31 de dezembro de 2010
FECHAR O ANO. «Por tudo que sei da vida, dos homens, deve-se ler pouco e reler muito. A arte da leitura é a da releitura. Há uns poucos livros totais, uns três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia.» Nelson Rodrigues, O Óbvio Ululante
29 de dezembro de 2010
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27 de dezembro de 2010
23 de dezembro de 2010
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21 de dezembro de 2010
17 de dezembro de 2010
FUMO SEM FOGO. A Secretaria de Estado das Comunidades (SEC) anunciou a criação de um portal destinado à troca de informação entre órgãos de comunicação social de expressão portuguesa espalhados pelo mundo a que ninguém parece ter prestado atenção apesar da notícia ter saído em vários jornais. Consultado o site, constata-se, vários dias depois de ter sido anunciado, que nem links tem para grande parte dos media a que se destina (depreende-se dos regulamentos que estão à espera que lhe caiam nas secretárias), e links é só o que há. Constata-se mais: segundo o responsável do portal, vai ser enviado um inquérito aos órgãos de comunicação social portugueses no estrangeiro para os «auscultar e sensibilizar para o projecto». Quer isto dizer que os media ainda não foram contactados, muito menos se sabe se estarão interessados. Assim sendo, a SEC facturou por aquilo que não fez, nem se sabe se fará. Mas não é só: lido o regulamento, constata-se uma série de regras que os participantes vão ter que cumprir, e que o projecto, que as notícias descreveram como «muito ambicioso» e «há muito desejado», será uma benesse para a comunicação social das comunidades. Dito de outra maneira, a comunicação social das comunidades fornecerá o conteúdo, e ainda deverá mostrar-se agradecida. O tempo dirá o que isto vai dar, mas palpita-me que vai dar um molho de brócolos. É que eu não estou a ver o que os media das comunidades possam ganhar com o negócio, e duvido que se contentem em aparecer no retrato.
16 de dezembro de 2010
QUEM SERÁ? Um episódio edificante sobre uma «figura histórica da Revolução de Abril», actual candidato à Presidência da República.
15 de dezembro de 2010
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14 de dezembro de 2010
MUITO INSTRUTIVO. Eliminar 1200 cursos superiores em dois anos seria, em circunstâncias normais, impensável. Como falamos de Portugal, onde universidades de vão de escada se distinguiram por passar canudos ao domingo e por inventar cursos destinados a formar doutores da mula ruça, a coisa é normal. Ironicamente, um alto dirigente político acaba de ser notícia por ter assinado pareceres jurídicos a coberto de um canudo que não tinha, ou que foi obtido ninguém sabe bem como, precisamente numa dessas universidades de vão de escada entretanto encerradas por ordem governamental.
13 de dezembro de 2010
VOTOS COMPRADOS. A ser verdadeira, e nada indica que não seja, a história da compra de votos no PS publicada pela revista Sábado devia deixar o PS em alvoroço e o país em sobressalto. Quatro dias após ter sido publicada, não se vê o mais leve comentário. Será normal? Infelizmente, tudo indica que é. A história da compra de votos no PS não é caso único, e quem tem telhados de vidro só pode fazer de conta que não ouve, nem vê.
10 de dezembro de 2010
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7 de dezembro de 2010
CORMAC McCARTHY. Comecei a ler Meridiano de Sangue com alguma reserva, já não me lembro porquê, mas o entusiasmo foi crescendo de página para página. Habituado o estômago à violência (uma constante em todo o romance), descubro um livro espantoso, e um personagem notável (o Juiz Holden). Provavelmente vai ser uma decepção, mas apetece-me ler todo o McCarthy que me aparecer pela frente.
VARGAS LLOSA. A propósito deste discurso, li meia dúzia de livros de Vargas Llosa, nenhum deles ficção. Por concluir tenho A Fish in Water, também não-ficção, e por começar quase uma dúzia. Como os li com prazer e proveito, significam estas leituras que gosto do escritor peruano. Dito isto, o que mudou depois de lhe atribuirem o Nobel da Literatura? Para ele, provavelmente muita coisa. Para mim, rigorosamente nada. Os prémios literários são óptimos para a indústria e para quem os ganha, e presumo que úteis para quem quer comprar livros e não sabe o quê.
6 de dezembro de 2010
DESACONSELHÁVEL A ESTÔMAGOS SENSÍVEIS.
«Encontraram os batedores desaparecidos pendurados de cabeça para baixo dos ramos de uma árvore paloverde enegrecida pelo fogo. Tinham os tendões dos calcanhares trespassados por espigões aguçados de madeira verde e pendiam, lívidos e nus, acima das cinzas frias das brasas onde tinham assado em fogo lento até as cabeças ficarem carbonizadas e os cérebros lhes borbulharem dentro do crânio e o vapor lhes sair pelas narinas e sibilar. Viam-se-lhes as línguas puxadas para fora da boca e presas com paus afiados que as atravessavam de lado a lado e tinham as orelhas cortadas e os torsos rasgados com lascas de sílex até as entranhas lhes penderem sobre o peito. Alguns homens adiantaram-se de faca em punho e soltaram os cadáveres e deixaram-nos ali caídos nas cinzas. Os dois corpos mais escuros eram os últimos Delawares e os outros dois eram o foragido da Terra de Vandiemen e um homem do Leste chamado Gilchrist. Às mãos dos seus bárbaros anfitriães não haviam conhecido favores nem discriminação alguma, antes tinham sofrido e morrido com imparcialidade.»
Cormac McCarthy, Meridiano de Sangue
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Cormac McCarthy, Meridiano de Sangue
O HOMEM QUE ESCREVE OS ENSAIOS DOS NOSSOS FILHOS. Já foi publicado há um mês, mas nem que tivesse sido há um ano perderia actualidade. O tema também não é novidade, mas talvez surpreenda a real dimensão do problema.
WIKILEAKS (2). Se outras razões não houvesse, esta chega e sobeja para demonstrar a natureza — e os objectivos — do WikiLeaks e do seu fundador.
3 de dezembro de 2010
ALEGRE CEGUEIRA. Quando mais tempo vai Manuel Alegre necessitar para perceber que o problema da sua candidatura a Belém não é Marcelo e/ou os jornalistas? Quanto mais tempo vai Manuel Alegre necessitar para constatar que a sua candidatura não entusiasma nada nem ninguém, a começar por quem mais devia? Quando mais tempo vai Manuel Alegre necessitar para perceber que o milhão e tal de votos nas Presidenciais de 2006 não foi, na sua maioria, votos nele mas contra Mário Soares? É verdade que o PS tem feito o que pode para fazer de conta que Alegre não existe, para já não falar de Cavaco, que ostensivamente o ignora desde o início. Mas salta à vista que o principal problema de Manuel Alegre é Manuel Alegre, um personagem que os portugueses conhecem na política pela voz de trovão e pelos poemas que vai dando à estampa, o que é pouco para quem pretende dirigir uma junta de freguesia, e nada para dirigir um país.
SÁ CARNEIRO. Nelson Rodrigues escreveu: «Toda [a] unanimidade é burra.» É precisamente isto o que me apetece dizer das opiniões sobre Sá Carneiro, todas lisonjeiras, todas unânimes. Não que eu tenha alguma coisa contra Sá Carneiro, antes pelo contrário. Mas o que se diria dele hoje caso ainda fosse vivo? Definitivamente que um homem bom é um homem morto.
2 de dezembro de 2010
MUNDIAL. Não me rala que tivéssemos perdido, nem entraria em delírio caso tivéssemos ganho. Mas será mesmo verdade que entre os executivos da FIFA que decidiram quem vai organizar os mundiais de 2018 e 2022 há quem tenha interesses directos, sobretudo de natureza financeira, na escolha da Rússia? Se assim é, o recente afastamento de dois executivos da FIFA por suspeita de corrupção é bem capaz de não ter sido um caso isolado, e as insinuações que têm vindo a fazer alguns dirigentes das candidaturas hoje derrotadas não deve ser só mau perder.
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