1 de março de 2004
Gostei do pontapé do sr. Avelino Ferreira Torres e de o ouvir dizer que voltaria a fazer o mesmo caso fosse confrontado com situação idêntica. Digo gostei porque, logo a seguir, o senhor Madaíl veio dizer que nunca imaginou que «situações destas pudessem acontecer no Portugal de 2004», e eu fiquei logo maldisposto. Porque eu prefiro um pontapé genuíno a uma indignação hipócrita.
26 de fevereiro de 2004
Francisco José Viegas resolveu arrear no carnaval à portuguesa, e eu assino por baixo. Porque o carnaval à portuguesa dos últimos anos — com desfiles por todo o lado e donzelas seminuas a desafiarem a meteorologia — mais não é que uma imitação barata do carnaval brasileiro. Basta olhar com um pouco de atenção para se perceber que aquilo é uma mentira pegada. Não se vê espontaneidade, não se vê alegria genuína, não se vê nada que se aproveite.
25 de fevereiro de 2004
Há séculos que não ouvia tantos efectivamente seguidos. Hoje, durante o intervalo do Porto-Manchester, um tal prof. Hernani Gonçalves deu um festival que só visto (ou ouvido, já que foi na TSF). Ele era efectivamente para cá e para lá que até metia dó. Como não lhe bastassem os lugares-comuns, os disparates e as piadas de mau gosto. Valeu que o Porto ganhou e fez boa figura.
24 de fevereiro de 2004
A Ana Albergaria escreveu um texto magnífico no "Crónicas Matinais". Como não sei fazer o "link" directo, o texto em causa chama-se "Técnicas de Sedução".
Vital Moreira acha que «é totalmente disparatado afirmar que a condenação da política israelita em relação aos palestinianos releva de qualquer forma de antijudaísmo ou de anti-semitismo». Não passa de um «deliberado estratagema para tentar ocultar a repressão e a negação dos direitos dos palestinianos» com o objectivo de «inibir e condicionar as críticas a Israel», diz ele. Ora, isto é meia verdade. Em primeiro lugar, porque todos sabemos que há muita gente que é contra os judeus, independentemente da questão palestiniana. Eu, por exemplo, conheço várias pessoas que odeiam os judeus. Depois, porque se tornou claro que os palestinianos querem varrer Israel do mapa. E não é preciso ser judeu para ver esta evidência. Um mínimo de imparcialidade e distanciamento bastam.
23 de fevereiro de 2004
Falta pouco mais de um mês para o lançamento do "Ensaio Sobre a Lucidez". O tal livro que, segundo o autor, vai causar «um escândalo dos diabos», ainda maior que "O Evangelho Segundo Jesus Cristo". Ora, por causa do tal «escândalo», ofereceram-me o "Evangelho" mal ele foi editado, e sabe deus como o tentei ler. Hoje fui ver onde o deixei encalhado e se mantenho a mesma opinião. Lidos os dois primeiros períodos, acho que piorou. Ora vejam:
«O sol mostra-se num dos cantos superiores do rectângulo, o que se encontra à esquerda de quem olha, representando, o astro-rei, uma cabeça de homem donde jorram raios de luz e sinuosas labaredas, tal uma rosa-dos-ventos indecisa sobre a direcção dos lugares para onde quer apontar, e essa cabeça tem um rosto que chora, crispado de uma dor que não remite, lançando pela boca aberta um grito que não poderemos ouvir, pois nenhuma destas coisas é real, o que temos diante de nós é papel e tinta, mais nada. Por baixo do sol vemos um homem nu atado a um tronco de árvore, cingidos os rins por um pano que lhe cobre as partes a que chamamos pudendas ou vergonhosas, e os pés tem-nos assentes no que resta de um ramo lateral cortado, porém, por maior firmeza, para que não resvalem desse suporte natural, dois pregos os mantêm, cravados fundo.»
«O sol mostra-se num dos cantos superiores do rectângulo, o que se encontra à esquerda de quem olha, representando, o astro-rei, uma cabeça de homem donde jorram raios de luz e sinuosas labaredas, tal uma rosa-dos-ventos indecisa sobre a direcção dos lugares para onde quer apontar, e essa cabeça tem um rosto que chora, crispado de uma dor que não remite, lançando pela boca aberta um grito que não poderemos ouvir, pois nenhuma destas coisas é real, o que temos diante de nós é papel e tinta, mais nada. Por baixo do sol vemos um homem nu atado a um tronco de árvore, cingidos os rins por um pano que lhe cobre as partes a que chamamos pudendas ou vergonhosas, e os pés tem-nos assentes no que resta de um ramo lateral cortado, porém, por maior firmeza, para que não resvalem desse suporte natural, dois pregos os mantêm, cravados fundo.»
20 de fevereiro de 2004
Miguel Sousa Tavares acha que Santana Lopes não tem currículo, «competência, estatuto e mérito para se tornar Presidente da República». Que nunca teve «qualquer sombra de ideia, de projecto, de pensamento político próprio». E que, se for Presidente da República, vai «ter vergonha de ser português». Mas, depois, contradiz-se. Santana Lopes «tem qualidades humanas» raras no meio, que «merecem respeito e solidariedade». A «forma politicamente incorrecta como ele [Santana Lopes] gere a sua vida privada», a «fidelidade que tem para com os amigos» e a «maneira como não se deixa conduzir por um código de conduta virtuoso que qualquer assessor de imagem lhe recomendaria» merecem, igualmente, realce. Quanto ao currículo, que começou por dizer que não tinha, o candidato presidencial tem-no e não é pequeno: «Desde que eu me lembro de seguir a política portuguesa Santana Lopes esteve lá sempre. Trabalhou com Sá Carneiro, com Balsemão, com Cavaco, com Barroso. Foi deputado no Parlamento e deputado em Bruxelas, secretário de Estado e autarca, presidente do Sporting e vice-presidente do PSD, figura incontornável em todos os congressos do partido, a favor, contra e novamente a favor da aliança com o CDS/PP, detentor crónico de tribunas em todos os meios de informação em acumulação com os cargos políticos, enfim, juntamente com Mário Soares, talvez a figura mais presente na política portuguesa dos últimos trinta anos». Eu não quero dar a ideia que estou a embirrar sistematicamente com Miguel Sousa Tavares, embora tenha embirrado bastante ultimamente. Até porque, como ele, também não simpatizo com Santana Lopes. Só que a prosa contra Santana foi um tiro no pé, pois MST começou por dizer uma coisa e terminou a dizer o contrário.
19 de fevereiro de 2004
Finalmente fora do júri. Após quatro dias de incontáveis esperas e intermináveis secas, a defesa resolveu dispensar-me. Nem cheguei a saber qual era o assunto do julgamento, mas pareceu-me um caso bicudo. A juíza explicou-nos que se tratava de uma teoria da conspiração, mas não entrou em detalhes. Não sei porque fui dispensado, nem quero saber. O que importa é que já não vou decidir quem é culpado ou inocente.
«A três meses das eleições europeias, discutem-se as eleições presidenciais de 2006. Não há problema, também quando forem as europeias vai-se discutir futebol.» Assim começa a crónica de Pacheco Pereira, no "Público" de hoje, onde arrasa Santana Lopes. Vale a pena ler.
17 de fevereiro de 2004
Se bem me lembro, Manuel Maria Carrilho foi protagonista de um dos mais mediáticos casamentos dos últimos anos. Lembro-me perfeitamente de ter visto fotografias do acontecimento na imprensa do coração e fora dela, e também me lembro de assistir a uma guerra intestina por causa da publicação de pormenores mais ou menos escabrosos sobre a vida de uma das partes. Ora, isso chegou e sobrou para se ficar com a ideia de que Manuel Maria Carrilho se presta a telenovelas mexicanas — ou pior. De modo que o mais recente episódio — envolvendo o deputado e um fotógrafo de uma revista cor-de-rosa — não pode deixar de ser visto à luz disso mesmo.
16 de fevereiro de 2004
Um dia destes tentaram subornar-me com um garrafão de vinho «feito lá em casa». Foi um casal de avós, que gostaria de ver publicada uma determinada notícia acerca da neta. A notícia saiu no jornal, mas o garrafão continua «lá em casa». Isto fez-me pensar na natureza da corrupção e chegar a uma conclusão preliminar: da palmada nas costas ao garrafão de vinho, passando por formas mais sofisticadas e valores mais substanciais, toda a gente corrompe e é corrompida.
13 de fevereiro de 2004
Há séculos que não via um programa de televisão com tão impressionante quantidade de lugares-comuns como o "Descobrir Portugal". Não exagero muito se disser que já não via coisa assim desde os tempos da RTP a preto-e-branco. Como se já não bastasse, o operador de câmara passa a vida a fazer uns malabarismos perfeitamente despropositados. Ele são planos inclinados; ele são planos de esguelha; ele são planos que não lembra ao diabo. Depois, o realizador (ou lá quem foi) resolveu colocar umas macaquices nas imagens, tapando metade do ecrã sem que se perceba porquê. Para cúmulo, o programa é anunciado como sendo «inovador». Mas inovador em quê? Só se for por ter transformado um documentário que podia ser interessante numa coisa intragável.
12 de fevereiro de 2004
Prometi contar como foi o meu segundo dia no tribunal, mas não devia. Porque me esqueci de que a lei me impede de divulgar o que lá se passou, o que vem mesmo a calhar. A única coisa que vos posso dizer é que fui escolhido para membro do júri e que ainda me dói o esqueleto de tanta hora sentado num banco de madeira. Duas boas razões para ficar mudo e quedo.
10 de fevereiro de 2004
Passei o dia num tribunal, para o qual fui convocado como potencial membro do júri. Depois de ter sido escolhido numa primeira fase, um advogado entendeu pedir a minha exclusão. Se tudo corresse conforme estava previsto, o julgamento — um caso que envolve um tipo acusado de atacar três mulheres — ia durar quatro dias. De modo que eu só posso agradecer a minha exclusão. Primeiro, por me ter poupado quatro dias enfiado num edifício que mete medo e num assunto que não me diz respeito. Depois, porque só me faltava que eu tivesse que decidir quem é culpado ou inocente. Infelizmente o meu caso com o tribunal não terminou aqui. Amanhã posso ser escolhido para outro caso, e ainda mais tenebroso. Fica a promessa de contar como foi.
9 de fevereiro de 2004
Já aqui lamentei a saída de Miguel Sousa Tavares da direcção da "Grande Reportagem" — mais exactamente numa crónica publicada na minha página pessoal. Hoje é a vez de lamentar a saída de Francisco José Viegas, também da "GR". No primeiro lamento, enganei-me redondamente. No segundo, o tempo dirá. Mas arrisco dizer que a saída de FJV é uma má notícia. Porque eu habituei-me a ler textos muito bem escritos na "GR", e não sei se isso vai continuar.
6 de fevereiro de 2004
Afinal, Saddam Hussein abriu os seus palácios às inspecções da ONU e cedeu a todas as «exigências dos inspectores e da Casa Branca». Como se calcula, isto faz toda a diferença na apreciação que se possa fazer acerca da intervenção militar no Iraque. E quem garante que assim tenha sido? Miguel Sousa Tavares, quem haveria de ser?
5 de fevereiro de 2004
4 de fevereiro de 2004
Andam para aí uns aldrabões — digo aldrabões porque recorrem à mentira com uma frequência e um despudor impressionantes — a tentar demonstrar que o relatório do juiz Hutton foi um embuste, pois a BBC teve um comportamento exemplar na cobertura da guerra — exemplar por ter sido ferozmente contra, bem entendido. Só que a argumentação é tão tosca que chega a ser patética, como patéticos são os argumentos dos ex-dirigentes da BBC, que não se compreende porque se demitiram achando que tinham razão. Extraordinário como os «paladinos da verdade» não se inibem de dizer que esperavam do juiz Hutton um relatório «equilibrado» — em vez de um relatório isento, como qualquer cidadão desejaria. Impressionante como se chega a tamanha cegueira.
Consta que o príncipe regente da Noruega terá dito que Portugal é banhado pelo Mediterrâneo. Segundo a "Lusa", a «gaffe» terá sido cometida durante um banquete em honra do presidente Sampaio e foi prontamente corrigida pelo porta-voz da Casa Real norueguesa, alegando que o príncipe quis dizer «às portas» do Mediterrâneo e não banhado pelo Mediterrâneo. Consultados os blogues do costume, verifico, umas horas depois, que está tudo muito calado. Imaginem que tinha sido o presidente Bush o autor de semelhante «gaffe».
3 de fevereiro de 2004
A extraordinária cabecinha do sr. Vital Moreira pariu mais uma pérola de antologia: «a interrupção da inspecção das Nações Unidas [no Iraque] e o desencadeamento precipitado da guerra não se ficou a dever a uma forte convicção de que as armas existiam, mas sim, inversamente, ao receio de se provar que elas não passavam de uma mistificação», diz ele. Ora digam lá que o homem não é um génio.
O Contra-a-Corrente publicou um belo texto sobre a cultura e a esquerda com o título "I Insist" (quem me ensina a fazer um "link" directamente para um texto?).
2 de fevereiro de 2004
A jornada de luto por Fehér e o clima de conciliação alardeado pela generalidade dos mandantes da bola terminou à pancada. Após uma semana de beijos e abraços, em que fizeram de conta que se gramavam uns aos outros, uma leve brisa bastou para que tudo ruísse com estrondo. Tendo em conta a elevadíssima dose de hipocrisia que nos foi servida a toda a hora durante uma semana inteira, eu só posso suspirar de alívio.
30 de janeiro de 2004
Daniel Oliveira acha que o relatório Hutton sobre o caso Kelly-BBC é um embuste. Porque o relatório acusa a BBC de ter mentido e iliba o primeiro-ministro britânico. E escuda-se numa sondagem para defender a sua teoria, calando o facto de a BBC já ir na terceira demissão (presidente do conselho de administração, director-geral e jornalista que elaborou a peça da discórdia) e no enésimo pedido de desculpas. Termina dizendo que «o descaramento não tem limites». Pois parece que não. Passa pela cabeça de alguém que a BBC ande a pedir desculpas a toda a hora se acha que não tem culpa? Pelos vistos passa.
Como seria de prever, o espectáculo da morte de Fehér, que as TVs transmitiram em directo e repetiram até à exaustão, causou náuseas em alguns estômagos mais sensíveis. O caso deu azo a que se voltasse a falar de autoregulação — uma peça de retórica de cuja ineficácia ninguém duvida — e se voltasse a pedir que sejam banidas das TVs cenas obscenas e de puro "voyeurismo", embora falte explicar o que são cenas obscenas e puro "voyeurismo", o que é razoável passar e o que ultrapassa os limites. Presume-se que as televisões ouviram o recado, como se presume que se borrifaram no assunto. Afinal, quem se lembra do sucedido daqui a dois ou três dias?
«A questão está em saber se [os EUA] têm ou não o direito de decidir unilateralmente o que é terrorismo e quando é que a ameaça [aos EUA] é verdadeira», diz Miguel Sousa Tavares. Ou seja, antes de pensarem em defender-se, os americanos têm que perguntar a terceiros (presume-se que à ONU) o que é terrorismo, e se esse terrorismo constitui uma verdadeira ameaça. O disparate não tem limites.
28 de janeiro de 2004
O presidente da BBC demitiu-se na sequência da divulgação do relatório sobre a morte do cientista britânico David Kelly. Tendo em conta o comportamento vergonhoso da BBC durante a intervenção anglo-americana no Iraque — fartou-se de mentir e de manipular os factos de modo a defender os seus pontos de vista —, a demissão só pecou por tardia.
27 de janeiro de 2004
Henrique Monteiro acha «necessário que o Estado seja duro e exemplar» para com os jornalistas que não honram as suas responsabilidades, nomeadamente com os «maus editores que mandam em jornalistas inexperientes, ignorantes ou com situações laborais periclitantes». Eduardo Cintra Torres, citando um sociólogo alemão, acha que «a imprensa é livre, mas os jornalistas não». João Miguel Tavares lembra que «não há manchetes grátis», e que «o grande problema da comunicação social portuguesa não é o excesso de poder dos jornalistas, mas o excesso de poder das fontes». Nada mau para um início de autocrítica.
26 de janeiro de 2004
23 de janeiro de 2004
Quando nada há para dizer, mais vale ficar calado. Ou, então, recomendar quem tem algo para dizer, como Luís Fernando Verissimo, que escreveu este texto notável.
21 de janeiro de 2004
Francisco José Viegas escreveu uma crónica no "JN" de se lhe tirar o chapéu. Óscar Mascarenhas tem um blogue onde a excelência da prosa e a pertinência do que lá abordou são altamente recomendáveis. Carlos Vaz Marques regressou à blogosfera, agora em nova morada. Três boas notícias, três vozes que vale a pena ouvir.
20 de janeiro de 2004
Parece que os "Repórteres Sem Fronteiras" (RSF) concluíram, como base em não sei o quê, que os americanos cometeram um «duplo homicídio» ao dispararem contra o Hotel Palestina, que resultou na morte de dois jornalistas. Mais: os "Repórteres Sem Fronteiras" consideram uma «mentira de Estado» a explicação das autoridades americanas, que alegaram ter disparado em legítima defesa. Ora, se bem me lembro, o Hotel Palestina servia de abrigo a membros afectos ao regime de Saddam, como a televisão demonstrou. Lembro-me perfeitamente de ter visto imagens da família de destacados membros do regime refugiada dentro do Hotel Palestina quando a tropa americana lá entrou, e penso não estar a delirar. Quer isto dizer que tese dos americanos é, pelo menos, verosímil, até porque é razoável admitir-se que os membros do regime que lá se encontravam estavam armados. Já a tese dos "Repórteres Sem Fronteiras" — que acusa os americanos de homicídio e mentira de estado sem apresentarem a mais leve prova — não tem ponta por onde se lhe pegue.
19 de janeiro de 2004
Não sou um amante de fado, embirro com os maneirismos que o rodeiam e, de modo geral, não simpatizo com os fadistas. Foi isto o que tentei dizer na crónica que acabei de colocar na minha página pessoal.
16 de janeiro de 2004
Miguel Sousa Tavares, que não se tem cansado de demonstrar que não tem quaisquer problemas em transformar suposições em factos e factos em suposições (ou mesmo a mentira em verdade e a verdade em mentira), resolveu dar largas ao seu ódio de estimação: o presidente George W. Bush e sua administração. E que disse MST? O que já tinha dito variadíssimas vezes: que Bush «só conseguiu ser eleito graças a uma batota eleitoral»; que Bush fugiu no dia 11 de Setembro; que a resposta ao 11 de Setembro devia ter sido política e não militar; que basta olhar para a cara de Bush para se perceber que o homem é estúpido. Enfim, nada que não tenha sido dito e repetido em qualquer conversa de taberna. Acontece que MST não ignora que, sobre a suposta «batota eleitoral», ter-se-ia dito a mesmíssima coisa caso tivesse ganho Al Gore, pelo é pouco rigoroso (e sério) envolver Bush num caso de fraude eleitoral. MST também não ignora que a suposta fuga de Bush no 11 de Setembro não passou de uma mentira, e que a resposta política em vez de militar é uma daquelas coisas que se deitam da boca para fora por tudo e por nada sempre que não se tem a mínima ideia acerca do que fazer. Por último, a famosa estupidez e ignorância do presidente Bush, que MST tanto gosta de salientar, é capaz de ser um juízo tão ligeiro que nem o próprio Bush se atreveria a fazer, apesar da sua infinita ignorância. Além de que um juízo desta natureza pressupõe uma superioridade intelectual que MST está longe de ter demonstrado.
15 de janeiro de 2004
Chova ou troveje, há meia dúzia de coisas que não dispenso de fazer semanalmente. Uma delas é ler as crónicas de Art Buchwald e Jon Carroll, apesar de quase sempre discordar dos seus pontos de vista no que à política diz respeito.
14 de janeiro de 2004
O dr. Manuel Pinto Coelho acha que «é um erro grosseiro» ter «uma atitude mais tolerante em relação às drogas». Diz ele que «terminar com a proibição tornaria o problema ainda pior», pois a liberalização conduziria a «um aumento de consumo». E está convencido de que «mesmo que as drogas fossem legais as pessoas ainda roubariam e se prostituiriam para as pagar», porque «continuariam a necessitar de dinheiro para alimentar o seu vício». Finalmente, que é possível uma sociedade livre de drogas. Ora, vindo isto de um senhor que diz ter gasto vinte anos da sua vida a acompanhar toxicodependentes, não podia passar sem comentário. Em primeiro lugar, onde foi ele buscar a ideia de que a liberalização da droga conduziria a um aumento de consumo? Tem números que o comprovem ou é uma mera suposição? Depois, não será razoável esperar-se uma diminuição drástica do roubo e prostituição associado ao consumo de droga caso ela seja legal? Sim, porque parece não haver dúvidas de que a droga baixaria drasticamente de preço caso fosse legal. Por último, o dr. Pinto Coelho acha que é possível uma sociedade sem drogas. Será um mero desejo ou estrá mesmo convencido disso? Se está, não há dúvida de que o dr. é um lírico.
13 de janeiro de 2004
Consta que a BBC vai transmitir os célebres «4 minutos e 33» de John Cage, uma das obras-primas do compositor norte-americano cuja principal característica é o silêncio total. Mais: a obra vai ser interpretada por uma orquestra sinfónica. Ora, não estando eu em condições de discutir a obra (nunca ouvi) e não percebendo como ela possa ser tocada por uma orquestra sinfónica, parece-me que a transmissão de quatro minutos e tal de silêncio é, por si só, uma boa notícia. Digo mais: é uma excelente notícia. Porque faz bem escutar o silêncio e, sobretudo, praticar o silêncio. Quem já escutou o silêncio sabe do que falo. Quem nunca escutou, aproveite agora.
12 de janeiro de 2004
Se tudo estiver a correr como eu espero, atravessam o Atlântico neste preciso momento "Fantasia Para Dois Coronéis e uma Piscina" (Mário de Carvalho), "Às Avessas" (Vasco Pulido Valente), "Porto-Sudão" e "A Invenção do Mundo" (Olivier Rolin), "O Pintor de Retratos" (Luiz Antonio de Assis Brasil) e "O Fascínio" (Tabajara Ruas). Quatro euros mais caros por unidade devido ao transporte, mas que se há-de fazer. São os custos da exterioridade.
9 de janeiro de 2004
O "Expresso" é o jornal mais odiado pela «inteligência» — e, provavelmente, o mais lido. Falar mal do "Expresso" — e também eu já falei mal do "Expresso" — fica bem no currículo de qualquer um. Desconfio, contudo, que este falar mal é mais uma moda que outra coisa. Ou, então, deve-se à portuguesíssima dor de corno. A transferência de João Pereira Coutinho foi, desta vez, o pretexto. Pretexto, também, para arrearem em Pereira Coutinho, em parte também por dor de corno. Está visto que esta gente anda necessitada de ler o livro do arquitecto Saraiva.
Miguel Sousa Tavares insiste em fazer de conta que as pessoas são estúpidas. De uma penada, isenta de culpas a comunicação social no processo Casa Pia — como se ele não soubesse que a comunicação social não está isenta de culpas. Depois, diz que há uma campanha da Justiça destinada a punir os notáveis, nomeadamente os notáveis do PS. Razão para se interrogar: «Quantos implicados anónimos estarão a escapar incólumes por cada notável que (...) se pretende implicar?» Ou seja, Miguel Sousa Tavares pretende fazer passar a ideia de que a implicação de cidadãos anónimos ou de notáveis é a mesmíssima coisa, e que a hipotética condenação de uns ou outros têm o mesmo efeito dissuasor. Acontece que não é assim, como Miguel sabe bem que não é.
8 de janeiro de 2004
Um pouco de frieza e lucidez — tão arredados dos meios políticos e jornalísticos nos últimos dias — são sempre recomendáveis. Por isso saúdo a crónica de Pacheco Pereira no "Público" de hoje, depois acrescentada no Abrupto. O ilustre comentador chamou a atenção para duas ou três coisas essenciais que a gritaria tem impedido de ouvir e desfez um aparente (e estranho) consenso à volta do processo Casa Pia. Tudo com base nos factos, como mandam as regras.
7 de janeiro de 2004
Os políticos acusam os jornalistas de serem os principais culpados pelo actual clima que rodeia o processo Casa Pia. Precisamente os mesmos políticos que usam os jornalistas para criar climas semelhantes sempre que isso lhes convém, e que não hesitam em lançar nomes na lama caso seja preciso. Ora, para começar, a quem interessa esta gritaria? Às televisões e aos jornais? Sem dúvida nenhuma. Mas é só às televisões e aos jornais? Evidentemente que não é. Ela interessa a uma cada vez mais evidente estratégia destinada a descredibilizar todo o processo, e que há-de levar a que algumas das vítimas se transformem em culpados.
Vicente Jorge Silva escreveu uma carta à dra. Ana Gomes pedindo-lhe para não se calar. E era preciso?
6 de janeiro de 2004
À crítica musical devo o meu interesse pela música. Mesmo aos críticos com quem nunca estive de acordo, que me obrigaram a reexaminar os meus gostos e acabaram por reforçar as minhas convicções. À crítica musical devo, ainda, a evolução dos meus gostos para outras músicas, nomeadamente para o jazz e para a chamada música clássica, neste caso por ignorá-la. De tanto ouvir os críticos, cheguei a um ponto em que estava tão cheio de preconceitos que quase não conseguia fruir a música livremente. Ouvir música quase deixou de ser um prazer lúdico para ser um mero exercício, interessante ao princípio mas cansativo depois. Hoje não leio uma crítica musical e não mexo uma palha para saber o que estou a ouvir. Assim me sinto inteiramente livre para fruir o que ouço, e estou-me nas tintas que os especialistas o considerem bom ou mau. Vem isto a propósito de Mary Black e Eva Cassidy, que estive a ouvir esta manhã e recomendo vivamente. Sei quase nada de cada uma delas, excepto que são duas vozes que não me canso de ouvir.
5 de janeiro de 2004
As reacções à comunicação ao país de Jorge Sampaio vão todas no mesmo sentido. Isto é, toda a gente a achou oportuna e concordou com o conteúdo. Não querendo ser um desmancha-prazeres, eu achei a intervenção despropositada. Como, aliás, achei despropositada a primeira intervenção de Sampaio sobre o mesmo assunto. Além de não ter percebido muito bem o que ele disse, tantas foram as que deu no cravo como as que deu na ferradura. Mas deve ser deficiência minha.
Enjoado com os balanços do ano que findou e com as últimas peripécias da Justiça? Então leia esta pérola de Luís Fernando Verissimo.
O Fumaças colocou o Esmaltes e Jóias na lista dos 15 melhores blogues portugueses do ano que findou. Quer isto dizer que o Fumaças é uma pessoa de bom-gosto, embora eu nunca tivesse duvidado. O mais curioso é que eu não conheço nem metade dos nomes por ele escolhidos, o que talvez signifique uma escolha politicamente incorrecta. Seja lá como for, gostei de aparecer na lista.
30 de dezembro de 2003
O presidente da Líbia decidiu renunciar ao desenvolvimento de armas de destruição maciça. Independentemente das contrapartidas que terão havido das partes envolvidas no acordo (EUA, Inglaterra e Líbia), parece-me evidente que se trata de uma boa notícia. Estranho, por isso, o silêncio dos «pacifistas», que tanto têm feito pela paz do mundo e arredores. Ou, pensando melhor, talvez não. Afinal, este acordo deixou à vista uma evidência: não foi com acções pacifistas e boas intenções que o senhor Kadhafi tomou a decisão que tomou, e tudo leva a crer que a invasão do Iraque pela tropa americana e inglesa pesou na decisão do presidente libanês. As coisas são o que são, e contra factos não há argumentos.
29 de dezembro de 2003
O Esmaltes e Jóias termina o ano com uma média de vinte e poucas visitas diárias. Sim, vinte e poucas visitas diárias. Não vou chamar ingratos aos leitores — até porque os não tenho. Mas não nego que ficaria mais satisfeito se fossem 2 000. Ou 20 000. Ou 100 000. Bem vistas as coisas, não tenho razões para me queixar. Muito menos para deixar de aqui vir dizer o que me apetece, quando me apetece. Olhando para trás, não tenho dúvidas de que valeu a pena. Porque o objectivo continua a ser o prazer da escrita — e, às vezes, o prazer das ideias. Sem dúvida que ser lido é um prazer. Mas, neste caso, um prazer que vem por acréscimo.
22 de dezembro de 2003
Não dou grande importância a efemérides. Mas, por regra, os jornais dão. E não me lembro de ver um jornal português, sobretudo os jornais de «referência», falar no aniversário do nascimento de Alexandre O'Neill, a 19 de Dezembro. O'Neill é um poeta a que volto sempre, mais tarde ou mais cedo, a propósito de tudo e de nada. Para me deliciar com versos assim:
(...)
Virilhas colaborando com parêntesis ou cedilhas
são autênticas (e sem hálito) maravirilhas.
Quando muito alguns pingos nos refegos, nas braguilhas,
amoniacal bafor que suporta sem dor
aquele que está ao rés de tal teor.
(...)
Ou assim:
No gesto suspensivo de um sobreiro,
o enforcado.
Badalo que ninguém ouve,
espantalho que ninguém vê,
suas botas recusam o chão que o rejeitou.
Dele sobra o cajado.
(...)
Virilhas colaborando com parêntesis ou cedilhas
são autênticas (e sem hálito) maravirilhas.
Quando muito alguns pingos nos refegos, nas braguilhas,
amoniacal bafor que suporta sem dor
aquele que está ao rés de tal teor.
(...)
Ou assim:
No gesto suspensivo de um sobreiro,
o enforcado.
Badalo que ninguém ouve,
espantalho que ninguém vê,
suas botas recusam o chão que o rejeitou.
Dele sobra o cajado.
19 de dezembro de 2003
Parece que o discurso do presidente Chirac — a favor de uma lei que proíbe, nas escolas e noutros estabelecimentos públicos, a utilização da burka e outros símbolos religiosos considerados «ostensivos» — pôs, em França, toda a gente de acordo. Ou melhor: pôs quase toda a gente de acordo, porque os muçulmanos ficaram furiosos. Muito sinceramente, espero e desejo que a coisa resulte. Mas tenho dúvidas, muitas dúvidas. Compreende-se e aplaude-se o combate ao fundamentalismo, seja ele islâmico ou doutra natureza. Mas receio que as medidas que os franceses se preparam para tomar produzam resultados inversos ao que pretendem. Um Estado laico e que se diz de direito não deve proibir que os seus cidadãos manifestem exteriormente a sua religião, quer se goste, quer não. A não ser que essas manifestações de religiosidade ponham em causa os direitos e liberdades dos outros, que parece não ser o caso. Sem dúvida que o assunto é controverso. Por isso mesmo acho que mais vale não legislar que legislar mal.
17 de dezembro de 2003
Ainda o Natal é uma criança e já fui obrigado a engolir dezenas de "Jingle Bells". É sempre assim todos os anos: música de Natal a toda a hora e por todo o lado, e eu não consigo fazer de conta que já é a décima vez que estou a ouvir a mesma música. Como já não bastasse este verdadeiro pesadelo, fui obrigado a assistir, na RTP Internacional, ao Natal dos Hospitais, uma verdadeira mistura de cantigas e de hipocrisia apresentada por peritos em lugares-comuns e conversas de treta. Pois é, o famoso espírito natalício — uma mistura de condescendência com doses cavalares de hipocrisia — está a deixar-me num estado miserável. E já não falo das prendas, que nesta altura do ano se dão e se recebem como se fossem uma fatalidade e nos tranquilizam as consciências o resto do ano. Sim, eu gosto do Natal. Palavra de honra que gosto do Natal. Porque o Natal me faz lembrar os natais da minha infância, quando o Natal era verdadeiro.
16 de dezembro de 2003
«A excitação pela captura de Saddam Hussein (...) não devia distrair-nos da gravidade do fracasso da Constituição europeia», diz o sr. Vital no "Público" de hoje. Ou seja, a prisão de Saddam foi um mero «fait divers». Mas, depois, lá acaba por condescender: «exige-se um tribunal internacionalmente acreditado» para julgar Saddam, que «somente as Nações Unidas podem legitimar». Sim, porque os crimes cometidos pelo ditador podem levá-lo a apanhar a pena máxima, e não é caso para tanto. Afinal, Saddam não passa de um inimigo da América.
15 de dezembro de 2003
Impossível não falar da captura de Saddam e de não ficar à beira do vómito com a onda de regozijos hipócritas (e muito mal disfarçados) que se vêem por todo o lado. Saddam foi um ditador brutal, um tirano sanguinário, um assassino. Mas é bom não esquecer que ele foi um inimigo da América. Eis, em resumo, a moral da estória para grande parte da esquerda, sobretudo da esquerda cuja única causa que se lhe conhece é ser contra a América. Como tal, não gostaram da forma como Saddam foi capturado, da forma como foi anunciada essa captura e, agora, que lhe tenham cortado as barbas. Porque, enfim, o homem merece respeito e deve ser tratado com dignidade. Como se não saltasse à vista de um cego que o verdadeiro problema desta gente é o facto de esta captura representar uma vitória da América. Preparemo-nos, pois, para ouvir estes beneméritos exigirem um «julgamento justo» para Saddam. A hipocrisia não têm limites.
11 de dezembro de 2003
Eduardo Prado Coelho garante que Jessica Lynch foi «transformada em heroína pelo Pentágono para poder fornecer um argumento para um filme». Exactamente assim: «para poder fornecer um argumento para um filme». Depois, num parágrafo mais à frente, acrescenta: «A questão está em sabermos até que ponto estes reincidentes falsificadores da realidade poderão ser os melhores defensores da verdade democrática». Ou seja, Prado Coelho não hesita em recorrer ao mesmo artifício (falsificar a realidade) para defender a sua «verdade democrática». Com o agravante de ainda nos vir dar lições de moral.
10 de dezembro de 2003
José Eduardo dos Santos foi reeleito presidente do MPLA por unanimidade e aclamação. Ou seja, foi reeleito por 100 por cento dos votos, como Saddam se gabou de ter sido. Dizem as notícias que o presidente angolano terá dito, após a reeleição (de braço no ar), que se deve valorizar a diversidade de opiniões, porque é necessário que haja «pontos de vista diferentes» de modo a surgirem «ideias ricas e válidas» capazes de se constituírem «solução dos problemas». Comovente, não é?
9 de dezembro de 2003
A ser verdadeira a notícia do "Público" de domingo — e não há razões para duvidar que não seja verdadeira —, três jornalistas da TVI suspenderam, por ordem do chefe (José Eduardo Moniz), as suas colaborações com o "24 Horas", porque a esposa do sr. Carlos Cruz terá dito àquele jornal que o seu marido teve um caso com a esposa do sr. Moniz. A estória demonstra bem até que ponto chegou a subserviência dos jornalistas nos tempos que correm, a que não será estranho o silêncio por parte da classe. Porque ninguém duvida que ceder por uma coisa destas — afinal, um mero negócio de saias de contornos duvidosos — significa ceder em tudo. E não adianta fazer de conta que nada se passou.
8 de dezembro de 2003
Afinal, para Alfredo Barroso o problema não é o sr. Bush, mas a América. Valha a verdade que não é nada que já não se soubesse, mas não há nada como o próprio a confirmá-lo. Para Alfredo Barroso, a América é «imperial», «egoísta», «solitária», «autista», «egocentrista». A América é um país onde «a violência está inscrita no quotidiano desde a sua fundação», um país fechado sobre si próprio e armado até aos dentes que quer «impor os seus padrões aos outros e a sua fé ao mundo». Quanto ao sr. Bush, a lengalenga do costume: é um cowboy, um pistoleiro, um exterminador implacável. Enfim, nada além do lugar-comum e da conversa de taverna. E depois dizem estas criaturas que nada têm contra os americanos, porque o problema deles não é a América mas o sr. Bush. Ou seja, mentem mal e porcamente e ainda nos querem tomar por parvos.
«É preferível pagar a uma das cem meninas do que a um psicólogo», diz um anónimo de Bragança ao jornalista Alfredo Mendes. Jornalista que escreveu uma peça no "Diário de Notícias" que vale a pena ler.
5 de dezembro de 2003
Portugal fez uma «estúpida colagem aos americanos quando da invasão do Iraque» e «à revelia da Europa», diz Miguel Sousa Tavares no "Público" de hoje. Ficamos, assim, a saber que a Europa não teve duas posições sobre a intervenção militar no Iraque — contra e favor —, mas uma só: contra. Impressionante a ligeireza com que MST transforma meras opiniões em factos.
4 de dezembro de 2003
«Era óptimo poder fazer omeletes sem partir ovos — só que não é possível. Por isso não deveria ser possível pedir ao mesmo tempo o fim rápido da "ocupação" do Iraque e, logo a seguir, acrescentar que as "forças ocupantes" não podem retirar-se pois tal poderia criar o caos. Só que foi precisamente o que Jorge Sampaio foi dizer à Argélia», diz José Manuel Fernandes no "Público" de hoje. Infelizmente não é só o presidente Sampaio que assim pensa e o único a defender em simultâneo uma coisa e o seu contrário. Além de que um “raciocínio” desta natureza só pode ter uma leitura: os americanos fazem sempre tudo mal. Se fazem assim, deviam fazer assado; se fazem assado, deviam fazer assim. E depois não gostam que lhes chamem anti-americanos primários.
As várias versões da história de Jessica Lynch demonstram que a verdadeira está por contar. E, como assim é, cada um conta a que mais lhe convém. Este é o tema da mais recente crónica publicada na minha página pessoal.
3 de dezembro de 2003
Tenho andado a reler as crónicas de Vasco Pulido Valente no "DN" e descobri uma que se ajusta bem aos tempos que correm. Com a devida vénia ao autor e ao "DN", aqui vai:
Unilateralismo
Para lá da hipocrisia oficial, a grande consequência política do ataque de Ben Laden à América foi levar o antiamericanismo a um novo cume. O antiamericanismo não uniu só a esquerda e a direita - uniu o mundo. Não há pateta que não se dê ao trabalho de chamar a Bush imbecil, ignorante e vácuo; e não há «teórico» que não disserte por aí sobre a malvadez do «império». A mortandade do 11 de Setembro libertou um ressentimento universal e a vítima foi promovida a carrasco.
Paradoxal? De maneira nenhuma. Há um século que a América anda a cometer erros sem nome. Resolveu a I Guerra Mundial e ditou largamente as condições de paz. Sem ela, na II Guerra, o Exército Vermelho teria chegado à Mancha. Durante trinta anos defendeu o Ocidente e uma larga parte do planeta da expansão soviética. E, no fim, ganhou, acabando com o mito do socialismo, «real» ou virtual. Pior ainda: espalhou a sua cultura popular pela terra inteira, subverteu a ética sexual com uma revolução única na história e, na ciência e tecnologia, deixou toda a gente para trás. Fora isso, é rica, forte e livre. Coisas destas não se desculpam. A «Europa» não lhe desculpa a sua decadência. Os pobres não lhe desculpam a sua pobreza. As civilizações arcaicas não lhe desculpam o seu atraso. A América acabou por se tornar no bode expiatório da miséria humana. Tirando a América não existem responsáveis: nem o Islão, nem o racismo, nem o tribalismo, nem o ódio étnico, nem os cleptocratas que governam África. Nada e ninguém. E, depois, vêm uns senhores virtuosos protestar contra o unilateralismo da política de Bush. Que esperavam eles? Que a América se entregasse à «Europa» ou à ONU para lhe atarem seguramente as mãos? E em nome de quê? De uma lei internacional imaginária ou para ganhar a simpatia de quem já a detesta?
Unilateralismo
Para lá da hipocrisia oficial, a grande consequência política do ataque de Ben Laden à América foi levar o antiamericanismo a um novo cume. O antiamericanismo não uniu só a esquerda e a direita - uniu o mundo. Não há pateta que não se dê ao trabalho de chamar a Bush imbecil, ignorante e vácuo; e não há «teórico» que não disserte por aí sobre a malvadez do «império». A mortandade do 11 de Setembro libertou um ressentimento universal e a vítima foi promovida a carrasco.
Paradoxal? De maneira nenhuma. Há um século que a América anda a cometer erros sem nome. Resolveu a I Guerra Mundial e ditou largamente as condições de paz. Sem ela, na II Guerra, o Exército Vermelho teria chegado à Mancha. Durante trinta anos defendeu o Ocidente e uma larga parte do planeta da expansão soviética. E, no fim, ganhou, acabando com o mito do socialismo, «real» ou virtual. Pior ainda: espalhou a sua cultura popular pela terra inteira, subverteu a ética sexual com uma revolução única na história e, na ciência e tecnologia, deixou toda a gente para trás. Fora isso, é rica, forte e livre. Coisas destas não se desculpam. A «Europa» não lhe desculpa a sua decadência. Os pobres não lhe desculpam a sua pobreza. As civilizações arcaicas não lhe desculpam o seu atraso. A América acabou por se tornar no bode expiatório da miséria humana. Tirando a América não existem responsáveis: nem o Islão, nem o racismo, nem o tribalismo, nem o ódio étnico, nem os cleptocratas que governam África. Nada e ninguém. E, depois, vêm uns senhores virtuosos protestar contra o unilateralismo da política de Bush. Que esperavam eles? Que a América se entregasse à «Europa» ou à ONU para lhe atarem seguramente as mãos? E em nome de quê? De uma lei internacional imaginária ou para ganhar a simpatia de quem já a detesta?
2 de dezembro de 2003
Cada vez tenho menos dúvidas de que a música — a boa música — nos reconcilia com a vida, nos torna melhores. Palestrina, por exemplo, que estou a ouvir cantado pelo coro da Catedral de Westminster, transmite uma sensação de bem-estar, de paz de espírito. «Se pudesse passava a vida a ouvir música», disse, um dia, Eduardo Lourenço, para quem a música é «como um mar de Deus».
1 de dezembro de 2003
Eu tenho dúvidas de que um escritor deva receber dinheiros do Estado para escrever, como tenho dúvidas de que um cineasta deva receber dinheiro do Estado para fazer filmes, um actor para fazer teatro, um músico para compor. Conforme os casos, às vezes sou contra, outras vezes a favor. Deverá o Estado sustentar coisas de que ninguém quer saber? Deverá o Estado sustentar aquilo que as pessoas querem ver, ouvir ou ler? Eis o eterno dilema. Parece óbvio que quem produz coisas de que ninguém quer saber não merece apoio do Estado, como parece óbvio que um criador de sucesso não precisa do Estado. Parece... mas não é. A questão é mais complicada do que o simplismo desta ideia deixa supor. Daí que eu gostaria de ver uma discussão profunda sobre isto, sem preconceitos ou ressentimentos. Aproveitando, aliás, a ideia do Abrupto, já continuada pelo Aviz.
Porque resolveu dar uma entrevista, Clara Ferreira Alves acha que o juiz Rui Teixeira deve estar calado. Porque resolveu dizer o que pensa da justiça que temos, Henrique Monteiro acha que o juiz Rui Teixeira não tem legitimidade para opinar, pela razão simples de que o cargo que ocupa não foi sufragado. Por este andar ainda vamos ver o juiz Rui Teixeira ser acusado de ter inventado o processo Casa Pia.
28 de novembro de 2003
Hilariante a estória dos nossos castelo brancos e bobones lá por terras de sua majestade publicada no "Correio da Manhã", salvo erro do último domingo, e de que só agora me dei conta. Até os erros ortográficos da prosa ajudam à festa.
27 de novembro de 2003
26 de novembro de 2003
25 de novembro de 2003
O sr. Vital Moreira continua a tentar fazer passar a ideia de que a resistência contra as «forças ocupantes» no Iraque é feita pelo povo. Face ao hipotético cenário da retirada antecipada das ditas forças, o sr. Vital acha que isso pode deixar o Iraque «à beira da fragmentação». Ou seja, primeiro defendia que a tropa devia sair imediatamente, agora acha que deve ficar. O sr. Vital reconhece, contudo, que «o terrorismo constitui uma gravíssima ameaça, tendo de ser combatido com determinação, detectando e eliminando as suas redes e neutralizando os seus apoios». Mas combatido como e por quem, sr. Vital? Com abstracções? Falinhas mansas? Alvíssaras por uma ideia concreta (e com pés e cabeça, já agora) saída da cabeça deste senhor.
24 de novembro de 2003
Foi-se a dor de dentes, ficou a tonteira dos remédios. Mesmo assim posso garantir-vos que o mundo passou a ser mais cor-de-rosa, mais tolerável. Não há nada como o alívio da dor de dentes — e não só de dentes — para nos reconciliar com o mundo, nem que seja por dois ou três dias. Não, não me converti a qualquer religião, mas quase. Mas posso garantir-vos que vi estrelas — estrelas amarelas, intermitentes, terríveis. Isto para vos dizer que tenho andado sem grande paciência para ler, e muito menos escrever. E, quando assim é, há pouco a dizer. A única coisa que me apetece fazer é chamar a atenção para a crónica de Eduardo Cintra Torres, no "Público" de hoje, onde ele decidiu fazer um mais que oportuno comentário acerca dos nossos «jornalistas enxertados». E para a crónica do dr. Prado Coelho, ainda no "Público" de hoje, onde ele diz não ter dúvidas de que os intelectuais são necessários mas manifesta uma dúvida intrigante: «como funcionam eles (os intelectuais) em tempo de "blogues"?»
19 de novembro de 2003
Como estou com uma dor de dentes capaz de trepar por uma parede acima e só me apetece insultar toda a gente, mais vale nada dizer. Só uma coisa: coloquei uma nova crónica na minha página pessoal.
18 de novembro de 2003
O senhor Vital Moreira pergunta: «Mas desde quando é que constitui terrorismo atacar forças militares de ocupação, no Iraque ou onde quer que seja?» Este senhor é um poço de sabedoria.
17 de novembro de 2003
O Terras do Nunca desencantou uma sondagem qualquer para demonstrar que George W. Bush é pior que Bin Laden. Mas não precisava. O Terras do Nunca já tinha mandado dizer isso mesmo pela mulher-a-dias, e isso bastava. Mas há uma coisa em que concordo com o Terras do Nunca (ou com a mulher-a-dias): apesar de toda a solidariedade que merecem os jornalistas portugueses recentemente em apuros no Iraque, «o envio de hordas de jornalistas portugueses para palcos de guerra» é «uma disparatada feira de vaidades».
14 de novembro de 2003
Miguel Sousa Tavares está desolado pelo facto de o contingente da GNR não ter embarcado para o Iraque um dia mais cedo do que o previsto. É que, se tem embarcado, a esta hora o dr. Barroso estaria «com uma série de cadáveres nos braços». Como assim não foi, o primeiro-ministro é «um homem de sorte». Os 128 militares portugueses no Iraque, infelizmente vivos e de boa saúde, não contam para a história de MST. Como diria o outro, são mera estatística. A cegueira não tem limites.
13 de novembro de 2003
Sempre que se fala do dr. Cunhal, lá vem a estória da coerência. Como se a coerência fosse, por si só, uma atitude que merece elogio. Não merece. Coerência pode ser, por exemplo, manter-se fiel a uma ideia em que já não se acredita. Ora, não me consta que o dr. Cunhal mantenha as mesmas ideias só para ser coerente. Assim sendo, seria bom que fosse julgado pelas ideias e não pela coerência. Até porque há quem pense que a coerência do dr. Cunhal foi manter a mesma cegueira ideológica durante anos, contra tudo e todas as evidências. Porventura uma cegueira bem-intencionada, mas uma cegueira. O que não é propriamente um elogio.
12 de novembro de 2003
O Terras do Nunca disse que não disse que «George W. Bush é pior do que a Al-Qaeda». Tem toda a razão. Na realidade, quem disse isso não foi ele mas a sua (dele) mulher-a-dias («post» com o título «A Al-Qaeda numa tarde de Lisboa»). As minhas desculpas à mulher-a-dias. Perdão, ao Terras do Nunca.
11 de novembro de 2003
A meu ver, Catalina Pestana nem sempre tem estado à altura do cargo que desempenha. Sobretudo quando fala demais e abre a boca quando não deve. Só que a provedora da Casa Pia tem dado mostras de ser uma mulher inconformada, sem medo do politicamente incorrecto, e isso merece estima. Além de ser a única voz audível a defender as principais vítimas do processo Casa Pia — as crianças. Daí que me custe aceitar os ataques ferozes de que, a espaços, é alvo na imprensa. Como este, no "Público" de hoje.
George W. Bush é pior do que a Al-Qaeda, diz o Terras do Nunca. Valha-nos os parabéns de João Pereira Coutinho ao dr. Cunhal.
10 de novembro de 2003
Tirando a manchete do "Correio da Manhã", que Ferro Rodrigues considerou uma «torpe mentira» e mais uma «patifaria», nada se passou nos últimos dias que me inspire um comentário. Nem a entrevista de Francisco Louça no "Público" de hoje, onde este acusa Bagão Félix de perseguir o líder do PS. E, quando assim é, mais vale ficar mudo e quedo. Mas não resisto — e estou a contradizer-me — a fazer um pequeno comentário acerca de uma sondagem da Universidade Católica, que nos dá conta de que «os governantes e os diplomatas são quem projectam uma pior imagem de Portugal no estrangeiro». Não pondo em causa a seriedade do estudo e não tendo razões para sair em defesa dos nossos governantes e diplomatas, tenho para mim que os primeiros responsáveis pela pior imagem de Portugal no estrangeiro são os emigrantes. Só que não é politicamente correcto dizê-lo.
7 de novembro de 2003
«Um contributo para clarificar as coisas» num momento em que o país vive «uma fase de muito ruído». Esta foi, segundo o "Público", a justificação de Maria Elisa para a renúncia ao mandato de deputada. Esta senhora não tem vergonha nenhuma.
6 de novembro de 2003
Maria Elisa vai renunciar ao mandato de deputada. O anúncio foi feito pelo líder parlamentar social-democrata. «Trata-se de uma decisão pessoal (...) que foi tomada com toda a lisura e correcção», disse Guilherme Silva à "Lusa". Lisura e correcção? Não querem ver que ainda vamos ouvir dizer que Maria Elisa teve um comportamento exemplar em todo o processo?
Agora que o caso das «viagens-fantasma» dos deputados foi encerrado, Pacheco Pereira resolveu abordar o assunto. Só que, de caminho, fez um retrato pouco abonatório do funcionamento do Parlamento, e pareceu-me que a ideia não era exactamente essa.
«Os medíocres têm medo da literatura, dos clássicos e da leitura». Eis, em resumo, o tema da crónica de Francisco José Viegas no "Jornal de Notícias" de hoje.
Uma sondagem efectuada pela TNS Euroteste para a revista Visão revelou que a grande maioria dos portugueses (77 por cento) acredita na comunicação social, apesar de considerar que os jornalistas agiram mal ao divulgar o conteúdo das escutas telefónicas efectuadas no âmbito do processo Casa Pia. E ainda há quem diga que os portugueses não são generosos.
5 de novembro de 2003
Sempre que posso, demoro-me um pouco mais na leitura dos blogues. Hoje levei mais de duas horas a ler o que se publicou nos últimos dois ou três dias. Não há dúvida que são inúmeros os blogues que merecem leitura, e cada vez é mais difícil segui-los diariamente. Se é verdade que alguns ficaram pelo caminho, também é verdade que outros surgiram e reclamam atenção. Até ver, os blogues vieram demonstrar que a opinião, desde que bem escrita, tem inúmeros leitores. Além de porem à vista duas evidências: que anda por aí muita gente anónima que merece ser lida, e que andam por aí muitos jornalistas que não passam de analfabetos.
3 de novembro de 2003
31 de outubro de 2003
Segundo o "Diário de Notícias", Ferro Rodrigues está em «silêncio de reflexão» e «nenhum cenário está fora de questão». A decisão formal sobre o líder do PS deverá ser conhecida na próxima Comissão Nacional, a 8 de Novembro, adianta o "DN". Compreende-se que Ferro Rodrigues se tenha deixado levar pela emoção aquando da prisão e libertação de Paulo Pedroso, e que, por essa razão, não tenha agido da melhor forma. Compreende-se também que, além da mesma militância política, Ferro Rodrigues seja amigo de Paulo Pedroso. Compreende-se ainda que o líder do PS não saiba agir doutro modo, que a emoção se sobreponha à razão, que seja essa a sua forma de estar na política. Mas nem por isso deixa de levantar uma questão pertinente: como reagiria Ferro Rodrigues primeiro-ministro caso fosse confrontado com uma situação semelhante? Perderia a cabeça como perdeu? Pois é, por muito compreensível que seja o comportamento de Ferro Rodrigues no processo Casa Pia, a questão é esta. Poder-lhe-á ficar muito bem como homem o comportamento no processo Casa Pia, mas já não se pode dizer o mesmo de um candidato a primeiro-ministro. Com certeza que nada disto significa que Ferro Rodrigues tenha os dias contados à frente do PS, como já se diz por aí, embora o «silêncio de reflexão» aponte nesse sentido. Durão Barroso está aí para demonstrar como um mau líder da oposição é capaz de chegar a primeiro-ministro. Só que Durão distinguiu-se por nada ter feito (pelo menos foi essa a imagem que ficou), enquanto Ferro Rodrigues se tem distinguido por cometer erros atrás de erros. Além de que a linguagem menos própria que parece usar com uma facilidade impressionante não abonar nada a seu favor.
Embora criticando o comportamento da direcção do PS, Vicente Jorge Silva não tem dúvidas de que há «uma sinistra campanha de manipulação política a partir do caso da Casa Pia, cujo objectivo claro e incontroverso foi (e é) manietar a liberdade de movimentos do principal partido de oposição». Infelizmente não acrescenta qualquer facto que comprove a ideia, como não têm acrescentado quaisquer factos todos quantos têm defendido a tese da conspiração.
30 de outubro de 2003
A dona bomba (que não tem "link" para o meu blogue) convenceu o sr. Pipi a publicar um livro. Vai daí fazem-se festas de lançamento do dito (para as quais eu não sou convidado), recolhem-se opiniões a saber se aquilo é literatura ou não (porque será que eu nunca sou ouvido?), qualquer dia há tese de doutoramento (juro que não será de minha autoria). Tudo isto com uma consequência imediata: o sr. Pipi passou a escrever no blogue apenas quando o rei faz anos. Ah, já me esquecia. A minha teoria sobre a identidade do sr. Pipi sofreu uma evolução. Agora estou convencido de que se trata do prof. César das Neves. Ou então é o dr. Rosas.
29 de outubro de 2003
O psiquiatra de Carlos Silvo não é psiquiatra. O treinador do Porto diz que «há muitos burros no futebol português». A doutora Amélia diz que me ama. Está tudo doido ou quê?
O espectáculo da nomeação do novo director do "Diário de Notícias" não augura nada de bom. Depois de ter aligeirado o conteúdo nos últimos tempos — uma aposta que me pareceu um erro colossal —, o "DN" está à beira de tornar-se o porta-voz do Governo. Pelo menos é essa a ideia que passa para a opinião pública após a nomeação de Fernando Lima, até há pouco assessor de imprensa no governo PSD. E nem o voto contra do Conselho de Redacção parece demover o Conselho de Administração da PT. Lamentável.
28 de outubro de 2003
Certamente com as melhores intenções, Catalina Pestana resolveu fazer uma intervenção perfeitamente escusada. Porque a intervenção só teve o condão de incendiar ainda mais o clima abrasador que se vive no processo Casa Pia, apesar das razões invocadas serem perfeitamente compreensíveis. Pior: foi uma pressão inadmissível sobre a justiça feita de forma consciente. Compreende-se que o adiamento estratégico do julgamento de Carlos Silvino — que estará na base da intervenção precipitada da provedora da Casa Pia — seja motivo de indignação. Mas Catalina Pestana não pode perder a cabeça desta maneira e começar para aí aos gritos. Porque isso será fragilizar a acusação, desproteger quem já está desprotegido.
«A esquerda europeia ainda não encontrou o seu caminho, após o fim da guerra fria e o descalabro do comunismo», diz Medeiros Ferreira na sua crónica de hoje. Nada que já não tenha sido dito e repetido, mas é sempre bom repeti-lo.
Subscrever:
Mensagens (Atom)