ELES ANDAM POR AÍ
Dois dias antes de o Ministério Público (MP) anunciar que o grupo neonazi 1143 se preparava para se transformar em «milícia» e «passar das palavras aos actos», eis que o líder da agremiação criminosa apela ao voto em Ventura na segunda volta das presidenciais.
Segundo o MP, o grupo, liderado por Mário Machado, a cumprir pena na cadeia de Alcoentre por incitamento ao ódio e à violência, terá mesmo efectuado treinos de combate com réplicas de armas de fogo.
Tudo isto se ficou a saber depois de uma operação da Polícia Judiciária (PJ) que esta semana deteve 37 indivíduos suspeitos de pertencerem ao grupo 1143, entre os quais um sargento da Força Aérea, um agente da PSP, membros das claques de futebol Juventude Leonina e Super Dragões, e pelo menos cinco militantes Chega.
Segundo o MP, o 1143, até agora o único grupo de extrema-direita que apelou ao voto em Ventura, planeava pelo menos duas acções violentas contra a comunidade muçulmana, nomeadamente com ofensas ao profeta Maomé, a quem chamariam pedófilo. A intenção dos sujeitos era provocar reacções violentas dos imigrantes muçulmanos, algo mesmo à medida de Ventura.
Vale a pena lembrar que existem em Portugal pelo menos 11 grupos de extrema-direita, pelo que será de esperar que também eles, de um modo ou doutro, apelem ao voto no candidato do Chega.
Além do 1143, classificado pela PJ como organização criminosa, denominam-se Ergue-te, Reconquista, Habeas Corpus, Portugal Hammerskins, Blood & Honour, Movimento Armilar Lusitano, Nova Ordem Social, Escudo Identitário, Movimento Nacional-Sindicalista e Direita Nacional.