30 de abril de 2010

INÊS, OUTRA VEZ. Se bem entendi, Inês de Medeiros fez um favor ao país ao candidatar-se a deputada, e o país não foi suficientemente grato ao elegê-la. É isto o que se depreende do que disse o líder parlamentar do PS, que hoje deu à estampa, no Público, um texto de «solidariedade» para com a colega. Há, contudo, um pequeno senão: Francisco Assis escreveu que o Parlamento não «concedeu qualquer tratamento excepcional» a Inês de Medeiros, mas os factos indicam precisamente o contrário. Que se saiba, havia uma lacuna legal, obrigando o presidente da AR a pedir um parecer jurídico e a decidir com base nele. Houve, portanto, tratamento de excepção, e o tratamento de excepção beneficiou a deputada. Por razões inatacáveis do ponto de vista formal, tudo indica, mas difíceis de digerir no plano dos princípios.
VERDADES EM OFF. A gaffe do primeiro-ministro britânico (Gordon Brown chamou «preconceituosa» a uma eleitora que o questionou sobre pensões de reforma e imigração quando se julgava afastado dos microfones) poder-lhe-á ter custado a reeleição, diz a imprensa britânica. Não sei se isso irá suceder, até porque, se perder, não haverá maneira de saber se foi por esse motivo. Também não sei se o caso marcará uma reviravolta na relação entre eleitores e eleitos, como deseja um jornal britânico. De uma coisa, porém, não duvido: não se podendo por aqui concluir que os eleitos são todos assim, a gaffe de Brown está longe de ser uma excepção. Não será a regra, quero acreditar, mas não duvido que andará lá perto.

29 de abril de 2010

MOURINHO. Eliminar o Chelsea e o Barcelona, a nata do futebol mundial, ainda por cima com uma equipa (o Inter) que pratica um futebol a roçar o miserável, não é, de facto, tarefa para qualquer um. Se dúvidas houvesse, o treinador português voltou a demonstrar que quando o técnico é a principal «estrela» de uma equipa está tudo dito.

26 de abril de 2010

HUMOR INVOLUNTÁRIO. A dra. Manuela Ferreira Leite tem a «certeza absoluta» que Sócrates mentiu no Parlamento sobre o caso PT/TVI. E tem a «certeza absoluta» com base em quê? Segundo a própria, com base em «suspeitas» e pressentimentos. Se não estivéssemos a falar de coisas sérias, seria risível.
ESCREVER COM OS PÉS. Por razões que não vêm ao caso, só agora li a entrevista que António Barreto deu ao i, pelo que só agora me apercebi que o texto roça o miserável (sim, o miserável), como alguém já tinha alertado. Barreto não merecia isso, os leitores não mereciam isso, provavelmente o i não merecia isso.
Obviamente
Conselhos seriamente fingidos

25 de abril de 2010

25 DE ABRIL. O 25 de Abril pôs fim a uma ditadura de 48 anos. Isto chega e sobeja para eu achar que valeu a pena, apesar do que seguiu, apesar de quase termos passado de uma ditadura para outra provavelmente ainda pior.

22 de abril de 2010

AINDA A MAQUINAÇÃO. Não é novidade para ninguém que a Igreja Católica costuma «premiar» os padres «que se portam mal» transferindo-os para outras paróquias, de preferência no quinto dos infernos (salvo seja). Incomoda-me, por isso, a indignação que por aí vai por alguns acusarem a Igreja Católica de ter escondido — e continuar a esconder — as misérias caseiras, no caso a pedofilia, como se a pedofilia fosse uma maquinação e não um facto indesmentível. Negar os factos contra todas as evidências, confundir alhos com bugalhos, invocar o que de bom a Igreja Católica deu à humanidade, dizer que se estão a utilizar casos isolados para generalizar ou que se pretende atingir o Papa a qualquer preço, não é sério nem inteligente, e atrapalha em vez de ajudar. Quanto mais se pretende fazer crer que há uma campanha contra a Igreja Católica porque meia dúzia de sujeitos andam para aí a dizer umas palermices, mais possibilidades terá ela de vir a existir. A fuga para a frente não é, no caso da pedofilia, o melhor caminho, como a presente discussão bem o demonstra.
RIDÍCULO. Imagino que o ministro Jorge Lacão estava a gozar com a malta quando disse que o cancelamento do jornal de Manuela Moura Guedes «não é saudável», mas ameaçar tomar medidas legislativas para que tal não se repita, substituindo-se à administração das empresas no que só à administração das empresas diz respeito, roça o ridículo. Claro que não se vislumbra a mais leve hipótese disso vir a acontecer, o que torna o episódio ainda mais ridículo.
O CULPADO DO COSTUME. Confirmam-se as minhas previsões de há duas semanas: a culpa foi do porteiro. Agora vou ali jogar no Euromilhões.

21 de abril de 2010

INÊS DE MEDEIROS. O presidente da Assembleia da República decidiu que as viagens semanais de Inês de Medeiros entre Paris (onde vive) e Lisboa (onde trabalha) continuarão a ser pagas pelo Parlamento, justificando a decisão com um parecer jurídico e alegando que a deputada já residia em Paris quando foi eleita. Jaime Gama adverte, no entanto, que se trata de uma «excepção», que não fará «jurisprudência». Ora, se as razões de Jaime Gama não me convencem, a «excepção» ainda me convence menos. Abrir uma excepção, porquê? Não duvido que a decisão seja inatacável do ponto de vista jurídico, mas já não estou a ver que o não seja no plano ético. Expedientes legais que tudo justificam e desculpam é a última coisa que se espera do primeiro órgão do Estado.

20 de abril de 2010

NÃO ME LIXEM. A TVI tem documentos sobre o caso Freeport com relevância noticiosa? Então está à espera de quê para os divulgar? Acaso as saídas de Moniz e Manuela impedem a sua divulgação? Se não impedem, quem impede? Quem está a amordaçar a informação da TVI? Já se queixaram à entidade respectiva? Eu não sei se o primeiro-ministro cometeu alguma ilegalidade no caso Freeport. O que eu sei é que as «bombas» que a TVI tem lançado sobre o caso Freeport se transformaram em traques ao segundo dia, e ao terceiro já ninguém se lembrava do assunto. Mais: apesar de tanta investigação que o jornal de Manuela diz ter feito, os portugueses continuam sem perceber o que realmente se passou no caso Freeport. Convenhamos que não é normal.

16 de abril de 2010

Comecei a lê-lo mal saiu, e terminei-o agora mesmo. Apesar da interrupção prolongada (quase três anos), mantém-se a ideia com que fiquei logo às primeiras páginas. Embora o livro relate uma experiência pessoal, no caso a experiência pessoal de Zita Seabra, fica-se com uma ideia bastante precisa do que era o comunismo naquela época - como funcionava, o que pretendia, o que estava disposto a fazer para chegar ao poder. Felizmente, as coisas correram-lhe mal. Imaginem a tragédia que não teria sido caso tivesse sido bem-sucedido.
I. Desconfiei, desde o início, do projecto i, por desde o início me parecer que o i não acrescentava um milímetro ao que já existia. Pelo que se tem visto nas últimas semanas (os proprietários anunciaram que pretendem vendê-lo, e hoje mesmo foi conhecida a demissão do seu director), parece que também é um fiasco em termos financeiros. Uma pena, sinceramente, que o desaparecimento de um jornal não é uma boa notícia.
SABER NÃO OCUPA LUGAR. «Em Portugal, os mais chiques dizem retrete e não sanita, presente e não prenda, saudades à Rita em vez de cumprimentos à esposa. É extraordinário - ou melhor, "estodinário" -, como a linguagem, que serve para fazer pontes e aproximar as pessoas, é usada para construir barreiras e cavar diferenças sociais.»

14 de abril de 2010

JORNALEIRISMO. É difícil discordar de Fernanda Câncio quando ela diz não ser pêra doce obter informação oficial. Há, no entanto, uma evidência que não se pode ignorar: houvesse jornalismo a sério, e nenhum dos obstáculos que menciona o seria. Os exemplos invocados pela jornalista para defender a ideia de que não é fácil obter informação oficial, apesar dos gabinetes de comunicação e outras modernices, indicam que os gabinetes e as modernices estão a fazer o que deles se espera: divulgar o melhor possível o que lhes interessa divulgar, e esconder o melhor possível o que lhes interessa esconder. O jornalismo é que não está a fazer o que lhe compete, goste-se, ou não, da ideia. Não por culpa dos jornalistas na generalidade dos casos, mas por culpa do jornalismo que, por razões nem sempre compreensíveis, se demitiu das suas funções.

9 de abril de 2010

SKIPER, 2000-2010. Só eu sei a dor que me vai na alma e as saudades que vou ter dele.
TEORIA DO MEXILHÃO. Concluído o inquérito da Inspecção Regional de Educação, que não confirma que o pequeno Leandro foi «vítima de frequentes agressões, perseguições ou ameaças na escola», e «não aponta para a instauração de procedimento disciplinar a responsáveis na dependência directa do Ministério da Educação», eis que a Câmara de Mirandela anuncia que vai averiguar se houve, ou não, falha do porteiro da escola de onde Leandro terá escapado para a morte, e se existiam, ou não, orientações da direcção da escola sobre entradas e saídas. Temos, portanto, em aberto a hipótese de a morte de Leandro ter sido culpa do porteiro. Onde é que eu já vi este filme?

7 de abril de 2010

UMA VELINHA PELO JORNALISMO. Como estava escrito desde o início, a Comissão de Ética que tenta saber se o primeiro-ministro mentiu, ou não, quando disse desconhecer o aparente negócio PT/TVI, não produziu nada que se visse, e outro tanto do que pretendia. A única coisa que lá se passou foi o enxovalho do jornalismo, como ainda ontem se viu com as declarações de Emídio Rangel e Pais do Amaral. Mesmo admitindo que nem tudo o que se disse na comissão foi verdade, os portugueses têm razões de sobra para desconfiar do jornalismo que se pratica em Portugal. A começar pelos media tidos como de referência.

6 de abril de 2010

MAQUINAÇÕES. É possível que exista uma «maquinação» contra a Igreja Católica usando a pedofilia como pretexto, como desconfia o cardeal Saraiva Martins, mas se vamos por aí também é provável que a Igreja Católica esteja a usar a teoria da «maquinação» como manobra de diversão. (Continuar a ler aqui.)

1 de abril de 2010



FUTEBOLÂNDIA
. Vista a entrevista de Pinto da Costa, apetece voltar a ouvir os registos telefónicos captados pela Judiciária. É que eles são todo um programa, como agora se costuma dizer, e que programa. Também vale a pena a entrevista do presidente do Conselho de Disciplina da Liga (imagem acima), esta por razões bem diferentes, e porque Ricardo Costa é um caso aparte na futebolândia.