28 de novembro de 2008

MANOBRAS. Auto-avaliação? Perfeito! Depois sou eu que sou mauzinho, que só digo disparates quando digo que os professores não querem ser avaliados. Digo avaliados por um sistema que realmente avalie, não uma fantochada cujos resultados se adivinham. Aliás, o modelo agora proposto pelos sindicatos não é novo, e os resultados são conhecidos. Ao menos podiam embrulhar a coisa de modo a disfarçar. (Ver, a propósito, este post.)

27 de novembro de 2008

QUEIROZ. Claro que Queiroz não é o culpado da derrota frente ao Brasil. O culpado da derrota frente ao Brasil foi... bem, já não me lembro bem quem foi. Mas uma coisa julgo saber: com a meia dúzia que levou em Brasília, ninguém lhe rouba um lugar na história. Sim, parece que vai haver sangue na próxima convocatória, de onde serão excluídos uns quantos jogadores que não se terão empenhado como deviam. Ora, a ser verdade, eu pergunto: quem são os malandros? E, já agora, o que resultará de tão drásticas medidas? Como é evidente, nada e coisa nenhuma. O problema é de outra natureza, e não vale a pena fingir que não é. O problema é a falta de liderança, e não só, como se tem dito, dentro do campo. Pena é que tenhamos de esperar até ao próximo jogo a doer, quando for tarde demais para remediar os estragos, para se perceber que Queiroz não serve, e agir em conformidade. É claro que, bem vistas as coisas, o verdadeiro culpado disto tudo é Scolari, cujo palmarés à frente da selecção colocou a fasquia bem alta ao seu sucessor, curiosamente um sujeito que nunca se coibiu de lhe infernizar a vida sempre que teve oportunidade para tal, e que ainda há pouco teve o desplante de se queixar que Scolari não lhe passou o testemunho. Estarão lembrados por que razão Queiroz lhe infernizou a vida, mas eu recordo. O «professor» queria o lugar de Scolari, e para lá chegar valia tudo, incluindo tirar olhos. É verdade que Queiroz nunca foi santo da minha devoção, mas também vi com desconfiança os amores de Scolari à Sra. de Caravaggio — e nunca percebi algumas decisões que ele tomou. Só que isso são pormenores sem importância, e que não contam para coisa nenhuma. O essencial, como sabemos, são os resultados. E Scolari teve-os.

25 de novembro de 2008

ESTADO DE GRAÇA. É visível que Manuela Ferreira Leite beneficia de um «estado de graça» a que nenhuma desgraça consegue pôr fim. A pretexto de que a líder do PSD não tem jeito para o folclore, e que não tem de pronunciar-se sobre tudo e sobre nada nem tem queda para a ironia, tudo serve para a desculpar — e, por arrasto, justificar-lhe um desempenho medíocre. Também eu tenho estima pela senhora (sem ironia), e também eu não duvido da sua competência profissional (de novo sem ironia). Mas falo das qualidades de Manuela Ferreira Leite enquanto líder do maior partido da Oposição. É que nisso, convenhamos, tem sido um desastre. Aliás, não é por acaso que já se fala que Cristo pode voltar à terra.

24 de novembro de 2008

CONSTÂNCIO. Vi, por alto, a entrevista de Constâncio à RTP, mas ficou-me uma pergunta: se o BPN foi o banco mais supervisionado, como garante o governador do Banco de Portugal, e as entidades supervisoras não conseguiram detectar — muito menos punir — situações que agora se conhecem, o que conseguem detectar as entidades supervisoras? Dito de outra maneira, se as autoridades não vêem o que está à vista de um cego, como conseguirão elas detectar operações mais subtis?

21 de novembro de 2008

ZAFÓN. Li, com prazer, A Sombra do Vento, um livro que considero notável. Ao que parece por vender às mãos-cheias, o autor, Carlos Ruiz Zafón, tornou-se motivo de desconfiança. Percebe-se porquê. Afinal, um livro que vende como pão quente costuma ser mau, logo motivo de desconfiança. Mas já não percebo algumas coisas que se disseram a propósito. Por exemplo, Lídia Jorge acha que A Sombra é um livro «feito com uma habilidade extraordinária», mas está fora de questão colocar o autor ao lado de escritores que «escrevem com a verdade ontológica em sangue». Segundo ela, Zafón «não explora o mergulho abismal da contradição interna» nem «subverte os códigos do sentimento», muito menos pertence ao grupo dos que «procuram falar de uma verdade intrínseca». Os livros dele não passam, para ela, de «literatura popular», do género Pérez-Reverte. Fernanda Abreu, que também compara Zafón a Pérez-Reverte, acha que não há, no escritor catalão, «um trabalho linguístico» ou «narrativo». Embora confesse ter lido, apenas, o início, percebeu, de imediato, que A Sombra «traz uma receita de ‘best-seller’ internacional». Foi mais longe a professora: «uma coisa é um livro, outra coisa é a literatura». Sobre a arte de contar uma história, não tem dúvidas: «já os folhetinistas do século XIX o faziam, e bem melhor». Como já perceberam, discordo praticamente de tudo o que as senhoras disseram ao Público (Ípsilon de 14 de Novembro) a propósito do «fenómeno» Zafón, e faço a ressalva porque não percebi algumas coisas que foram ditas. Não percebi, por exemplo, o que é escrever «com a verdade ontológica em sangue», ou «falar de uma verdade intrínseca». Não percebi «o mergulho abismal da contradição interna», muito menos o que são «os códigos do sentimento». Depois, contar uma história é uma arte menor? Pérez-Reverte, que também sofre do mal de Zafón (vende muito), é um autor de segunda? O Pintor de Batalhas, para só falar no último livro que li dele, faz farte do que as senhoras designam «literatura popular»? Pena é que o grosso dos argumentos não chegue, sequer, a entender-se, o que me leva a suspeitar que as senhoras procuraram esconder a ignorância atrás de frases grandiloquentes, que se desmoronam logo que «traduzidas» para português corrente. Já os argumentos que se entendem, é evidente que são preconceitos que não convencem ninguém. Infelizmente, não são as únicas praticantes da modalidade, o que me leva a perguntar: gostarão elas de literatura? Sinceramente, duvido. Pior que aqueles que acham que um livro é bom porque vende às mãos-cheias, só quem acha um livro mau por esse motivo. Se, no primeiro caso, a conclusão se deve, essencialmente, à ignorância, no segundo esperar-se-iam melhores argumentos. Argumentos que, pelos vistos, não têm.

19 de novembro de 2008

DA IMPUNIDADE. Toda a gente viu as fotografias onde Leonor Cipriano aparece com o rosto repleto de hematomas, que terão resultado de uma queda nas escadas da prisão onde estava detida. (O resto está aqui.)
AVALIAÇÃO. Contrariamente ao que diz Vítor Malheiros (Público de ontem), pode-se, e deve-se, avaliar os professores «usando critérios que os professores recusam», ou «usando avaliadores que os professores não reconhecem». Deve-se, a todo o custo, evitar que isso aconteça, mas deve-se avançar para essa via caso falhem todas as outras. Evidentemente que a avaliação não pode, nem deve, ser contra os professores. A avaliação deve ser feita com os professores, mas contra os professores se eles recusarem ser avaliados. Por aquilo que se tem visto, é isso o que está em causa. A não ser que a avaliação seja idêntica à que Alberto João Jardim impôs na Madeira, que não mereceu a condenação dos professores — e dos sindicatos dos professores — do continente. Aliás, nem podia, visto que é precisamente essa a avaliação que, na prática, vigora no continente.

18 de novembro de 2008

EMBARAÇOS. Falei em desnorte da líder do PSD quando Manuela Ferreira Leite disse que «não pode ser a comunicação social a seleccionar aquilo que transmite». Pelos vistos, pequei por defeito. É que Ferreira Leite acaba de sugerir que «seria bom haver seis meses sem democracia» para «pôr tudo na ordem», e não me venham com ironias. Mais: a líder social-democrata disse, entre outras coisas, não crer em reformas «quando se está em democracia», e não me consta que foi com ironia. O desempenho de Ferreira Leite à frente do PSD ultrapassa, de facto, a imaginação mais delirante. Razão tinham os que defendiam a «estratégia do silêncio». Pelo menos sempre se evitavam embaraços.
MODELO. Outro modelo de avaliação dos professores? Sim, com toda a certeza. Não o modelo sugerido por António Vitorino (comissão de sábios), ou o modelo defendido por Ferreira Leite (avaliação externa), mas o modelo que os professores e sindicatos defendem. Que é... Como é mesmo o modelo que eles defendem?
PALIN. Evidentemente que a maldade que fizeram à sra. Palin é um episódio lamentável. Lamentável porque se trata de uma falsidade, e porque a falsidade foi divulgada, entre outros, pelo New York Times, de quem se esperaria um pouco mais de rigor. Mas convenhamos que a acusação à vice de McCain não lhe fica nada mal. Afinal, não foi por acaso que toda a gente acreditou que ela não soubesse onde ficava África. É que ela já tinha demonstrado ignorar coisas que um candidato à vice-presidência não pode ignorar.

17 de novembro de 2008

SURDOS. Como oportunamente fiz referência, Obama prometeu, durante a campanha eleitoral, matar bin Laden. Disse bem: matar bin Laden, pois foi precisamente nestes termos que o agora presidente-eleito se referiu ao líder da Al-Qaeda. Curiosamente, nunca McCain falou em tal coisa quando prometeu, caso fosse eleito, lutar contra o terrorismo, e ainda mais curioso o facto de não se ter visto um único apoiante de Obama indignar-se com a promessa. Por aquilo que tenho visto, temo que fizeram de conta que não ouviram. Hoje mesmo, no Público, Boaventura de Sousa Santos escreveu que Obama «entenderá que a Al-Qaeda não pode ser destruída militarmente», mas «isolada pela paz e pela cooperação não colonialista». O sr. Boaventura deve ser um dos que não ouviu.
ALDRABICES. João Lopes, no DN, acusou as televisões de vender gato por lebre quando passaram imagens de uma manifestação onde apareceram alunos «a pular para... as próprias câmaras». É que a televisão, diz ele, também funciona «como indutora de acontecimentos», pois é capaz de produzir situações susceptíveis de induzir em erro, como terá ocorrido. Não vi as imagens que motivaram o comentário de João Lopes, mas acredito que tenham sido como ele diz. Acontece, porém, que a mentira não envolve, apenas, crianças e jovens. Quem já não viu os mais variados protestos propositadamente encenados para os telejornais? Quem já não viu manifestantes aos pulos logo que se apercebem dos directos das TVs, e que logo cessam uma vez terminados os directos? Serei só eu a ver isto a toda a hora?

13 de novembro de 2008

MENSAGEM. O problema não é a mensagem de Manuela Ferreira Leite ter dificuldade em passar através da comunicação social, como diz a líder social-democrata. O problema é não haver mensagem para passar. Se as acções do partido são a 14ª notícia das televisões, como diz Ferreira Leite, seguramente que a culpa não é das televisões. Aliás, é claro o desnorte da líder social-democrata. Senão, atente-se no que ela acaba de dizer: «Não pode ser a comunicação social a seleccionar aquilo que transmite». Passa pela cabeça de alguém que Manuela Ferreira Leite pense desta maneira?
JARDIM. Mas não será isto o que, há anos, se verifica em todo o país?

12 de novembro de 2008

OUTRA VEZ OS PROFESSORES. Como seria de esperar, o meu post de anteontem rendeu-me alguns mails pouco simpáticos. Considerando o que li neles, bem como alguns argumentos que fui conhecendo, cheguei a pensar que exagerei. Mas por pouco tempo. Depois de ter visto este vídeo, que recomendo vivamente, voltei à primeira forma. Bem sei que a fita em causa pode não representar o que pensa a generalidade dos professores, tanto mais que se trata de uma «peça» elaborada por uma organização política que não se distingue pela seriedade. Mas a verdade é que as medidas que lá se defendem não se distinguem, em nada, do que se ouve por todo o lado, incluindo aos partidos políticos «responsáveis». Darei a mão à palmatória caso me demonstrem, com argumentos, que estou enganado. Isto é, caso me demonstrem que os professores querem ser avaliados. E não me venham com excepções, que excepções são isso mesmo: excepções. Quanto aos insultos com que resolveram brindar-me, direi que são os argumentos de quem os não tem.
AI A CONTABILILIDADE. Afinal, o problema de Manuel Alegre com os professores que são contra a avaliação é que eles «dificilmente voltarão a votar no PS». E eu a pensar que Manuel Alegre os defendia por uma questão de princípio.

10 de novembro de 2008

CAVALGAR A ONDA. Manuela Ferreira Leite resolveu apanhar «o comboio» dos professores. Na minha opinião, fez mal. Fez mal porque a «avaliação externa» que agora propõe não passa de um modelo que, a seu tempo, será chumbado pelos mesmos de sempre; depois, porque o timing em que anunciou o «novo modelo» revelou um oportunismo político impróprio de um partido da área do poder. Sobre a avaliação dos professores, aproveito a ocasião para dizer que não mudo uma vírgula ao que aqui disse aquando da outra manifestação. Os professores não querem ser avaliados, por este ou por outros modelos, como o passado demonstrou e o futuro confirmará. Por isso atacam o modelo em vigor, por isso sairão à rua pelo modelo que vier a seguir, por isso farão o que puderem fazer para impedir que a avaliação se torne uma realidade. A desculpa, continuarão a dizer, será porque o modelo é mau, porque todos os modelos têm deficiências que os tornam atacáveis. Repetirão, depois, que os professores não podem ser responsabilizados pelo que vai mal no ensino, que a culpa é do Governo e do ministro da Educação, que as «políticas educativas» são uma merda, e que os professores não podem ser os bodes expiatórios. Para não variar, voltarão a não admitir que existem maus professores e maus profissionais, e que a culpa também é dos professores. Assim se varrerá o assunto para debaixo do tapete, e se adiará, de novo, a questão de fundo. E a questão de fundo, desculpem lembrar, é melhorar a qualidade do ensino público e o desempenho dos seus alunos. (Ver, a propósito, Guerra o ano todo.)
PUBLICIDADE. O Esmaltes e Jóias foi citado, pelo Francisco, no Correio da Manhã. Já agora, Isabel Coutinho, no Público, fez uma referência simpática a um texto aqui publicado já lá vai um mês. Agradeço a ambos a referência, e o bom gosto.
LER FAZ BEM À SAÚDE (32). A luta final, por António Barreto. Tonturas, por J. Rentes de Carvalho.

8 de novembro de 2008

FELGUEIRAS. Prometi estar na primeira fila a fazer mea culpa caso o tribunal ilibasse Fátima Felgueiras de todos os crimes de que foi acusada. Como assim não sucedeu, como o Tribunal de Felgueiras condenou a autarca por três crimes e lhe suspendeu o mandato, aqui estou a fazer mea culpa. Posto isto, é preciso dizer que a decisão do Tribunal de Felgueiras é capaz de não ir longe. Como se esperaria, Fátima Felgueiras anunciou que vai recorrer para a Relação, expediente que suspende a decisão do Tribunal de Felgueiras até que a Relação se pronuncie, e na prática deixa a sentença em banho-maria — além de permitir à autarca cumprir o mandato até ao fim. Quando a Relação se pronunciar, ao que se diz daqui por um ano, já a sra. Felgueiras terminou o mandato como autarca. Quer isto dizer que a Justiça falhou, de novo, no essencial. Nada a que já não estivéssemos habituados, mas é sempre bom relembrar.

6 de novembro de 2008

MAIS LENHA PARA A FOGUEIRA. Cansei-me de levar bordoada por dizer que José Saramago não sabe escrever. É, por isso, reconfortante ler esta tirada de Miguel Esteves Cardoso à LER: «Acho os livros do Saramago mal escritos». Aliás, basta pegar no último livro do Nobel português (A Viagem do Elefante) para se constatar a evidência. Por exemplo, neste excerto publicado no Bibliotecário de Babel: «A caravana de homens, cavalos, bois e elefante foi engolida definitivamente pela bruma, nem sequer se distingue a mancha do extenso vulto do ajuntamento que formam. Vamos ter de correr para alcançá-la. Felizmente, considerando o pouco tempo que ficámos a assistir ao debate dos hércules da aldeia, o pessoal não poderá ir muito longe. Em situação de visibilidade normal ou de bruma menos parecida com puré que esta, bastaria seguir os rastos das grossas rodas do carro de bois e do carro da intendência no chão amolecido, mas, agora, nem mesmo com o nariz a roçar a terra se conseguia descobrir que por aqui passou gente.» É bom, isto? Se é, confesso, desde já, a minha total ignorância na matéria, embora não esteja inteiramente convencido de que tenha razões para lamentar.

4 de novembro de 2008

OBAMA. Como prometi há uma semana, votei Obama. Por razões que então expliquei, mas que passaram, essencialmente, por me parecer que Obama é o mal menor. Hoje, conhecida a vitória do dito, não mudei de opinião. Venceu o candidato em quem votei, mas nem por isso sinto entusiasmo. O vinhito que ali tinha, bebi-o antes de saber o resultado.

3 de novembro de 2008

FUNDAMENTALISMO ISLÂMICO. Seja qual for a intenção, é sempre interessante ver alguém sair à rua em defesa dos talibãs e do fundamentalismo islâmico. Foi o que fez Faranaz Keshavjee, no Público, onde se diz «perplexa» por não se considerar terrorismo os actos que visam liquidar os talibãs e outros fundamentalistas islâmicos, que ela considera iguaizinhos ao terrorismo praticado por talibãs ou outros fundamentalistas islâmicos contra quem não pensa como eles. Vindo de quem vem, isto é, de quem se intitula «estudiosa de temas islâmicos», dá que pensar, pois quando se vêem «estudiosos» a pensar desta maneira, imagina-se o que pensará quem tem menos instrução. Certamente a senhora não ignora que foi o fundamentalismo islâmico quem decidiu atacar o Ocidente e seus valores, não o Ocidente o fundamentalismo islâmico. Contrariamente ao que ela pensa, o Ocidente não tem um problema com o Islão, mas o Islão tem, definitivamente, um problema com o Ocidente. Diz ainda a ilustre que «ninguém pede ao mundo cristão ou aos seus líderes que se levantem e condenem esta versão da cristandade», como se estivesse a falar de uma evidência à prova de bala. Acontece que não é. Não é a «cristandade», nem qualquer outra religião, que combate os talibãs e outros fundamentalistas, mas uma coligação internacional composta por gente de várias religiões, incluindo muçulmanos. Curiosamente, na mesma semana em que um ataque em território sírio despachou um dirigente talibã, que tanto a indignou, a execução de uma criança (de 13 anos) na Somália, por apedrejamento, não lhe mereceu a mais leve referência, muito menos repulsa. Isto para já não falar no atentado ocorrido na Índia cometido por um grupo islamita, ainda na mesma semana, de que resultaram oito dezenas de mortos e três centenas e meia de feridos. Como se vê, Faranaz Keshavjee indigna-se facilmente contra o que toma por relativismo, mas socorre-se, também ela, do relativismo, quanto mais não seja omitindo o que não lhe convém. Sim, porque o normal seria uma pessoa indignar-se mais rapidamente com a morte de uma criança nas circunstâncias em que ocorreu do que com um líder talibã. O que mais me chateia no fundamentalismo islâmico é constatar-se que os «estudiosos», de quem se esperaria que condenassem tais práticas, são os primeiros a legitimá-las. Umas vezes calando o que não devem, outras vezes fazendo de conta que não vêem, outras ainda relativizando.