17.7.09

TRETOFONIA. Quem vê, na TV, os Jogos da Lusofonia? A avaliar pelas horas de directos que a televisão pública lhes dá, parece que muita gente. Os estádios às moscas e os ginásios sem vivalma, que as câmaras nem sempre conseguem esconder, não são, pelos vistos, o que parece. Vicente Moura, presidente do Comité Olímpico português, garante que se está «a construir um projecto importante» que «ainda não foi bem compreendido no país». De facto, não se percebe. Eu próprio gostaria de saber, por exemplo, quanto é que o «projecto» custou aos cofres públicos, e que audiência tem na RTP.

AMEAÇAS. Que me perdoem se estiver enganado, mas a história de um escritor português que decidiu adiar a publicação de um romance que tem o Islão como pano de fundo por alegadas ameaças de morte, ontem contada no Público e motivo para um comunicado da editora, soa-me a uma jogada de marketing. (Vale a pena ler a notícia do Público sobre a matéria e prestar atenção às dúvidas que ela levanta.)

QUEIMAR CALORIAS. Ora aqui está uma boa receita para emagrecer e sem efeitos secundários — ou com efeitos secundários ainda melhores que os primários.

JOÃO PEREIRA COUTINHO NO CORREIO DA MANHÃ. Aceitar [na Constituição] ideologias totalitárias em nome da 'democracia' e da 'liberdade' é como aceitar a raposa no interior do galinheiro.

16.7.09

AGRADECIMENTO. O contador do Esmaltes e Jóias disparou, nos últimos dias, para números impensáveis. Ainda pensei tratar-se de algum disparate que eu tivesse publicado, mas reli os últimos posts e não me pareceu caso para tanto. Uma volta pelos blogues do costume revelou-me o motivo: o Francisco fez uma referência a este blogue, e sempre que isso sucede os acessos sobem em flecha. Escusado será dizer que lhe agradeço a referência e a simpatia. Conto, já agora, que os forasteiros que me visitaram encontrem motivo para voltar.

MIA COUTO. O Jesusalém, de Mia Couto, continua a fazer vítimas. Desta vez foi o DN, que lhe chamou Jerusalém. (Tentei, no site do jornal, fazer um comentário a dar conta do erro, mas constatei que era necessário inscrever-se para o poder fazer. Feita a inscrição, uma mensagem informou-me que iria receber a confirmação por mail, após a qual o processo ficaria concluído. Passaram dez horas e nada recebi.)

ESCOLHA O QUE MAIS LHE CONVÉM. «Jornais recuperam leitores este ano», titula o Público (sem link). «Queda generalizada de leitores no segmento dos jornais diários», titula o DN.

15.7.09

PACHECO PEREIRA. Andam para aí umas donzelas muito irritadas com Pacheco Pereira por causa do novíssimo programa na SIC (Ponto Contra Ponto), mas ainda não vi quem rebatesse um só caso lá abordado. O problema, pelos vistos, é Pacheco Pereira meter o nariz onde não devia, no caso questionar o desempenho de uma classe (os jornalistas) muito susceptível e pouco habituada a críticas, e que tem o poder (e os meios) de se defender como ninguém. Contra mim falo, mas eu cá prefiro que me questionem o trabalho às falsas palmadinhas nas costas. Prefiro uma crítica injusta mas fundamentada a um elogio simpático mas pouco rigoroso. Não sei se é o caso de Pacheco Pereira, nem isso me interessa. Mas já me interessava que o criticassem com argumentos, até porque me chateia que a ausência dos ditos nas críticas que lhe fazem signifique que ele tem, de facto, razão.

SE ELE O DIZ... «Inqualificável», disse ele.

NÃO PERCEBO. Tendo assistido a alguns programas na TVI (Roda Livre) e lida a entrevista ao i, afinal Villaverde Cabral é de esquerda em quê?

14.7.09

JUSTIÇA NÃO MERECE RESPEITO. Não me passa pela cabeça que Isaltino Morais tenha abandonado o tribunal onde está a ser julgado por se ter irritado com um procurador sem que exista uma lei que lho permita. Sair do tribunal apenas porque a juíza o autorizou, como já ouvi por aí, parece-me demasiado absurdo para ser verdade. Diria mais: a confirmar-se, seria surrealista. Com certeza que se o arguido fosse um pobretanas não se gabaria de semelhante proeza, mesmo que a lei lho permitisse, e até nem é preciso grande imaginação para ver a juíza a rir-se da esperteza do arguido caso este lhe pedisse licença para se ausentar da sala de audiência para, imaginem, não ter que ser «malcriado», como fez Isaltino Morais. Assim sendo, estamos, portanto, diante mais um caso já bem nosso conhecido: há uma justiça para ricos, e outra para pobres — ou, se preferirem, uma justiça para os poderosos, e outra para o cidadão comum. Como, aliás, a recente operação policial contra o Gangue do Multibanco muito bem demonstrou. Fossem as buscas a bancos, escritórios de advogados ou a casas de políticos e familiares de políticos, como foi dito em editorial na Sábado, e as televisões não teriam exibido as imagens que exibiram, muito menos com a conivência das autoridades.

BLOGUES. Duas notícias da blogosfera, uma boa, outra má. A boa é que o Francisco voltou; a má é que o Filipe Nunes Vicente vai parar até final de Agosto.

13.7.09

MAIS ALFARRABISTAS. Fathers and Sons: The Autobiography of a Family, de Alexander Waugh, nove dólares; A Writer's Diary: Being Extracts from the Diary of Virginia Woolf, de Virginia Woolf, um dólar e oitenta; The Lawless Roads, de Graham Greene, um dólar. Eis a mais recente colheita num alfarrabista que acabo de descobrir graças ao Francisco Duarte Azevedo, cônsul-geral de Portugal em Newark, que se gabou de lá ter comprado um Hemingway por meia dúzia de patacos. Nas quase duas horas que por lá andei entre as estantes ouvia-se, em fundo, não sei que ópera, tornando o local ainda mais agradável. Voltarei um dia destes.

10.7.09

CARREIRAS POLÍTICAS (2). A deputada Ana Gomes insiste no que julga ser uma lógica implacável e um argumento irrefutável: foi candidata ao Parlamento Europeu, mas os eleitores sabiam de antemão que renunciará ao mandato de eurodeputada caso seja eleita presidente da Câmara de Sintra. Acontece que a «honestidade» e «transparência» com que diz ter actuado não bastam para esconder o óbvio. E o óbvio é que a candidatura ao PE foi, no mínimo, um expediente pouco recomendável, e eticamente reprovável. Os eleitores sabiam que ela abandonará o PE caso seja eleita para Sintra? Também Ana Gomes sabia que os eleitores votariam, nas Europeias, no partido por quem se candidatou, e não especificamente nela. A eurodeputada sabia, portanto, que seria eleita, acontecesse o que acontecesse, apreciassem ou não a sua conduta. Resta esperar que nas autárquicas tenha aquilo que merece.

Este vai longe

8.7.09

CARREIRAS POLÍTICAS (1). Dizendo que alguns deputados «em início de carreira» não estariam dispostos a assumir outros combates políticos caso soubessem que poriam em risco «a carreira que já tinham iniciado», a deputada Leonor Coutinho transformou-se, involuntariamente, no símbolo de uma certa forma de estar na política, provavelmente a forma de estar na política da maioria dos seus protagonistas. E a forma, como se vê, é demasiado evidente: os políticos vêem as suas funções como uma carreira, que é necessário preservar a todo o custo. Bem pode Manuel Alegre jurar que a proibição de candidaturas simultâneas agora anunciada pelo PS é uma «atitude pedagógica exemplar». É uma medida que se saúda, mas não muda o essencial.

PORTUGAL DOS PEQUENINOS. Depois de Saramago, que resolveu emigrar para as Canárias, e de Maria João Pires, que se mandou para o Brasil, eis que Miguel Sousa Tavares se prepara, também ele, para abandonar a Pátria. Devo dizer que também eu abandonei, há muito, a dita. Como eles, por causa do estômago. A diferença é que eles saíram enfastiados, e eu com ele vazio.

7.7.09

BOA MÚSICA. Michael Jackson foi tudo o que dele se disse, sobretudo o que de pouco abonatório se disse. Mas também é preciso que se diga que Michael Jackson fez músicas excelentes. Como esta, por exemplo, que Miles Davis recriou para escândalo de muitos. (Vejam a segunda parte aqui.)

6.7.09

JUSTIÇA PARA POBRES, JUSTIÇA PARA RICOS. Oitenta e dois por cento dos inquiridos num estudo agora publicado considera que a justiça não trata ricos e pobres de forma igual, e a maioria dos entrevistados não lhe passa pela cabeça recorrer aos tribunais para defender os seus direitos por não acreditarem nos tribunais. De facto, a coisa é de tal modo evidente que não eram precisos estudos para o demonstrar. Deviam, agora, fazer um estudo para saber em que é que os portugueses realmente acreditam. Não estou a brincar. Um país que não acredita na justiça, acredita em quê?

JORNAL DA MADEIRA. O mais extraordinário da notícia que nos dá conta que o Governo de Jardim estourou 23,4 milhões no Jornal da Madeira é constatar-se que a coisa já nem merece reparo, muito menos indignação, e ainda menos acções que ponham fim àquela pouca vergonha.

GLORIOSO. Queiramos, ou não, 92% dos votos é obra. Além de fazer lembrar os resultados das eleições em alguns regimes pouco recomendáveis, tanta unanimidade numa casa que nos últimos anos se distinguiu pela mediocridade não deixa de ser extraordinário.

O BURACO D'AGULHA. O meu amigo Rui regressou à blogosfera, agora num registo diferente.

2.7.09

CHIFRES E BENGALADAS. Estava o país suspenso da conferência de imprensa onde o sr. Vilarinho iria anunciar o futuro do glorioso, e eis que o já ex-ministro Manuel Pinho resolve pôr um par de chifres na cabeça do sr. Bernardino e provocar um abalo na Pátria. O episódio fez-me lembrar um texto notável de Eça de Queirós, que transcrevo sem mais demoras.

Tumultos no Parlamento

Julho 1871.

Escrevemos no primeiro número das
Farpas: «As sessões da Câmara não têm seriedade. Aí reinam o tumulto, a confusão..., etc.»

Uma nova justificação desta verdade apareceu na sessão do dia 29.


O sr. presidente do Conselho falava. Houve um momento em que S. Exª, ou cometeu um erro de gramática, segundo o dizer de alguns jornais, ou arremessou desdenhosamente à circulação a eloquente palavra
bomba, segundo a afirmação de outros. O facto é que a maioria entendeu que a melhor maneira de manifestar ao sr. presidente do Conselho que não tinha confiança na sua política, era apupá-lo! E a Pátria deve agradecer aos senhores deputados que eles não lhe tivessem dado bengaladas!

Então o sr. presidente, a título de esclarecimento, perguntou timidamente se se achava numa praça pública. Pergunta excessivamente ociosa. Numa praça nunca há nem aqueles gritos, nem aqueles tumultos — porque a polícia intervém e faz evacuar a praça. Impunemente, ao abrigo das instituições, sem ingerência policial — uma assuada só se pode dar na Câmara dos Deputados. Em mais nenhuma parte é permitido, pelos regulamentos da polícia, ser-se tão excessivamente trocista. O caso é que a maioria, para provar ao sr. presidente que se considerava ofendida com a designação de
praça, rompeu num alarido tal como não é uso fazer-se na praça de touros — tudo para demonstrar bem claramente que não estava ali um grupo de moços de forcado, mas um corpo de legisladores. A palavra patife fez então pela primeira vez a sua entrada na Câmara e tomou assento. Foi também então que o sr. presidente do Conselho, em compensação, mandou o epíteto malcriados a cumprimentar e abraçar os eleitos do País.

A assuada, o motim, o chasco, o charivari, cresceram tão constitucionalmente que o Sr. Aires de Gouveia, eclesiástico, teve de enterrar na cabeça o seu chapéu alto. A este gesto, cheio de dedicação nacional, a tempestade evacuou a sala. Diz-se que alguns srs. deputados foram cumprimentados à saída pelos melhores frequentadores do sol na praça do Campo de Santana, que se achavam presentes. As galerias permaneceram impassíveis. Tal foi esta memorável sessão, em que a altura das ideias competiu com o vigor da eloquência!


Parece pois definitivo que o Parlamento decidiu adoptar o motim e a assuada como a forma parlamentar dos seus trabalhos. Vistes, amigos, a sessão de 29 de Junho. Quereis assistir à de 29 de Julho? Aí tendes o seu fiel extracto:


O ORADOR
(concluindo): — E foi assim, sr. presidente, que se passaram os factos.

O SR. LUCIANO DE CASTRO
(interrompendo com grandes punhadas na mesa): — O ilustre deputado diz uma refinadíssima peta...

Vozes
: — Apoiado, apoiado!

O ORADOR
(voltando-se e desabotoando o colete): — Petas? oh! descarado! (apoiado, apoiado). Eu, sr. presidente, não posso consentir que esse biltre entre no meu foro interior!

Vozes
: — Fora, fora!

O SR. COELHO DO AMARAL
(espancando com dignidade o Sr. Barros e Cunha): — E assim provo, sr. presidente, que o Sr. Barros e Cunha não tem razão alguma nos princípios que estabeleceu.

O SR. MARIANO DE CARVALHO: — Mas a ditadura foi nefasta! E não há mariola nenhum que me demonstre o contrário...
(acende o cigarro).

O SR. COELHO DO AMARAL
(continuando o espancamento): — Não me interrompam o discurso! Não me interrompam!

O SR. PRESIDENTE
(aos Srs. Mariano e Santos Silva): — Os senhores não têm direito a interromper sovas que o regimento garante (berreiro).

O SR. PRESIDENTE DO CONSELHO: — A Câmara está-se sepultando na mais profunda abjecção!


(O sr. presidente do Conselho sucumbe, sob uma chuva de bengaladas).


O SR. JOSÉ DIAS
(batendo com a bengala sobre a mesa, a um continuo): — Dois cafés! Um cabaz!

Vozes (atravessando o corpo legislativo)
: — Salta meia de Colares!

O SR. PINHEIRO CHAGAS
(deitado, com ar melancólico):

«Oh virgem pálida e triste

Branca visão doutros Céus!»


O SR. AIRES DE GOUVEIA: — O que diz ele?


Vozes
: — Ele cisma! Ele cisma!

A oposição atira cebolas ao Sr. Pinheiro Chagas. Alguns senhores deputados grunhem obscenidades, que o ruído impediu que chegassem à mesa dos taquígrafos.


O ORADOR: — A Câmara não quer escutar-me? Pois bem, eu passo a outros argumentos...
(Distribui bengaladas).

Tumulto. O sr. presidente atira a campainha à cara da maioria, e o tinteiro aos queixes da oposição. Alguns senhores deputados miam de gato. O Sr. Santos e Silva, no auge da sua indignação, dá cambalhotas. O Sr. Luís de Campos espalha uma prodigiosa quantidade de pontapés.


O SR. PRESIDENTE: — Para amanhã continua esta interessante discussão.


A Câmara sai correndo, gritando, rebolando pelas escadas abaixo.


Os contínuos levantam as garrafas de
Colares.

A política chegou a tal miséria, que nem a polidez instintiva coíbe os homens.


Eça de Queirós, As Farpas

DA INGENUIDADE. Dias Loureiro diz que só ontem, após ter sido constituído arguido por suspeita de envolvimento em negócios pouco claros do Banco Português de Negócios, percebeu «alguns contornos do negócio da Biometrics» que dantes lhe «passaram completamente ao lado». Pois eu era capaz de jurar que os portugueses perceberam, há muito, uma coisa: ingénuo é que Dias Loureiro não é.

MANUELA vs GRANADEIRO. Saborosa a troca de acusações entre Manuela Ferreira Leite e Henrique Granadeiro a propósito do abortado negócio entre a PT e a Media Capital. É bom não esquecermos que nenhum dos partidos do «arco do poder» está isento de culpas quando acusa o outro de controlar os media uma vez no Governo, e também é bom que se saiba que o Governo, seja ele qual for, meteu o nariz onde não devia e com que intenção. Com certeza que nada disto desvaloriza a aparente tentativa do Governo de Sócrates em controlar a linha editorial da TVI, mas convenhamos que nem o PS nem o PSD têm autoridade moral para acusar quem quer que seja.

1.7.09

MEDIA. Passado o episódio Portugal Telecom/Media Capital, a propósito do qual já foi dito o que havia a dizer, há que dizer que a concentração dos media em meia dúzia de empresas não interessa a ninguém. Tirando as empresas do sector, a concentração dos media não interessa aos consumidores (leitores, ouvintes, telespectadores), não interessa ao jornalismo, não interessa à democracia. A concretizar-se a compra da Media Capital pela Cofina (vale a pena lembrar que a Cofina ainda há dias fez saber que está interessada na Media Capital), talvez seja pior que o controlo da Media Capital pela PT, mesmo sabendo-se o que significa o controlo da Media Capital pela PT. Os media portugueses já estão concentrados em demasia, e um negócio do género Cofina/Media Capital ainda traria mais concentração. Independentemente de quem está no poder (hoje um, amanhã outro), não hesitaria em escolher a PT como «patrão» da Media Capital caso fosse obrigado a escolher, embora o ideal seria que as coisas continuem como estão.

COMO É? O PS tem razões para se queixar à ERC do novo programa de Pacheco Pereira?

30.6.09

«Teixeira de Pascoaes? Pois sim... Pois sim...», diz o cretino que sempre aparece ao nosso lado, como um anão saltitante, quando a morte dum grande poeta ou de qualquer outro «anormal» nos dá, em bloco, todas as razões de o amarmos sem reservar sentimentos, sem aguardar cautelosamente que tudo seja dito para tomarmos partido, para assumirmos a atitude «conveniente», o ponto de vista «a ter», o gosto a exibir...

«Pois sim... Pois sim...»
, como se fosse possível meter o poeta do Regresso ao Paraíso num encolher de ombros ou num arroto de despeito... (E eu pensava, com aquele extremo cansaço, aquela imensa vontade de desistir que nos assalta quando topamos com certos «especialistas» de poesia: «Talvez não arrotes o mesmo quando chegares à minha idade...»).

«Pois sim... Pois sim...»
, como se fosse possível reduzir o poeta a uma «filosofia», arrumar em quatro palavras Teixeira de Pascoaes, momento da nossa poesia, mastro desse barco de loucos que é a nossa poesia portuguesa!

«Pois sim... Pois sim...»
, como se fosse possível a mediocridade fazer os gigantes por moinhos, os grandes poetas por moinhos de palavras....

Alexandre O’Neill, Recordação precipitada de Teixeira de Pascoaes publicada no volume Já cá não está quem falou

BENFICA (4). Se a recandidatura de Luís Filipe Vieira à presidência do Benfica viola os estatutos do clube, como garante Bruno Carvalho, por que resolveu ele candidatar-se a umas eleições que, a ser verdade o que diz, são uma fraude? Acaso passarão a não ser se ele as ganhar?

26.6.09

i. Além de outros defeitos, parece-me evidente que o novo diário (o i) cometeu um erro de palmatória: é difícil grafar o nome do jornal sempre que dele se pretende falar sem que o leitor tropece como se tropeçasse numa gralha. Grafado entre aspas, ainda vá. Mas sem aspas, como hoje em dia é usual fazer-se, dificilmente poderia ser pior. Para quem nasceu habituado a ver a internet como um bem quase tão importante como a electricidade, parece-me um erro básico. Isto para já não falar do conteúdo, ou mesmo da forma como ele é apresentado, que não acrescentam uma vírgula ao que já existia.

25.6.09

BENFICA (3). Nada contra um candidato que é sócio do Benfica há cinco anos, desde que não haja impedimento legal. Mas não deixa de ser curioso que um candidato à presidência do Benfica seja sócio, apenas, há cinco anos. Não acredito em conspirações, como já ouvi quem insinuasse. Mas uma coisa é por demais evidente: a presidência do Benfica é um lugar apetecível, seja o candidato «muito» ou «pouco» benfiquista. Certamente que a generalidade dos sócios ficariam mais descansados com um candidato que não fosse um «recém-chegado», embora os que fazem parte da mobília não garantam, por si só, que as coisas corram melhor, como se tem visto. É que um «recém-chegado» pode dar a ideia de que se tornou sócio com o fim único e exclusivo de se tornar presidente de um clube importante, cujas vantagens me parecem tão óbvias que nem vale a pena enunciar. Não é uma insinuação: é uma possibilidade.

BENFICA (2). Têm acompanhado o circo à volta das eleições no Benfica? Se não têm, desistam de perceber o que lá se passa. É que são tantas as trapalhadas, e tão maus os candidatos (e os candidatos a candidatos), que as coisas prometem piorar. Bem sei que é difícil piorar, mas não será por falta de empenho dos candidatos.

INTERNET. Proibir a pornografia é sempre o primeiro passo para se proibirem outras coisas.

24.6.09

LOURAS. É impressão minha, ou andam para aí a citar o «insulto» de Menezes sem terem lido a entrevista onde ele foi proferido? É que Menezes não disse que «Pacheco Pereira é a loura do PSD», mas que «Pacheco Pereira é a loura do regime». Faz alguma diferença, não faz?

BERARDO. Está à espera de quê para apresentar as provas?

23.6.09

PACHECO PEREIRA. Confesso que não estou a ver o que levou Pacheco Pereira a proibir a publicação da entrevista por ele concedida ao i após o mesmo jornal tem destacado, em manchete, uma frase de Luís Filipe Menezes que dizia sobre o seu adversário de estimação: «Pacheco Pereira é a loura do regime.» A declaração de Menezes roça o mau gosto e o destaque do jornal pode, quando muito, ser pouco elegante, mas a reacção de Pacheco é um exagero. Diria mais: é incompreensível. Pacheco Pereira conhece bem a lógica dos media para saber que, a haver destaque para a entrevista a Menezes, só podia ser aquele. Razões de queixa, sinceramente, só das louras, que só não reagiram provavelmente por serem mais interessantes que o retrato que Menezes faz delas.

IRÃO. A história é velha e por todos conhecida, mas ainda há quem insista: quando as coisas não correm bem na paróquia, a culpa é dos de fora. Desconfio, porém, que o efeito que se pretende será nulo. Chávez passa a vida a «descobrir» conspirações para o eliminar, evidentemente lideradas pelos americanos. Repararam que já ninguém se dá à maçada de produzir o mais leve comentário sobre tão graves acusações?

22.6.09

BENFICA (1). Bruno Carvalho, candidato à presidência do Benfica, garante que a gestão de Luís Filipe Vieira já vai num passivo de 70 milhões de euros. Garante mais o empresário: correrá com Jorge Jesus caso seja eleito presidente dos «encarnados», porque tem um treinador «para todo o mandato» (Carlos Azenha), que naturalmente considera melhor. Perante isto, apetece-me, desde já, perguntar: que credibilidade merece um sujeito que ameaça correr com um treinador acabado de contratar? Ou Bruno Carvalho é um demagogo (o mais provável), ou Bruno Carvalho é um irresponsável (o que eu não acredito). Quanto custaria ao Benfica despedir Jorge Jesus daqui a duas semanas? Estará ele disposto a pagar do bolso dele as consequências do seu despedimento? Se não está, para quem iria sobrar a factura? Bem sei que o candidato já admite manter Jesus caso o novo técnico «se enquadre no projecto» por si liderado, isto é, já admite fazer precisamente o contrário do que prometeu ainda há dois dias. Mas isso só demonstra que o cavalheiro não é de fiar, pois ninguém acredita que se mude radicalmente de ideias de um dia para o outro. Para uma candidatura que conta com os serviços de uma empresa de comunicação que esteve ligada à vitória de Florentino no Real, como se diz por aí, o mínimo que se pode dizer é que Bruno Carvalho está mal aconselhado.

PALPITES. Pode ser que me engane, mas a transferência de Ronaldo para o Real vai ser um fiasco em termos desportivos. Um clube que aposta mais no sucesso financeiro que no sucesso desportivo, como o próprio presidente madrileno admite, não pode ser grande futuro para um jovem que ainda tem potencial para evoluir e muito para dar. O prestígio e os milhões cegam qualquer um, mas não me parece que foi essa a primeira razão que levou Ronaldo a mudar-se para Espanha. A confirmar-se o palpite, espero, sinceramente, que me engane. Por ele, e pelo futebol português, que não deixará de se ressentir, por exemplo, na selecção de Queiroz.

19.6.09

HUMILDADE, DIZ ELE. A autocrítica é um exercício saudável, e uma prática muito recomendável. Mas quando ela é feita por mera estratégia e sem um pingo de sinceridade, pode resultar no contrário do que pretende. Ou muito me engano, ou a «nova estratégia» de Sócrates é um caso em que a emenda é pior que o soneto. É que os eleitores perceberão que tão drástica e repentina mudança só pode trazer água no bico.

ELISA. Já sabíamos que Elisa Ferreira tencionava ir ao Parlamento Europeu assinar o ponto e voltar, mas hoje ficamos a saber que o Parlamento Europeu é, para ela, um «trampolim inconfessável». As coisas que se aprendem com os pantomineiros.

18.6.09

BEM PREGA FREI TOMÁS. Depois de Ana Gomes e Elisa Ferreira, que tencionam abandonar o Parlamento Europeu caso sejam eleitas para as câmaras de Sintra e do Porto e cuja revelação lhes valeu críticas do cabeça de lista social-democrata ao mesmo Parlamento Europeu (Paulo Rangel chamou-lhes «candidatas fantasma»), eis que o mesmo Rangel admite abandonar o PE caso o PSD vença as próximas legislativas. Bem sei que a lei não proíbe manobras destas, mas o expediente não deixará de ser visto como, em meu entender, deve ser visto: uma aldrabice pura e simples. É por estas e outras como estas que os portugueses cada vez votam menos, e que os partidos extremistas vão conquistando mais espaço.

16.6.09

EUROPEIAS. Assente a poeira, só mais uma coisa acerca das Europeias. Parafraseando um respeitado treinador do Benfica (Mário Wilson dizia que um treinador do Benfica se arrisca a ser campeão), Manuela Ferreira Leite arrisca-se a ganhar as próximas Legislativas. Não que a vitória nas Europeias me convença por aí além, mas porque há sempre a possibilidade de os figos caírem de maduros. Manuela não deixou de ter os defeitos que lhe apontam com a vitória nas Europeias, e só por cortesia ou politiquice se diz que a vitória se deveu a ela. Não basta dizer que Manuela venceu apesar da má imagem, de não ter jeito para o cargo que desempenha, ou de se calar quando não devia. Por mais respeitáveis que sejam, as opiniões não mudam os factos.

15.6.09

CHOCANTE. Difícil escrever sobre o que vi no Metropolitan de Francis Bacon sem lançar mão da enciclopédia ou socorrer-me do lugar-comum. Direi, por junto, que nunca uma obra me causou tanto desconforto, e não digo pouco. Fosse eu menos ignorante na obra do pintor irlandês, estivesse eu um pouco mais informado acerca do que ia ver, e jamais teria visto a retrospectiva do Metropolitan. Definitivamente que prefiro o que me reconcilie com o mundo, e dificilmente ainda haverá algo que me choque por boas razões. Valeu-me que não fui ao museu por causa de Bacon, mas por quase tudo o que lá está, que sempre vejo como se fosse a primeira vez.

MUITO BOM. A seguir com atenção O Diário de Encólpio, do Filipe Nunes Vicente, que já vai no quinto post. (Os restantes estão aqui, aqui, aqui e aqui.)

CANCRO. As pessoas que têm cancro estão num estado de fragilidade tal que me parece excessivo esperar que se comportem de forma razoável. Não tem, por isso, razão o que diz João Pereira Coutinho.

11.6.09

RONALDO. Qual é o problema de Ronaldo ganhar milhões a dar pontapés na bola? Querem que ele cite Camões quando abre a boca? E que defeito terá quem gosta de o ver nos relvados fintando os adversários? Será intelectualmente menos capaz? Por que é que o futebol há-de ser visto como um concorrente (ou inimigo) das actividades ditas do espírito? Não há pachorra para tanto preconceito (e ressentimento) contra o futebol e seus artistas.

HAJA DECORO. Não fosse o caso ser demasiado sério para ser tratado como uma mera brincadeira, seria risível. Que autoridade tem um partido político, no caso o PSD Madeira, para exigir à ERC que averigúe «do pluralismo e do rigor», da «isenção e independência da informação», da «protecção dos direitos, liberdades e garantias pessoais» da RTP e RDP locais, bem como o Estatuto Editorial do DN da Madeira por alegadamente estar a ter um modo de actuar igual ao PC, quando o governo chefiado pelo seu próprio partido possui um pasquim onde põe e dispõe? É só falta de vergonha, ou esta gente chegou a um ponto em que, como diria Eça, as leis se afastam para eles passarem?

SUÍNOS. Alguém percebe o motivo que levou a Organização Mundial de Saúde a «decretar» a pandemia suína? Tirando os profissionais do ramo, provavelmente ninguém. Até ver, a única coisa que se percebe é que aumentou o clima de medo, para o qual os media, felizmente, não estão a contribuir. Não basta dizer que se trata de uma «pandemia moderada». Uma pandemia, por mais que se explique o significado, nunca será vista como uma coisa moderada.

PRAGMATISMO E VARIAÇÕES. Contrariamente ao que possa parecer, sobretudo aos que me lêem no blogue, desejo que as coisas corram bem a Obama. (O restante está no sítio do costume.)

TOMEM NOTA. À atenção dos árbitros que vão apitar os próximos jogos da selecção portuguesa de futebol: Organizador do Mundial 2010 preocupado com apuramento de Portugal

MICROSOFT. Será que os senhores que mandam na Europa não percebem que a ausência do Internet Explorer no Windows prejudica, antes de mais, os utilizadores?

Leitura muitíssimo recomendada: O populismo do Bloco de Esquerda

9.6.09

JORNALISMO SEGUNDO CINTRA TORRES. Eduardo Cintra Torres considera que um programa de jornalistas não devia condenar outro programa de jornalistas. No caso, o Clube de Jornalistas não devia condenar o Jornal Nacional de Manuela Moura Guedes. Ora, não vejo porquê. Acho, aliás, precisamente o contrário. Parece-me bem e muito saudável que os jornalistas condenem o que entendem não ser jornalismo, ou péssimo jornalismo, seja ele praticado por quem for. Não pensa assim o crítico do Público. Cintra Torres acha que o bom jornalismo é o jornalismo que é contra o Governo (contra o Governo actual, pelo menos), e o que não é contra é mau. Que os métodos utilizados por esse mesmo jornalismo sejam, ou não, correctos, é relevante caso lhe dêem jeito e insignificante se lhe estragarem a teoria, e o facto de se misturar opinião e informação é irrelevante pelo simples facto, imaginem, de que «praticamente todo o jornalismo actual é opinativo». Reparem bem na lógica de Cintra Torres: «todo o jornalismo actual é opinativo» — logo uma prática correcta, logo não merece reparo. Eis o conceito de jornalismo daquele que provavelmente será o mais influente crítico dos media portugueses, o que ajuda a explicar a porcaria que por aí se publica.

5.6.09

EUROPEIAS. Quantos portugueses acompanharão, pelos media, a campanha para as europeias? A fazer fé no espaço que lhe tem sido dado, muitíssimos. Mas eu duvido que o espaço que lhe concederam corresponda ao interesse dos leitores (e eleitores), e que a maioria dos portugueses saiba quem são os principais candidatos e as funções que desempenharão caso sejam eleitos. Uma coisa, porém, julgo saberem: alguns dos deputados que vão ser eleitos no próximo domingo não porão os pés no Parlamento Europeu caso seja eleitos (ou passarão lá tão pouco tempo que será como não tivessem sido escolhidos para lá estar), à semelhança do que sucede com a Assembleia da República, onde grande parte dos eleitos se esfuma mal terminam as eleições. Dir-me-ão que a lei o permite, quer num caso, quer noutro. Pois são precisamente estes expedientes legais que nos fazem desconfiar até dos mais sérios.

4.6.09

LAPSOS E MAIS LAPSOS. Primeiro, Joe Biden divulga, por lapso, o local onde Cheney se terá escondido no 11 de Setembro, como se imagina uma informação altamente secreta. Depois, a Administração Obama divulga, também por lapso, uma lista «altamente confidencial» onde se descrevem as instalações nucleares americanas e as suas actividades. Pode ser que me engane, mas estes e outros episódios demonstram a escassa importância que Obama e o seu Governo atribuem à segurança e ao terrorismo, questões cada vez mais cruciais nos dias que correm e de particular relevância quando se fala dos EUA. Claro que a Administração Obama se apressou a dizer que o lapso em nada comprometeu a segurança dos EUA. Mas quem acredita? Passará pela cabeça de alguém que o Governo iria admitir a gravidade do caso?

3.6.09

MAIS OBTUSO QUE ÓBVIO. O João Gonçalves, seguramente um dos melhores bloggers portugueses e que leio com prazer mesmo quando dele discordo, confunde alhos com bugalhos. Então o facto de Sócrates ter nascido em Vilar de Maçada e se ter tornado beirão «emprestado» é razão para achar que ele não merece confiança? Valha a verdade que João Gonçalves não está sozinho neste «raciocínio», embora só muito raramente se veja em letra de forma, e quero crer que por mera distracção.

ALEXANDRA. Como já se percebeu, «o caso Alexandra» é mais uma demonstração de que a Justiça não funciona, ou funciona mal, como se fosse preciso demonstrar o que todos estão fartos de saber. Mas o mais grave é constatar-se a inexistência de sinais que apontem para melhorias, como se estivéssemos perante uma fatalidade irremediável.

1.6.09

JORNALISMO (3). A ERC, Entidade Reguladora para a Comunicação Social, nunca me inspirou simpatia, nem o contrário. Umas vezes concordei com ela, outras vezes não, outras ainda fiquei sem saber se tinha, ou não tinha, razão. Mas a decisão que tomou sobre o controverso jornal da TVI, à qual se juntou a do Conselho Deontológico dos Jornalistas, não deixa margem para duas interpretações: o Jornal Nacional de Manuela Moura Guedes mistura factos e opinião, e isso é eticamente inaceitável. Diz o director da estação que a decisão da ERC em nada mudará os padrões que «tornaram os jornais da TVI nos serviços informativos mais procurados pelos portugueses», como se estivéssemos perante uma lógica irrefutável. Acontece que não estamos. Segundo a princípio de José Eduardo Moniz, o que é o bom é o que as pessoas querem, e o cliente tem sempre razão. Dan Brown é um excelente escritor porque vende milhões de livros, Quim Barreiros é um óptimo músico porque vende toneladas de discos, e assim por diante. O pior é que não estamos diante uma lógica puramente comercial, segundo a qual o princípio se aceitaria. O caso denunciado pela ERC configura uma violação das regras do jornalismo, e quando assim é não basta mudar de canal — ou os fogachos inconsequentes da ERC. Só mais uma coisa sobre o caso: ao contrário do que os responsáveis da TVI nos querem fazer crer (dá-lhes jeito que assim seja), as críticas ao «jornalismo» de Manuela não vêm, apenas, de organismos governamentais ou de sectores que lhe são afectos. As críticas vêm, também, dos jornalistas, apesar de poucos serem capazes de as fazerem aberta e frontalmente. E ainda mais outra: insiste-se que o problema de Manuela é o estilo, que toda a gente diz não apreciar. Ora, toda a gente vê que o estilo é uma questão de somenos. O verdadeiro problema é a substância, que o estilo, quando muito, sublinha.

28.5.09

ACORDO ORTOGRÁFICO. Só mais uma coisa acerca do acordo ortográfico: se as vantagens são tão evidentes, por que nunca se conseguiram demonstrar? Sim, disseram que o acordo iria projectar a Língua Portuguesa não sei onde nem como e outras tiradas sonantes, mas eu falo de evidências concretas. Por exemplo, como é que os falantes do espanhol, com 15 variantes*, e os falantes do inglês, com 20*, conseguem entender-se? Como é que estas línguas têm a pujança que têm sem necessitarem de acordos ortográficos? Eis um mistério que nem os mais entusiastas do acordo são capazes de explicar.
* Dados apresentados pelo linguista e filólogo António Emiliano

26.5.09

JORNALISMO (2). João Miguel Tavares escreveu que Manuela Moura Guedes pratica o «sensacionalismo» e a «ocasional falta de rigor», e que o Jornal Nacional por ela apresentado é «desequilibrado e injusto». Mais: segundo ele, Manuela despeja «demagogia por cima de todos os textos que lançam as peças» sempre com um ar de que «isto é tudo uma corja». Mas tem virtudes, segundo ele, que superam os defeitos. Por exemplo, «há ali [no JN] um desejo de incomodar» e «de denunciar». E, pormenor curioso, uma coisa «de uma enorme importância num país como Portugal»: o prazer de sabermos «de que forma é que eles [JN] vão estragar o fim-de-semana ao primeiro-ministro». Ora, escusado será dizer que o objectivo do jornalismo não é incomodar ou denunciar, muito menos estragar o fim-de-semana de quem quer que seja. Incomodar ou denunciar é, quando muito, uma consequência, nunca o objectivo (informar), e quanto ao desejo de estragar o fim-de-semana ao primeiro-ministro a psicologia explica isso muito bem explicado. Concordo, porém, quando o jornalista do DN diz que há demasiados «jornalistas que calam, que não arriscam, que se retraem com medo das consequências». Mas eu aqui incluiria, também, os que têm medo de criticar o «jornalismo» de Manuela, vá lá saber-se porquê. Imagino que já me acusam de me render ao «socratismo», ao PS, ao que for. Direi, porém, que nada disso me perturba, mas não é verdade. O princípio que me move aplica-se a todos, e não contempla excepções. Sobretudo quando se tratam de excepções que nos dão jeito, que logo procuramos minimizar ou fazer de conta que não vimos. (Ver, também, post de Rui Bebiano.)

25.5.09

JORNALISMO (1). Também eu quase sempre discordo do que diz o bastonário dos Advogados e, sobretudo, dos métodos por ele utilizados, mas nada disso me impede de lhe dar razão se achar que a tem. Também não vi o que levou Marinho Pinto a exaltar-se da forma que o vídeo documenta, e também me parece que o seu comportamento durante a entrevista à TVI não dignificou a classe que representa. Mas também vi uma coisa que, para mim, foi importante: Marinho Pinto denunciou frontalmente o «jornalismo» praticado por Manuela Moura Guedes, que só não merece condenação geral porque a fórmula por ela seguida serve os interesses de uns quantos, curiosamente alguns deles sempre na primeira linha da crítica aos media mas que no caso presente não abrem o bico. É, de facto, uma pena que não se discutam os argumentos com que Marinho Pinto vergastou o «jornalismo» de Manuela, e que o incidente se resuma a uma condenação praticamente unânime do bastonário. É que o «jornalismo» de Manuela valia, no mínimo, uma discussão, e já me começa a incomodar tanto rabinho entre as pernas.

SURREALISTA. Podem ficar descansados que já foi aberto um inquérito.