disse que sim senhor, que lá fazia de nova-iorquino, mas virou o jornal ao contrário. O New York Times apareceu na RTP virado de pernas para o ar... Depois, tratou de ligar para tudo quanto era família em Portugal pedindo que o imortalizassem numa fita de vídeo.»
Ao Volante do Poder, de Pedro Faria e Nuno Ferreira
© Ilídio Martins - 20:41 Ligação para este post
15.5.08
JORNALISMO (1). Constança Cunha e Sá no Público de hoje: «Se os jornalistas do PÚBLICO (...) tinham conhecimento do que se passava» nos voos fretados pelo Presidente da República, «não se percebe por que é que só agora resolveram denunciar os factos que, desde há dois anos, poluem as viagens presidenciais.» De facto, «seria de esperar que (...) estes [factos] tivessem sido revelados, na altura própria, com o devido destaque - e não que aparecessem, esta semana, em diferido, a reboque dos cigarros do eng. Sócrates e da fatídica cortina atrás da qual ele supostamente se escondeu.» Já agora, repararam no tempo que os restantes órgãos de informação levaram para citar a notícia do Público sobre o fumo do nosso primeiro? Por que seria?
© Ilídio Martins - 21:50 Ligação para este post
14.5.08
APITO FINAL. Se bem entendi o que foi dito no Prós e Contras sobre o Apito Final, fosse outro o clube despromovido que não o Boavista e não teria havido drama algum. Nem drama, nem discussão. Quanto ao resto do debate, e o resto do debate abordou a generalidade dos problemas do futebol português, mais uma vez ficou demonstrado que nada de substancial vai mudar, a curto ou médio prazo, muito menos com os actuais protagonistas. Valeram as peixeiradas, que sempre permitiram que se dissessem umas quantas verdades que, de outra forma, não seriam ditas.
© Ilídio Martins - 21:05 Ligação para este post
FUMO. Fez bem o primeiro-ministro em pedir desculpa por ter fumado onde não devia, apesar de a transportadora aérea nacional se ter apressado a garantir que um voo fretado está sujeito a regras diferentes, entre elas a permissão de fumar. Já aproveitar a ocasião para anunciar que deixou de fumar, mais valia estar calado. É que o caso não tem a mínima relevância, nem é coisa que nos diga respeito. Além de que os planos podem sair-lhe furados, como já sucedeu a muito boa gente, pondo-se a jeito para as anedotas.
© Ilídio Martins - 20:52 Ligação para este post
OBAMA. Como seria de esperar e os últimos desenvolvimentos confirmam, as Presidenciais americanas de Novembro vão agitar o espantalho racial, e cada vez me convenço mais que a questão pode tornar-se determinante para o desfecho do resultado. (O resto está aqui.)
© Ilídio Martins - 20:47 Ligação para este post
13.5.08
VELHICE (3). A gente descobre que está a ficar velho quando recebe diariamente ofertas de Viagra e Cialis.
© Ilídio Martins - 21:28 Ligação para este post
12.5.08
DREAM TICKET. Nunca entendi por que se designaria dream ticket uma eventual candidatura de Obama tendo a ex-primeira-dama como candidata a vice-presidente. E agora, sabendo-se que os apoiantes de um e de outro prometem votar em McCain caso o candidato das suas preferências não seja o nomeado, ainda percebo menos por que se insiste nesta eventualidade. Não que o «negócio» não seja possível, que eu já vi que chegue para não me surpreender com coisas destas. Só que, a acontecer, parece-me que o expediente afastaria mais votos do que conquistaria — e já toda a gente percebeu que há um abismo entre Obama e Hillary, além de que as candidaturas assentam em pressupostos quase antagónicos
© Ilídio Martins - 23:19 Ligação para este post
9.5.08
RELATIVISMO. «Com ou sem resolução do Conselho de Segurança da ONU a intimar a Junta a levantar as restrições de entrada no país, esta é a altura de avançar em força para a Birmânia, entrando por todas as portas e janelas», escreve Ana Gomes no Causa Nossa. Ficamos, assim, a saber que há causas que não necessitam de resolução da ONU para uma intervenção da «comunidade internacional». Na óptica da eurodeputada, a regra não se aplica a todos os casos — como, aliás, demonstrou no caso do Iraque, cuja intervenção considerou inadmissível sem a resolução da ONU. Dir-me-ão que a Birmânia e o Iraque são casos diferentes, e que merecem, por isso, tratamentos diferenciados. Com vossas licenças, discordo. É que, em matéria de diferenças, cada um vê as que quer, já os princípios não podem prestar-se a interpretações de circunstância.
© Ilídio Martins - 22:45 Ligação para este post
HILLARY. Goste-se ou não da ideia (ou de Hillary Clinton), uma coisa já todos perceberam: a ex-primeira dama dos EUA só tem hipótese de ganhar a nomeação presidencial «na secretaria». Como ninguém acredita que «a secretaria» lhe atribua uma vitória que não teve no terreno, temos que Hillary está fora da corrida. Não se percebe, portanto, por que insiste em continuar. É que já toda a gente viu que a corrida é, agora, a corrida dela, não a corrida do partido pelo qual disputa a nomeação, por mais que diga que a sua campanha prossegue «a todo o vapor até à Casa Branca». Aguarda-se que alguém lhe mostre a evidência e a aconselhe a retirar-se de forma digna, embora, pelos erros já cometidos, dificilmente será alguém que lhe está próximo.
© Ilídio Martins - 22:28 Ligação para este post
7.5.08
PSD. Contrariando o pensamento dominante, não estou seguro de que a vitória de Manuela Ferreira Leite nas «directas» sejam favas contadas, e ainda tenho mais dúvidas de que a «dama de ferro» ganhe por maioria folgada, como exige Alberto João Jardim, que já ameaçou não reconhecer um líder que seja eleito por menos de 50 por cento dos votos. É, também, previsível que o novo líder venha a ter um mandato tão atribulado como a dupla Menezes & Lopes, pois o primeiro já avisou que está pronto para o combate, e o segundo continua a «andar por aí» — e uma vitória de Manuela Ferreira Leite está longe de ser um garante de acalmia. Pode ser que me engane, mas estou convencido de que o PSD tem os dias contados. E, a cumprir-se o prognóstico, por uma vez concordo com Rui Tavares: só faz falta quem cá está.
© Ilídio Martins - 21:05 Ligação para este post
JOVENS. Os jovens podem não saber quem foi o primeiro presidente eleito após o 25 de Abril, não saber escrever uma frase sem um erro ortográfico, ou fazer uma conta de dividir. Mas há uma coisa que é preciso dizer: os jovens de hoje sabem muitíssimo mais do que nós sabíamos quando tínhamos a idade deles e a escolaridade deles. Façam os estudos que quiserem, pintem o cenário como quiserem: é uma evidência que só não vê quem não quer. Não exageremos, portanto, quando falamos da ignorância dos jovens.
© Ilídio Martins - 19:36 Ligação para este post
© Ilídio Martins - 19:28 Ligação para este post
© Ilídio Martins - 19:26 Ligação para este post
5.5.08
DO OITO AO OITENTA. Depois da crucifixão, já só falta aos media canonizar o casal McCann. De facto, o mínimo que se pode dizer sobre o caso Maddie é que chega a ser impressionante a facilidade com que se vai do oito ao oitenta, como nada se tivesse aprendido com os erros cometidos. A não ser que tudo isto não passe de uma estratégia dos media destinada a contrabalançar os erros cometidos e, assim, escapar aos processos anunciados pelos advogados dos McCann.
© Ilídio Martins - 21:48 Ligação para este post
DESASTROSO. De uma coisa não há dúvida: o director nacional da Judiciária é especialista em deitar gasolina na fogueira. Numa altura em que a PJ está afogada em problemas e na mira de todos pelas piores razões, Alípio Ribeiro ainda vem com mais esta. Razão tem quem pede o afastamento do magistrado, considerando que deixou de ter condições para exercer o cargo.
© Ilídio Martins - 21:40 Ligação para este post
2.5.08
CÓNEGO MELO. Tenho dúvidas acerca dos motivos que levaram o PC e o Bloco a ser contra o voto de pesar pela morte do Cónego Melo, mas tenho uma dúvida ainda maior: que relevantes serviços terá o Cónego Melo prestado à Pátria que merecessem um voto de pesar do Parlamento?
© Ilídio Martins - 21:20 Ligação para este post
1.5.08
JUSTIÇA. «Falta de uma estratégia de investigação», «redução da capacidade operacional», «desmotivação dos inspectores», «inoperância», «declínio», «descalabro». Estes são, segundo o DN, os dados que o Departamento de Planeamento e Assessoria Técnica da PJ tem em mãos, e que caracterizam o actual estado da PJ. Comentários para quê?
© Ilídio Martins - 21:09 Ligação para este post
VELHICE (2). A gente descobre que está a ficar velho quando, no café, nos perguntam se queremos açúcar «normal» ou açúcar de dieta.
© Ilídio Martins - 21:08 Ligação para este post
30.4.08
29.4.08
FRUSTRAÇÃO. Certamente que o inspector Amaral terá fundadas razões para se sentir injustiçado com o afastamento do caso Madeleine e para editar um livro a contar as suas mágoas. Mas que começa a ser estranho que tantos polícias recorram aos jornais e aos livros para aí «resolverem» casos que não conseguem resolver no terreno, lá isso começa. Estranho, e preocupante. É que estes casos parecem indiciar uma onda de frustração nas polícias, o que é mau para elas e pior para nós.
© Ilídio Martins - 22:05 Ligação para este post
DA IGNORÂNCIA. O Presidente da República diz ter ficado «impressionado» com a ignorância dos jovens acerca do 25 de Abril após conhecer os resultados de um estudo por ele encomendado. Ora, não vejo porquê. Saberão os jovens de hoje quem são os líderes dos principais partidos políticos? Certamente que alguns saberão, mas quer-me parecer que a resposta de uma jovem a um inquérito da RTP, afirmando que Afonso Henriques foi o primeiro presidente eleito após o 25 de Abril, não é um caso isolado. Pior: os jovens nada sabem acerca da Revolução, nem querem saber. E porquê? Na minha modesta opinião, porque os jovens não se revêem nos políticos de um modo geral, e nos políticos portugueses de um modo particular. Vejamos, por exemplo, as juventudes partidárias. Alguém dá por elas fora dos períodos eleitorais? Mais: quando se procura saber o que é feito de tão promissores líderes políticos, constata-se que estão velhos. Velhos nas ideias, velhos nos modos, velhos nos métodos. Se isto não explica tudo, explicará, certamente, muita coisa.
© Ilídio Martins - 22:00 Ligação para este post
25.4.08
HOLOCAUSTO. Considero abominável que se diga que as câmaras de gás eram um detalhe na história da II Guerra Mundial, quando os factos (repito: os factos) demonstram o contrário. Mas ainda acho mais abominável que se condene alguém a uma pena de prisão (embora suspensa) por dizer que a ocupação de França pelos nazis «não foi particularmente desumana», como sucedeu a Le Pen, por mais repugnância que o sujeito mereça. Dir-me-ão que é a lei, e as leis são para cumprir. Nesse caso, mudem a lei, pois como está faz mais por quem a transgride do que por quem pretende dignificar.
© Ilídio Martins - 19:27 Ligação para este post
SANTANA LOPES. O que pretenderá o director do Público dizer quando diz ter «pena que os muitos que pagaram do seu bolso bocados da vida "sempre em festa" que [Santana Lopes] tem levado não contem abertamente o que sabem»? Confesso que não estou a ver. Uma coisa, porém, julgo entender: José Manuel Fernandes lamenta que alguns não digam o que sabem, mas também ele esconde o que sabe.
© Ilídio Martins - 19:22 Ligação para este post
24.4.08
DESACORDO ORTOGRÁFICO. «Introduziram-se muitas palavras recentemente no léxico português sem qualquer necessidade de legislação, como "lóbi", "dossiê" ou "robô". Se a ortografia precisar de reforma, esta surgirá naturalmente nos dicionários, livros, gramáticas e jornais. Se não precisámos da força da lei para passar a escrever "dossiê" em vez de dossier, também não precisamos dela para passar a escrever "ótimo" em vez de "óptimo".» Desidério Murcho, Público de 22.04.2008
© Ilídio Martins - 20:37 Ligação para este post
23.4.08
NOTÍCIAS. De facto, já estranhava que não se falasse desta «notícia» e do que ela representa. Menezes terá batido com a porta por causa desta e doutras notícias do género? Não sei. O que sei é que está mais que demonstrado que quem abre uma vez a porta da sua privacidade, naturalmente procurando mostrar o que lhe interessa mostrar, acaba por ver exposto o que não lhe convém. São estas as regras do jogo, e os políticos conhecem-nas melhor do que ninguém. Aliás, nem me parecem condenáveis. Um político que faz questão de exibir a sua vida pessoal, ou a parte da vida pessoal que julga poder beneficiá-lo, não tem autoridade moral para condenar notícias sobre o seu foro íntimo que não quer ver na praça pública, ou tome como prejudiciais.
© Ilídio Martins - 22:23 Ligação para este post
21.4.08
JARDIM. Há, no Brasil, uma expressão muito usada para caracterizar os detentores de cargos políticos com obra feita mas pouco escrupulosos nos métodos que diz o seguinte: «Rouba, mas faz.» (O resto está aqui.)
© Ilídio Martins - 21:15 Ligação para este post
18.4.08
PALPITES. Não sei o que dizer sobre a entrevista de Menezes à SIC-N, mas ficou-me a ideia de que o líder demissionário dos sociais-democratas vai a jogo nas próximas eleições caso se concretize a tal «vaga de fundo» ou os candidatos não lhe agradem. Pode ser que me engane, mas palpita-me que vamos assistir a uma campanha eleitoral desaconselhável a narizes sensíveis.
© Ilídio Martins - 22:17 Ligação para este post
17.4.08
MENEZES. É verdade que Menezes era líder do PSD por obra e graça da «vontade dos militantes livremente expressa no tempo devido», como repetiu Santana Lopes, mas a verdade é que também rapidamente se viu que isso era pouco. Ainda cheguei a pensar que a militância dos «históricos» contra o líder agora demissionário poderia transformar-se, nas próximas Legislativas, num resultado aceitável para Menezes, mas nas últimas semanas tornou-se evidente que assim não seria. De facto, este PSD estava — e continua a estar — a caminho de uma hecatombe nunca vista, e tornou-se insustentável dizer que a situação se deveu, apenas, ao clima de guerrilha interna, isentando o líder de culpas. O anúncio de que Menezes vai pedir eleições para o mês que vem, desde já garantindo que não será candidato, só pode ser uma boa notícia para os sociais-democratas, pela simples razão de que, suceda o que suceder, o partido dificilmente ficará pior do que está. A não ser, claro, que os sociais-democratas escolham Menezes caso ele decida recandidatar-se, ou alguém que lhe é próximo.
© Ilídio Martins - 21:12 Ligação para este post
15.4.08
ACORDO ORTOGRÁFICO II. Defendi, mal foi ratificado o Acordo Ortográfico, um amplo debate sobre a matéria, por então considerar que não eram conhecidas as razões de quem se opunha e de quem o defendia, muito menos o que se ganhava (ou perdia) com isso. Meio ano e inúmeros debates depois, incluindo o recente Prós e Contras, continuo sem vislumbrar os benefícios de um acordo ortográfico. Falo de benefícios porque é de benefícios que julgo tratar-se, embora por vezes duvide que seja esse o pressuposto. Unificar a escrita da língua portuguesa porquê? Confesso que não estou a ver. É que, por aquilo que se vai vendo, e considerando os argumentos de quem defende o acordo, a ideia parece-me esta: muda-se a grafia, e logo se verá. A tese faz-me lembrar a regionalização, que os seus defensores achavam excelente aquando do referendo — mas nunca apresentaram um exemplo dessa excelência. E eu, quando me cheira a mudar por mudar (ou a mudar para o que se duvida que seja melhor), acho que mais vale estar quieto.
© Ilídio Martins - 21:44 Ligação para este post
ACORDO ORTOGRÁFICO I. Impressionante a forma como o prof. Carlos Reis passou atestados de ignorância a torto e a direito no Prós e Contras sobre o Acordo Ortográfico. Já os argumentos para defender as suas ideias, impressionaram menos, e certamente que nem sempre da forma que desejaria. É que a substância do que disse ficou muito aquém da soberba com que o disse, e não foram poucas as vezes que baixou o nível ao debate com apartes despropositados e muito pouco elegantes. Valeu a teoria da bomba de Lídia Jorge. Apesar dos avisos de Vasco Graça Moura, que várias vezes lhe disse não entender o que dizia, a respeitável senhora estava que rebentava. Como o programa se aproximava do final e mal tinha aberto a boca, desatou a falar que ninguém a calava. E o que disse ela, deus meu? Bom, há muito que não via tanto disparate junto.
© Ilídio Martins - 21:38 Ligação para este post
PROFESSORES. É bom saber que não sou só eu a pensar isto.
© Ilídio Martins - 21:23 Ligação para este post
11.4.08
AGUALUSA. Ignoro se Agostinho Neto é «um poeta medíocre», como disse Agualusa ao Angolense. Que me lembre, nem um verso li do ex-presidente angolano que me permita ter a mais vaga ideia. Mas não me parece acertado pôr a ridículo a obra do bardo. É que, se vamos por aqui, não será difícil encontrar poemas de autores respeitáveis que nunca deviam ter saído do tinteiro. Querem condenar quem condenou Agualusa? Atirem-se aos cavalheiros e ao regime que os sustenta. Seguramente que razões não faltarão.
© Ilídio Martins - 20:26 Ligação para este post
HIPOCRISIA. Da ONU, espera-se tudo, mas esta de o secretário-geral não ir à cerimónia de abertura dos Olímpicos de Pequim por «razões de agenda» confesso que me surpreendeu. Que um país com interesses na China invente um expediente para se furtar ao embaraço, condena-se mas entende-se. Mas como entender a posição de um organismo que, nesta matéria, se deveria pautar pela clareza de ideias e frontalidade nos métodos?
© Ilídio Martins - 20:22 Ligação para este post
10.4.08
RACISMO. Claro que Mário Machado não é racista, como jurou em tribunal. Tem é um ligeiro problema com os pretos, que ninguém é perfeito. Aliás, a modalidade é por demais conhecida, e ainda mais praticada. Por pretos e por brancos, valha a verdade, que a estupidez não é exclusivo de ninguém.
© Ilídio Martins - 21:50 Ligação para este post
8.4.08
JORNALISMO DE CAUSAS. Leio que Fernanda Câncio é uma excelente profissional, goste-se ou não do «jornalismo de causas» de que é militante. Ora, eu tenho dúvidas acerca do «jornalismo de causas». Aliás, duvido que se possa chamar jornalismo ao «jornalismo de causas». A causa do jornalismo deve ser a verdade, agrade ela ou não. Excelente profissional é o que faz disto a sua causa, ou põe esta causa acima de todas as outras. Quanto ao resto, e o resto inclui a contestação de que a jornalista foi alvo por alegado favorecimento da televisão pública, não me interessa. Não me interessa porque a contestação tresanda a oportunismo político.
© Ilídio Martins - 21:45 Ligação para este post
TIBETE. Não tenho uma opinião definitiva acerca do conflito que opõe o Tibete ao regime chinês, mas tenho uma opinião sobre as declarações dos presidentes dos comités olímpicos de Portugal e Brasil quando vêm dizer que não devemos interferir nos «assuntos internos de outros países» (Portugal), e que os atletas não podem ser prejudicados por questões que nada têm a ver com o âmbito desportivo (Brasil): o problema entre os tibetanos e o regime chinês, e dos direitos humanos em geral, é mais importante que os Olímpicos de Pequim. Incidentes como os de ontem tendem, por isso, a aumentar, e não basta aos media chineses não mostrarem o que o regime não quer que se mostre para que tudo fique na mesma. Aliás, um episódio recente demonstrou que o regime chinês não está preparado para lidar com jornalistas ocidentais, o que acabará por ter repercussões nos media caseiros.
© Ilídio Martins - 21:39 Ligação para este post
4.4.08
ERC. Não me surpreenderia que a RTP esteja, de facto, a ser tendenciosa em matéria de informação relativa ao Governo e à Oposição, como acusa a ERC. Aliás, quem se surpreenderia? Desde quando a RTP não esteve ao serviço do Governo, deste e doutros governos? Desde quando seria de esperar outro comportamento da televisão do Estado que não seja beneficiar quem nela manda? Desde quando quem lá trabalha não tem que obedecer a quem lhes paga? Depois, como não suspeitar de uma televisão gerida pelo Estado? Como não suspeitar que o Estado é mais bem tratado que a Oposição mesmo que não haja o mais leve indício? Finalmente, a forma como se avalia esta questão levanta dúvidas, a começar pelas metodologias usadas. Claro que se pode — e deve — aferir (e vigiar) o comportamento da televisão pública, e questioná-lo sempre que for caso disso. Só que, de tão vista, duvido que alguém acredite nesta novela. É que qualquer pessoa que siga de perto a questão da RTP e mantenha algum distanciamento, nomeadamente distanciamento dos partidos políticos, dificilmente concluirá o que quer que seja.
© Ilídio Martins - 22:36 Ligação para este post
OBSCENO. Dêem-lhe as voltas que quiserem e chamem-lhes os nomes que quiserem: a transmissão, pelas TVs, da chegada ao tribunal da criança que se ia encontrar com o pai biológico, e que acabou por não suceder devido ao circo mediático, foi obscena. Que os populares acorram ao local e dificultem o encontro, é lamentável, mas compreende-se. Afinal, os populares não dariam por nada caso não fosse a fanfarra mediática. Mas já o comportamento dos media, não tem perdão ou desculpa.
© Ilídio Martins - 22:34 Ligação para este post
2.4.08
DIA DAS MENTIRAS. A mera possibilidade de o FC Porto perder seis pontos e o seu presidente ser suspenso até dois anos, a que se juntam as eventuais descidas de divisão do Boavista e do Leiria e o possível afastamento de dois árbitros de primeiro plano, só pode ser brincadeira de 1 de Abril. Aliás, a divulgação da coisa no Dia das Mentiras tem o seu quê de premonitório. De facto, é muita fruta, mesmo que tudo não passe de foguetório que acabe em nada, como esta notícia é já um indício.
© Ilídio Martins - 21:42 Ligação para este post
UM DESPERDÍCIO. Raramente se viu um Prós e Contras tão fraquinho como aquele que, segunda-feira, abordou a questão da disciplina nas escolas. Quando se esperaria um debate aceso e substancial, praticamente não houve debate, e de substantivo não me lembro de nada. (Ressalvo que só vi a primeira e segunda partes, pois já não tive paciência para o resto.) A única coisa que se percebeu foi aquilo que já toda a gente sabia: a natureza da violência nas escolas é diferente de antigamente. Tirando isto, não se percebeu se a violência nas escolas aumentou, que mecanismos existem para a combater, e o que se pretende fazer para aumentar a sua eficácia. Pior: tirando escolas avulsas, parece que a utilização dos telemóveis nas salas de aulas é moeda corrente, quando o bom senso mandaria proibir a sua utilização.
© Ilídio Martins - 21:38 Ligação para este post
31.3.08
MENTIRAS & IGNORÂNCIA. Há muito que Miguel Sousa Tavares demonstrou ter um problema com os factos. Falando, no Expresso, sobre o Iraque, e fazendo questão de salientar que se reportava, apenas, aos factos, MST escreveu que a invasão se deveu a «pretextos inventados» pela administração Bush. Ou seja, MST usou a sua opinião como se de um facto se tratasse, modalidade que, é bom recordar, se fartou de praticar aquando da invasão do Iraque. Mas a seguir veio o mais extraordinário. Segundo ele, qualquer pessoa com «serenidade de espírito» percebe que a invasão do Iraque foi uma «operação de manipulação montada por Bush», pois é sabido que a opinião pública americana se move por «raciocínios maniqueístas primários» e sofre de «patriotismo idiota» — além de Bush ser um «falhado em tudo», evidentemente. Como se vê, o «raciocínio» é esmagador. Esmagador não propriamente pela contundência dos argumentos, mas pela ignorância em que assentam.
© Ilídio Martins - 21:22 Ligação para este post
28.3.08
O VÍDEO. Dei uma volta pelos principais sites de notícias mal soube que o vídeo do deputado holandês tinha sido colocado na internet e verifiquei, sem surpresa, que não havia qualquer referência na CNN e na FOX. Não me surpreendeu, também, que a notícia tenha sido retirada do portal Terra, onde reapareceu muito depois reformulada e com novo título. (Apercebi-me graças ao Google Reader, que me anunciou a notícia que, depois, não apareceu.) Não me surpreendeu, por último, que o Daniel tenha dito que o vídeo é «propaganda racista», que nada tem a ver com a realidade. Mas já me surpreendeu que, várias horas depois, ainda não houvesse qualquer referência na CNN. O mais extraordinário é que o vídeo, ao contrário do que diz o Daniel, não contém nada que já não tenha sido dito, nem mostra nada que já não tenha sido visto. Afinal, o vídeo é uma colagem de imagens que passaram em todo o lado, e já toda a gente viu. Aliás, era capaz de apostar que o vídeo passaria sem ondas caso tivesse sido posto na internet por alguém ligado a um partido moderado, de esquerda ou de direita, como muito bem poderia ter sucedido. Como não foi assim, as reacções de desagrado foram mais drásticas — e muito mais numerosas. É por estas e por outras que os partidos radicais ganham terreno e adeptos.
© Ilídio Martins - 21:24 Ligação para este post
27.3.08
CRIME E CASTIGO. Sem dúvida que a violência nas escolas é uma questão complexa, e resultará de motivos ainda mais complexos. Mas a violência em Nova Iorque também era complexa e resultava de motivos ainda mais complexos antes de entrar em vigor a «tolerância zero», que hoje todos aplaudem e alguns puseram em prática. Não é assim? Por que não se copiam os modelos com provas dadas em vez de andarmos a discutir o sexo dos anjos anos a fio? É óbvio que um aluno que na sala de aula não se porta como deve não necessita de apoio psicológico ou «mediadores de conflitos», mas de castigo. Qualquer «desequilibrado» ou candidato a arruaceiro se converte às boas práticas caso seja punido, na hora, pelos erros que cometer. Teorizem o que quiserem e digam o que quiserem: é uma evidência que só não vê quem não quer. Naturalmente que há excepções, mas excepções são isso mesmo: excepções. Não queiram, por isso, transformar em regra o que não é regra, deixando que a questão continue a arrastar-se por discussões intermináveis e sempre inconclusivas.
© Ilídio Martins - 20:59 Ligação para este post
26.3.08
25.3.08
QUATRO PINÓQUIOS. A história de Hillary Clinton na Bósnia era, de facto, interessante. Isto, claro, se fosse verdadeira. Como não é, como a própria já admitiu, tornou-se interessante... mas por outros motivos. Claro que o episódio bósnio, no qual a ex-primeira-dama começou por dizer que foi recebida debaixo de fogo e acabou a admitir que não foi bem assim, se presta a lapsos de memória. Afinal, argumentam alguns, a coisa passou-se há mais de uma década, e qualquer um já não se lembraria se foi recebido com beijinhos e abraços, ou num ambiente de tiroteio. O Washington Post não pensa assim, e atribui a este episódio quatro pinóquios numa escala com um máximo de quatro. Estava a brincar, claro. Se fosse a sério, certamente que recomendaria à senadora de Nova Iorque que fizesse o que faria qualquer pessoa de bem com um pingo de vergonha na cara: pedir desculpa ao povo americano, e afastar-se da corrida presidencial.
© Ilídio Martins - 21:47 Ligação para este post

