28 de setembro de 2007

Se Marques Mendes se inspirasse «na firmeza de Sá Carneiro, no saber de experiências feito e no rigor de Cavaco Silva, na versatilidade de Marcelo e na destreza política de Durão Barroso», como escreveu Vasco Graça Moura no DN, teríamos um super-líder do PSD e não o líder que hoje deixou de ser. Aliás, a vitória de Luís Filipe Menezes demonstrou isso mesmo: os militantes fartaram-se da liderança de Marques Mendes exactamente por considerarem que Marques Mendes não é nada do que diz Graça Moura. Se Luís Filipe Menezes é, ou não, a alternativa ao actual líder, só o tempo dirá. Por mim, as dúvidas são mais que muitas. Aliás, quer-me parecer que a vitória do autarca de Gaia é o estímulo que faltava para a criação de um (novo) partido de Direita.

27 de setembro de 2007

Duvido que mais algum político no activo tivesse a coragem demonstrada por Santana Lopes ao abandonar a entrevista à SIC Notícias. Contrariamente ao que diz a estação de Carnaxide, a atitude do ex-primeiro-ministro não foi desproporcionada. Desproporcionada (e prepotente) foi a reacção da SIC ao vir dizer que o incidente não vai alterar a sua linha editorial, quando se esperaria um pedido de desculpas. Espera-se, ao menos, que o episódio lhe sirva de lição. À SIC, e às outras televisões.

26 de setembro de 2007

O clima instalado fazia prever que os «nossos rapazes» que disputaram o Mundial de râguebi iriam ser recebidos como heróis. Não que tenham feito um brilharete na prova, onde perderam todos os jogos e quase sempre por mais que muitos, mas porque... Bom, para dizer a verdade, não sei porquê. Aliás, tirando os indefectíveis da modalidade, desconfio que ninguém percebeu porquê. Cantavam o hino com vigor? Bonito. Foram exemplos de fair play? Excelente. Deram o que tinham e o que não tinham? Perfeito. Mas... e o resto? A única coisa que se exige a uma selecção numa competição desta envergadura é que sejamos uns gajos porreiros? É claro que «a onda» à volta da selecção de râguebi é simpática e muito saudável, mas não exageremos. Afinal, o que se diria da selecção caso a modalidade fosse outra e os resultados idênticos?

24 de setembro de 2007

Era só o que faltava que Ahmadinejad fosse autorizado a visitar o Ground Zero. Como entenderiam as famílias dos que lá morreram a excursão do presidente iraniano? Como não tomar a coisa como um insulto ao povo americano? Depois, que outra razão haveria para Ahmadinejad visitar o local que não a mera propaganda? Já quanto à conferência na Columbia, onde o reitor fez um discurso notável (disponível aqui), nada a dizer. Uma universidade privada tem o direito de convidar quem muito bem lhe apetecer e tomar as posições que entender, goste-se ou não. Claro que não escondo que gostei do rumo que as coisas levaram. Afinal, também eu receei que a conferência da Columbia se transformasse numa tribuna para o presidente iraniano dizer o que lhe apetecesse perante a passividade geral. Como se viu, sucedeu precisamente o contrário: Ahmadinejad foi alvo de um autêntico massacre, acabando o tiro a sair-lhe pela culatra — e arrependido de lá ter posto os pés.

20 de setembro de 2007

A selecção portuguesa de basquetebol que competiu no último Europeu limitou-se a não ser tão má como dantes — mas diz-se que fez uma grande figura. Agora, a selecção portuguesa de râguebi apanha cabazadas atrás de cabazadas — e garantem que foi um sucesso a participação no Mundial. O mais espantoso disto tudo é que a regra não se aplica ao futebol, onde não se aceita que a selecção não esteja ao nível das melhores — e chega a ser trágico ficarmos em segundo lugar num Europeu ou em quarto num Mundial. Está tudo doido, ou sou eu que não percebo?
O episódio que envolveu o seleccionador nacional de futebol e um jogador sérvio foi aproveitado por uns para desopilar o fígado, e por outros para se posicionarem na corrida à sua sucessão. (O resto está aqui.)

18 de setembro de 2007

Não sei se o novo Código Penal entrou em vigor sem que a máquina estivesse pronta para o receber, e se a situação é tão dramática como alguns dizem. O que sei é que a confusão instalada não deixará de ajudar quem, no caso Madeleine, aposta em todos os meios que possam descredibilizar a investigação — e o que resta da Justiça portuguesa. Repare-se no que hoje disse o porta-voz dos McCann: a mera suspeita de envolvimento dos pais na morte da filha «é tão inacreditável quanto disparatada», e «daria vontade de rir» caso a suspeita não fosse tão grave. E ainda o senhor Mitchell desconhecia, presumo, as reacções da Justiça ao novo Código Penal. Quando tomar conhecimento de que a Judiciária desconhece o novo Código, que os funcionários judiciais não receberam qualquer directriz sobre a nova lei e que os magistrados não conseguem chegar a uma «uniformidade de critérios e procedimentos», é que vão ser elas.

17 de setembro de 2007

Não há jornal que se preze que não tenha zurzido nos media por causa de Madeleine. O curioso é que as críticas se destinam aos outros, que invariavelmente criticam os outros. Como ninguém chama os bois pelos nomes, e nunca — mas nunca — incluem nas críticas os jornais em que escrevem, ninguém sabe de quem falam quando falam dos outros. Entretanto, os jornais, incluindo os jornais que publicam as prosas de que falo, fazem o que podem e o que não devem para manter o assunto «atraente». Naturalmente que há excepções, só que ainda não vi onde.
«Segundo o relativismo ignorante, ninguém pode dizer se uma música é boa ou não. É tudo uma questão de gosto. Depende das circunstâncias. Depende da idade. Às vezes sabe bem uma coisa que, noutra altura, sabe mal. Cada um é como é e aquilo que agrada a um ... perdoem-me se me fico por aqui no blá blá blá.
Tem ou não tem graça como esta atitude coincide exactamente com a conveniência comercialista do cliente ter sempre razão; que os números não mentem; que os ouvintes é que sabem; que os anunciantes é que pagam e quem somos nós para dizer que não está bem assim?
O pior é que esta humildade é uma subserviência e este deixar decidir, este respeito pelos gostos dos outros, é uma gulosa cobardia.»

Miguel Esteves Cardoso, Público
Um verdadeiro serviço público.

14 de setembro de 2007

Luiz Felipe Scolari errou e, por isso, deve ser castigado? Sem dúvida. Mas que mal fizemos nós para aturar chusmas de moralistas de ocasião, que na hora do pugilato se algum mal viram na cena foi ter ficado por ali? O episódio de Scolari ralou-me, não digo que não, mas cá vou sobrevivendo. Já estes cavalheiros obrigam-me a ter sempre à mão um saco para o enjoo.

13 de setembro de 2007

É pena que a prosa de Alexandre O’Neill — Uma Biografia Literária não se distinga pela elegância formal. Pena porque O’Neill merecia melhor, muito melhor. Chega a ser penoso ler algumas passagens, e confesso que ainda não desisti porque o assunto me interessa.
Assuntos prioritários remeteram para dias mais calmos temas como este, que só hoje li. Como não perdeu actualidade, e porque julgo haver quem se interesse pelo assunto que ainda não leu, aqui fica a referência.
Onde quer se descobre um patriota.

12 de setembro de 2007

Contrariamente ao que se diz por aí, acho lamentável que o Vaticano tenha apagado as notícias sobre o desaparecimento de Madeleine do site que mantém na Internet sem dar uma explicação. Concluiu o Vaticano que procedeu erradamente? Nesse caso, ficar-lhe-ia bem uma explicação. Fazer de conta que não existiu o que toda a gente viu, só revela esperteza saloia. Além de que esconder os erros é quase sempre pior que assumi-los.
O Francisco descobriu a receita para emagrecer.

11 de setembro de 2007

10 de setembro de 2007

A enviada da RTP à Inglaterra para acompanhar o caso Madeleine diz que há um volte face da imprensa inglesa. Isto é, depois de alinhar ao lado dos pais da criança, a imprensa inglesa já questiona o comportamento dos McCann. Depois, para sustentar a tese do volte face, a jornalista socorre-se de um testemunho ouvido num fórum de rádio. Temos, assim, que um simples participante num fórum de rádio bastou para Sandra Felgueiras concluir que há um volte face da imprensa britânica. Mas há mais: na intervenção que fez no Prós e Contras, a jornalista foi toda convicções e sentenças por interpostas pessoas que não identificou e cujo valor representativo se desconhece. Infelizmente, um caso corriqueiro de mau jornalismo. Como, aliás, salientou o director do Expresso, ao dizer que se tratou de «uma peça totalmente orientada».
Ora nem mais.

7 de setembro de 2007

Moita Flores insiste que há uma campanha destinada a descredibilizar todas as hipóteses que não apontem para o rapto da pequena Maddie. Uma campanha, segundo ele, dirigida pelo «próprio governo inglês», uma «poderosa teia que denegriu Portugal e a polícia». Mas, depois, notícias recentes dão conta que um laboratório britânico chegou a resultados que se afastam da tese do rapto, e fica-se baralhado. Não, não simpatizo com teorias da conspiração — o que não quer dizer, evidentemente, que não as haja. Não simpatizo porque raramente vão além da suposição, do palpite, da fezada. Quanto a factos, nem um para amostra.

6 de setembro de 2007

Era só o que faltava que não tivessem sido cumpridos os requisitos necessários à realização das análises de sangue referentes ao «caso Madeleine» efectuadas em Birmingham, e que por esse motivo os resultados dessas análises não venham a ter qualquer valor jurídico, como já se diz por aí. Não fosse a hipótese ter sido aventada por um académico (um professor de direito penal da Católica cujo nome não me ocorre), diria tratar-se de uma anedota de mau gosto. É que um erro destes nem a amadores se admite, pelo que só podemos estar diante de uma hipótese meramente académica.
Graças ao mérito próprio (vitória sobre a Letónia) e à desgraça alheia (derrota da Espanha frente à Croácia), parece que «fizemos história». E a história que fizemos, vale a pena lembrar, deve-se à qualificação da selecção portuguesa de basquetebol para a fase seguinte do Europeu, onde vai defrontar a Rússia, Israel e a Grécia. Ora, a ser assim, onde está o motivo para tanto foguete? Afinal, Portugal limitou-se a demonstrar que já não é tão mau como antigamente, não é?

5 de setembro de 2007

4 de setembro de 2007

Não sei quem tem razão na disputa que opõe o Ministério da Educação aos sindicatos dos professores por causa dos docentes «que não foram colocados», mas é provável que ambos tenham alguma e nenhum a tenha toda. Percebi, porém, as razões da ministra da Educação, mas já não posso dizer o mesmo dos sindicatos. A ministra diz que o Estado não pode empregar professores de que não necessita — o que, a ser verdade, é um argumento que se entende. Já os sindicatos dizem que isso não é verdade, que o ensino público precisa de mais professores — mas não dizem onde nem porquê. Há outro aspecto também evidente: existem professores a mais para as necessidades, públicas e privadas, e o Estado não tem que lhes dar de comer. A ser verdade o que diz a ministra (Maria de Lurdes Rodrigues diz que o ensino público tem um professor por cada onze crianças no primeiro ciclo e um professor por cada sete estudantes no secundário), o ensino público está, em termos de quantidade, muitíssimo bem servido de professores. Aliás, que países do primeiro mundo se podem gabar de tais números?
Continuo sem perceber por que razão os portugueses falam de Ingrid Betancourt quando falam dos presos em poder das FARC e nunca — mas nunca — falam do cidadão luso-americano Marc Gonçalves, também preso pelas FARC. Será, apenas, por ignorância? Ou será porque Marc Gonçalves não tem pedigree?