30 de junho de 2004

Ia escrever um «post» absolutamente genial sobre a vitória de Portugal frente à Holanda, mas o maradona (com minúscula) antecipou-se. De maneira que só quero acrescentar uma coisa: viram o que Figo jogou neste jogo? Não há dúvida que Scolari é um mestre a gerir os recursos humanos e com uma capacidade mobilizadora impressionante. E mais outra coisa: já lá vão quase cinco horas após o Portugal-Holanda e ainda não vi comentários do Francisco e do Joel. O que se passa?

29 de junho de 2004

O PS quer eleições porque, havendo-as, está convencido que as ganha. Parte do PSD quer um congresso, porque um congresso pode afastar o indesejado Santana Lopes. Os outros (PC e Bloco) querem eleições antecipadas, e não vale a pena explicar porquê. Perante isto, dizem-me que está de regresso a grande política. Exactamente, a grande política, embora cheire à légua (e mal) outra coisa. Além disso, contando que, amanhã, a selecção ganhe à Holanda, quem quer saber de política?

28 de junho de 2004

Espero que não necessitemos das grandes penalidades para ganhar os dois próximos jogos. Mas, se necessitarmos, faço votos para que o Postiga não repita a proeza — ou a «folha-seca», como lhe chamou o Francisco. Concordo que o penálti de Postiga foi bom e bonito, mas está provado que raramente se consegue fazer bem e bonito. Daí que, numa situação daquelas, basta-me que se procure fazer bem para me pôr os nervos em franja.
Uma entrevista de Agustina Bessa-Luís é sempre uma boa notícia.
Luiz Felipe Scolari tem levado a água ao seu moinho, ao nosso moinho. Graças aos jogadores que tem às suas ordens e a toda a máquina que o rodeia — mas, também, ao apoio dos portugueses, a quem não se tem cansado de agradecer e de pedir o apoio. Mas Scolari insiste, também, que tudo tem corrido bem graças a Deus e à Senhora de Caravaggio, o que deu azo a comentários jocosos que só não foram mais longe porque as coisas têm corrido bem. Ora, eu não percebo porquê. Mesmo sendo um ateu convicto (ou agnóstico, ainda não me dei ao cuidado de saber qual é a diferença), custa-me que não se respeite as crenças de cada um. Custa-me, sobretudo, que se ignore que a crença pode mover montanhas, como inúmeros exemplos têm demonstrado. Deixem lá o sr. Scolari manifestar o que pensa acerca da fé e praticá-la como bem entender. Além de ser um assunto que merece respeito, só nos pode beneficiar. E quando digo beneficiar quero dizer a todos nós, crentes ou não.
A coisa pode cheirar a folclore, mas não deixa de ser um indício de que as coisas já estiveram melhor. Estou a referir-me ao pedido de desculpas de Ferreira Torres aos magistrados que o condenaram a três anos de prisão (embora suspensa) e à perda do mandato de presidente da Câmara do Marco, a quem resolveu insultar. «Sou mais sério do que as pessoas que me julgaram» e «tenho mais poder do que aqueles juízes», disse Ferreira Torres após uma «grandiosa e inesperada recepção popular». Dias depois, corrigiu o tiro: «Tenho muita honra em ter sido julgado por este colectivo de juízes, pela correcção com que fui tratado e a que não estava habituado», acrescentando que os insultos aos juízes resultaram do «estado de cansaço da viagem e pela emotividade do momento, motivada por tão grandiosa e inesperada recepção popular.» Comovente. Muito comovente.

27 de junho de 2004

Uma certa esquerda, tão indignada com a onda patrioteira por causa da Selecção, apressou-se a pôr a circular um slogan onde aproveita descaradamente essa mesma onda patrioteira para pedir eleições antecipadas. Haverá mesmo uma esquerda inteligente?

25 de junho de 2004

O Filipe Moura acha que «a selecção nacional não é o país», mas «somente uma equipa de futebol». Ora, não é bem assim. Goste-se ou não da ideia — e o Filipe Moura tem o direito de não gostar da ideia —, o povo português acha (e até já o demonstrou variadíssimas vezes) que a selecção nacional é o país, mesmo os que ligam pouco à bola. De modo que não sei quem é mais ridículo e provinciano: se os portugueses que hasteiam a bandeira à porta de casa, se quem pensa que tal prática é ridícula e provinciana.
O jogo de ontem deu-me cabo dos nervos. Mas o que me ia matando foi aquele penálti do Postiga. Não, não achei nada genial. O que eu achei é que Postiga arriscou muito, talvez demasiado. O que estaria a dizer-se agora de Postiga caso tivesse falhado e o falhanço tivesse ditado a eliminação de Portugal?

24 de junho de 2004

Alguém quer saber de outra coisa que não seja a vitória de Portugal sobre a Inglaterra? Eu bem me parecia. De maneira que, nada tendo a acrescentar ao que já foi dito e repetido, é melhor ficar calado e caladinho. Apenas uma questão: quando será que os jogadores portugueses que ficam no banco (ou são substituídos) demonstram estar mais preocupados com o destino do colectivo do que com os seus próprios destinos?

23 de junho de 2004

Jon Schmidt é um músico que tem uma página na internet onde se pode comprar todos os discos que gravou até agora. Mais exactamente quatro CDs, em formato tradicional ou digital. Infelizmente não tenho comissão nas vendas, mas sugiro na mesma que comprem todos. Exactamente: todos.

22 de junho de 2004

Acabei de ler Alexandra Alpha, um dos melhores livros que eu já li até hoje. Depois de Balada da Praia dos Cães, A República dos Corvos, De Profundis e O Delfim fica a vontade de ler tudo o que resta de Cardoso Pires.

21 de junho de 2004

Há anos que não se via a selecção portuguesa jogar tão bem como jogou contra a Espanha, especialmente na primeira parte. O que mais me impressionou foi o trabalho de recuperação de bola, feito com uma determinação e uma garra verdadeiramente notáveis. Assim qualquer um fica rendido à selecção — e eu fiquei rendido à selecção que jogou contra a Espanha, apesar das dúvidas de há uma semana. E não só pelo resultado alcançado, embora o resultado alcançado tivesse sido o mais importante. Ficaria rendido na mesma caso tivéssemos perdido, porque se viu atitude e determinação para ganhar. Resta saber se vamos continuar a jogar bem. Porque, a jogarmos assim, os ingleses que se cuidem.

19 de junho de 2004

Parece que há uma direita inteligente. E esquerda inteligente, haverá?

17 de junho de 2004

Não deve haver modalidade onde se passe tão depressa do oito ao oitenta como o futebol. Vejam os casos de Figo e Rui Costa, que tanto deram ao futebol português (e a Portugal). Não há bicho-careta que já não tenha falado mal deles, e quando digo mal quero dizer mal mesmo. Que se diga que estão velhos ou abaixo de forma, é perfeitamente aceitável. Mas já não é aceitável que se façam verdadeiros assassinatos de carácter. Muito menos por quem ainda ontem os considerou deuses na terra.

16 de junho de 2004

Há séculos que não via uma coisa tão pacóvia como a emissão da RTP antes do Portugal-Grécia.
Não costumo dar os parabéns a ninguém por aniversários bloguísticos (e receber, já agora). Mas apetece-me dar os parabéns ao Francisco José Viegas pelo Aviz.

15 de junho de 2004

Um conhecido programa da televisão portuguesa foi pago por um dos convidados desse mesmo programa, que aí foi entrevistado. Pago quase na totalidade, para ser mais exacto. Não, não há prémio para quem acertar no nome do convidado.

14 de junho de 2004

A derrota de Portugal frente à Grécia corre o risco de varrer a onda de patriotismo só vista nos tempos do dr. Salazar. De facto, e independentemente do que acontecer daqui para a frente (é preciso não esquecer que as esperanças portuguesas continuam intactas), a derrota da selecção portuguesa frente a um país de «outro campeonato» teve o mérito de acordar os portugueses para a triste realidade. E, a meu ver, a triste realidade demonstra que a fasquia foi posta demasiado alta, sobretudo depois dos jogos de preparação terem demonstrado que não há razão para grandes entusiasmos. Mais que a derrota clara e inequívoca frente aos gregos, a selecção portuguesa limitou-se a confirmar o que já se disse e repetiu: uma amálgama de excelentes jogadores, mas longe de ser uma equipa. Infelizmente não há razões para crer que isto se possa mudar de um dia para o outro.
Acabei de colocar uma mão-cheia de reproduções de pinturas na minha página pessoal, mais exactamente 200 reproduções de pinturas que fui encontrando por aí e que não me canso de contemplar. Se quiserem ver, estão aqui.

10 de junho de 2004

Por razões que desconheço, o endereço da minha página pessoal deixou de funcionar. Escusado será dizer que estou pior que estragado, e sem outro assunto que me ocupe a cabeça. De modo que limito-me a recomendar este exercício de lucidez.

9 de junho de 2004

8 de junho de 2004

Acabei de dividir em três a minha lista de blogues favoritos: os indispensáveis, a ler diariamente; os interessantes, com visitas mais espaçadas; e os mais literários, que nunca perdem a actualidade e que visito quando calha. Isto porque o tempo não dá para tudo, e há que definir prioridades. Curiosamente, quanto mais «pesos-pesados» abandonam a blogosfera (casos de Pedro Mexia, Pedro Lomba e João Miranda, por exemplo) mais blogues vão aparecendo que reclamam atenção. E ainda outra curiosidade: os blogues políticos estão a dar lugar aos blogues literários.

7 de junho de 2004

4 de junho de 2004

D. José Policarpo veio lembrar que não se está a discutir a Europa na campanha para as europeias. Ou seja, que não se está a discutir o essencial. D. José Policarpo não é o primeiro e não será o último a lembrar esta evidência, mas ninguém quer saber. O que importa é o «cartão amarelo» que a oposição quer que os eleitores mostrem ao Governo, ou que os eleitores demonstrem que estão com o Governo. Quanto à Europa, que se lixe. Deve ser por isso, aliás, que grande parte dos portugueses não tenciona votar. O fim-de-semana prolongado, com ponte ou sem ela, é uma desculpa. Uma péssima desculpa para a grande abstenção que se anuncia.

1 de junho de 2004

Quem é capaz de explicar como, num Estado de direito, se é preso preventivamente durante quatro meses e meio sob a acusação de 23 crimes e, de repente, se anuncia que não vai a julgamento?