14 de dezembro de 2022
ASSUSTADOR. Os planos de Elon Musk para o Twitter pouco me importam. O que realmente me importa (e assusta) é ver um privado com um papel preponderante num conflito militar, no caso o que opõe a Ucrânia à Rússia. Musk fornece as comunicações por satélite à Ucrânia, ao que dizem cruciais para o desfecho do conflito. Se neste caso me parece estar do lado certo, imagine-se quando não estiver. É um facto que as guerras de hoje são feitas, em parte, por forças privadas, cujas actividades decorrem longe da vista e as regras são a ausência de regras. Mas o caso Musk ganhou dimensão tal que os governos vão ter que agir legislando. Brinquedos destes são demasiado perigosos para estarem nas mãos de privados, ao sabor dos interesses e dos humores de quem os possui.
29 de novembro de 2022
A FIFA E A HIPOCRISIA. Não é verdade que não tenham havido protestos quando ficou a saber-se que o Qatar tinha sido escolhido pela FIFA para sede do Mundial de 2022. O problema é que não passaram de fogachos e se limitaram à imprensa desportiva. Agora, que o assunto está na ribalta, toda a gente protesta, porque agora os protestos têm o impacto que dantes não tinham. Serão hipócritas as críticas à forma como o Qatar trata os direitos humanos, como disse o presidente da FIFA. Mas quando um organismo que lidera o futebol mundial chega ao ponto de atribuir uma prova como o Mundial a um país que, tirando as infraestruturas desportivas, hoteleiras e rodoviárias, não cumpre os seus próprios objectivos para sediar um evento do género porque os seus mais altos dirigentes se deixaram corromper, mais valia estar calado. Hipócritas ou não, os protestos em cena no Qatar são bem-vindos e muito oportunos.
7 de novembro de 2022
DESONESTIDADE. Rui Ramos escreveu que «os políticos (…) perceberam que diabolizar os adversários é uma maneira fácil de arranjar votos». Deu um exemplo que diz ser «óbvio»: «Atormentado pela inflação, não (..) ocorreu [ao Partido Democrático] nada de melhor do que descobrir que afinal o Partido Republicano tinha sido fundado e é dirigido por Hitler.» Procurei e não vi isto em lado nenhum, mas acredito que esteja a inventar. O curioso é que o historiador tenha pegado talvez no único exemplo que conhece para tentar demonstrar que o ódio é uma coisa de democráticos contra republicanos, quando os factos dizem precisamente o contrário. O colunista do Observador certamente que não ignora que o actual clima de ódio que se vive nos EUA começou com a candidatura de Trump à presidência, que depois foi multiplicado pelos acólitos. Não é uma opinião. Há dezenas de factos que o comprovam, e Rui Ramos sabe bem disso. Ilustrar o raciocínio da diabolização dos adversários políticos usando uma excepção vinda do campo democrático em vez da regra constituída por dezenas de casos oriundos do campo republicano é desonestidade intelectual.
21 de outubro de 2022
CRISTALINO. O Presidente da República pediu ao parlamento que clarifique a lei das incompatibilidades dos titulares de cargos públicos. Porque a lei das incompatibilidades, diz ele, está cheia de «remendas das remendas», que a tornam difícil de aplicar. Não conheço a lei em causa, muito menos se as alegadas incompatibilidades de pelo menos quatro ministros constituem, ou não, matéria para clarificação. O que julgo saber é que sempre que é necessário aplicar uma lei proveniente da Assembleia da República é preciso pedir um parecer a um gabinete de advogados. Porque a lei, de facto, nunca é clara. E não é clara porquê? Por incompetência de quem a fez e desleixo de quem a aprovou? Também. Mas não é clara, sobretudo, porque convém a muitos que não seja clara. Aos grandes gabinetes de advogados, desde logo, que assim têm uma mina inesgotável. E a quem tem poder, político ou outro, que assim explora a seu favor as deficiências da lei. Pelo menos isto é cristalino.
12 de outubro de 2022
O BOTÃO. Conta-se que o general Milley, chefe das Forças Armadas na administração Trump (que Biden manteve no cargo), fez o que havia a fazer para que Trump, desesperado pela derrota nas presidenciais de 2020 (que nunca assumiu), fosse impedido de accionar o «botão» nuclear. E que não sei quem durante a administração Nixon tomou medidas mais ou menos iguais para a eventualidade de Nixon, obrigado a demitir-se, cometer idêntica loucura. Espero, por isso, que haja um plano para deter Putin, ou que alguém na cadeia de comando recuse obedecer-lhe. Afinal, sempre será mais fácil sobreviver à desobediência que ao apocalipse.
28 de setembro de 2022
CORRUPÇÃO NA JUSTIÇA. Passou praticamente despercebida a notícia do Público dando conta de que um quarto dos juízes portugueses acredita que há corrupção na justiça, mesmo que «muito raramente». «A troco de dinheiro, vantagens não monetárias ou outros favores», prossegue a notícia, citando um inquérito aos magistrados sobre a avaliação que fazem da sua independência, individual ou de todo o sistema. «Houve distribuição de processos a juízes à revelia das regras ou dos procedimentos estabelecidos», diz ainda o inquérito. Ora, se um quarto dos juízes reconhece a existência de corrupção na instituição, o número será, certamente, maior. Ou seja, se a imagem da justiça já não não era boa, piorou depois desta revelação. E quem são, afinal, os juízes corruptos? Como só conhecemos dois ou três casos, não sabemos — logo todos estão sob suspeita. Todos querem resolver os problemas na justiça — os operadores judiciais, os governos, os políticos, etc. O problema é que, na prática, ninguém está verdadeiramente interessado em resolver. Continuamos, portanto, a ter uma justiça para quem pode comprar, outra para quem não pode.
16 de agosto de 2022
O TEMPO DA JUSTIÇA. Escrevi, logo nos primeiros meses de Presidência, que Trump iria acabar na cadeia, mas nunca me passou pela cabeça que demorasse tanto. Cinco anos e meio passados sobre a tomada de posse e mais umas dezenas de atropelos à lei, o ex-presidente continua por aí a espalhar mentiras, a insultar meio mundo, e a cometer toda a espécie de ilegalidades. As autoridades policiais anunciaram agora uma busca à sua residência, de que resultou a apreensão de documentos que acreditam servir para o acusar de espionagem, obstrução à Justiça e destruição ou ocultação de documentos. Como não são meros casos de polícia, o tempo da justiça será mais demorado. Mas não me passa pela cabeça que a justiça não fará o que dela se espera, apesar das ameaças de que está a ser alvo. A justiça não é perfeita, bem sei. Mas estou convencido de que a justiça americana é das que melhor funciona. Tenho, por isso, razões para crer que nada a demoverá.
19 de julho de 2022
DO MELHOR.
Blood River: A Journey to Africa’s Broken Heart, originalmente publicado em 2007 e 10 anos depois em português com o título Rio de Sangue: Uma Aventura Apaixonante no Coração de África, é um dos poucos livros de viagens de autores contemporâneos que vale a pena ler. Entusiasmado pela ideia de replicar a expedição ao rio Congo do escocês Henry Morton Stanley, considerado um dos maiores exploradores de todos os tempos e que em 1878 publicou Through the Dark Continent (em Portugal editado mais de um século depois sob o título Através do Continente Negro), o inglês Tim Butcher publicou uma reportagem (também pode ser lido como relato de viagem) memorável que se lerá de um trago caso haja disponibilidade para isso. Percebe-se por que John le Carré o considerou uma obra-prima.
Blood River: A Journey to Africa’s Broken Heart, originalmente publicado em 2007 e 10 anos depois em português com o título Rio de Sangue: Uma Aventura Apaixonante no Coração de África, é um dos poucos livros de viagens de autores contemporâneos que vale a pena ler. Entusiasmado pela ideia de replicar a expedição ao rio Congo do escocês Henry Morton Stanley, considerado um dos maiores exploradores de todos os tempos e que em 1878 publicou Through the Dark Continent (em Portugal editado mais de um século depois sob o título Através do Continente Negro), o inglês Tim Butcher publicou uma reportagem (também pode ser lido como relato de viagem) memorável que se lerá de um trago caso haja disponibilidade para isso. Percebe-se por que John le Carré o considerou uma obra-prima.
6 de julho de 2022
SUICÍDIO EM DIRECTO. Assisti ao patético pedido de desculpas do ministro Pedro Nuno Santos, aparentemente por ter feito o que não devia. Quando seria de esperar que anunciasse que tinha apresentado a demissão ao primeiro-ministro e o primeiro-ministro tivesse aceitado, até porque António Costa o terá colocado entre a saída pelo próprio pé e a demissão pura e simples, o ministro das Infraestruturas desfez-se em desculpas e não se demitiu. Apontado como provável sucessor de Costa, dificilmente Nuno Santos faria pior pelo seu futuro político. Como também era difícil ao primeiro-ministro fazer pior aceitando manter o ministro. É possível que a história esteja mal contada, que as coisas não sejam o que parecem — embora, como dizia o outro, em política o que parece é. E o que parece nem com antiácidos se digere.
3 de junho de 2022
UM INSULTO. A sentença de seis anos de prisão efectiva vai acelerar a morte de Ricardo Salgado, alertou a defesa do ex-banqueiro na «Operação Marquês». Pediu, por isso, a revogação do acórdão de modo a que o seu cliente não tenha o destino de outros que, por não terem os recursos que a Salgado sobejam, não se livraram da cadeia. Suponho que é um argumento a ponderar, mas não deixa de ser, para os restantes mortais, um insulto. Nunca estive numa cadeia, mesmo na condição de visitante. Mas imagino que a cadeia não fará bem à saúde de ninguém, sobretudo à saúde dos idosos, e Ricardo Salgado, além de idoso (78 anos), terá Alzheimer. Nada me move, também, contra o ex-presidente do BES. Mas é público que o sujeito corrompeu meio mundo e vigarizou outro tanto, sempre com a cumplicidade, por incompetência ou desleixo, das autoridades que tinham a missão de lhe fiscalizar as actividades como banqueiro e puni-lo se fosse caso disso. Livrar-se da cadeia só não será um escândalo porque a incompetência da justiça já não escandaliza. Seria, contudo, um insulto na mesma.
13 de maio de 2022
A AGONIA DO PC. O ocaso do Partido Comunista Português (doravante PC) surpreende, apenas, pelo tempo que demorou. Há décadas que os comunistas portugueses vivem do passado e para o passado, a defender causas que o tempo tornou obsoletas. E agora a defender Putin, como se Putin fosse a luz que dantes brilhava no Kremlin ou da mesma família política, embora em comum desprezem a democracia. Não lamentarei o desaparecimento do PC, como é óbvio. Mas insurgir-me-ei contra quem o queira extinguir por decreto, como já vi por aí quem defenda. E não acho que o PC faz falta à democracia, como também já ouvi. Afinal, se é verdade que o PC foi dos que mais lutou pelo fim do Estado Novo, não é menos verdade que não o fez por amor à democracia. Fê-lo porque ambicionava instalar a sua própria ditadura, a ditadura do proletariado, seguramente pior. Quem conhece os factos à época (de 25 de Abril de 1974 a 25 de Novembro de 1975) e os viu com distância sabe que seria assim caso os planos lhe tivessem corrido de feição. Saudades do PC, portanto, só da festa do Avante!, onde fui durante sete ou oito anos seguidos e me deliciei com a música, a pintura, a comida, as noites até às tantas e o ambiente em geral. Por isso, e só por isso, paz à sua alma.
4 de maio de 2022
AGACHEMO-NOS. Talvez se possa dizer que somos, todos, contra a guerra. Seja a guerra que for, pelos motivos que for. Não basta, porém, ser contra as guerras para impedir que elas sucedam. É o caso da Ucrânia, que pegou em armas para se defender da invasão russa. E fazer o quê diante um facto consumado? Apelar à paz e ao diálogo entre as partes de modo a pôr fim às hostilidades e encontrar uma solução pacífica? Acontece que os apelos à paz e ao diálogo não têm mudado um milímetro os planos de Putin, que são, é bom não esquecer, retomar o controlo dos países que integravam a extinta União Soviética e «reescrever a História». A bem, ou a mal. Assim sendo, fazer o quê? Agacharmo-nos e esperar que Putin alcance o objectivo, como nos agachámos quando anexou a Arménia? Culpar a NATO por pretender alargar a sua área de influência e com isso impedir os delírios de Putin? Inventar teorias conspirativas de modo a «demonstrar» que o preto é branco e a culpa é da Ucrânia? E seguir-se-á quem depois da Ucrânia? Claro que o carniceiro de Moscovo tem armas nucleares e já avisou que as pode usar. Mas ceder à chantagem de Putin e ficar eternamente refém dessa ameaça é o caminho mais curto para o desastre.
13 de abril de 2022
O MUNDO AO CONTRÁRIO. Impressionante o contorcionismo das esquerdas esclerosada e moderna para legitimar a decisão de Vladimir Putin invadir a Ucrânia — e, por consequência, deslegitimar Volodymyr Zelenskyy. Do presidente russo, dizem apenas que não deveria ter invadido a Ucrânia; do presidente ucraniano, que tratam por ex-comediante para o apoucar, ficam-se por generalidades que não se percebem e que, segundo eles, o tornam responsável pela tragédia em curso. Que a tropa russa eleja os ainda há pouco designados danos colaterais (morte de civis) como alvo principal, execute sumariamente civis e pratique a tortura e a violação, não lhes merece reparo — e, se merece, dizem que as alegações devem ser alvo de «investigação independente», como se as imagens que nos entram pelos olhos dentro se prestassem a dúvidas. É nestas alturas que se vê quem é pela democracia — ou, se quiserem, quem é incondicionalmente pela democracia. Putin, para eles, é um ditador que está «do lado certo» (leia-se o deles), logo o resto não interessa. E o resto são milhares de mortos, milhões de refugiados, uma tragédia sem fim à vista. Por culpa, evidentemente, do presidente russo, por mais acrobacias que façam para demonstrar o contrário.
15 de março de 2022
PUTIN JÁ PERDEU (2). Leio que o Presidente Zelensky estará disposto a aceitar, com algumas nuances, as exigências do Presidente Putin em troca do fim das hostilidades na Ucrânia. E que se o Presidente ucraniano tivesse aceitado antes as exigências russas ter-se-ia evitado a tragédia que estamos a ver. Quer isto dizer que a culpa da guerra é do Presidente ucraniano? Pouco me importa, numa guerra, quem tem razão. Importa-me, antes de mais, que ela não aconteça, e o resto é secundário. Mas dizer que a culpa é do presidente ucraniano, como vi dito por alguns colunistas, é deprimente. O presidente da Ucrânia não será um modelo de virtudes, muito menos o Churchill dos tempos modernos, mas tem razão e os ucranianos do lado dele. Não chegará para vencer, mas tem os argumentos que Putin não tem. Como escrevi pouco depois do início das hostilidades, é provável que Putin vença a batalha da Ucrânia. Mas a guerra, que o Presidente russo pretende fazer até reconstruir territorialmente a ex-URSS, está claramente perdida. E Putin com ela.
6 de março de 2022
OLHO POR OLHO. Imagino que os oligarcas russos, com quem Putin se reuniu logo no primeiro dia da invasão da Ucrânia, precisamente no dia em que ficou a saber-se que as sanções aos oligarcas tinham sido agravadas, estejam inquietos acerca dos seus futuros. Imagino, também, que os sujeitos não estejam dispostos a aguentar por muito tempo as restrições de que estão a ser alvo — e daí a pressa de Putin em acalmá-los. O Presidente russo criou e alimenta esta gente, que por isso o mantém no poder. Faltar-lhes com o alimento por muito algum tempo ser-lhe-á, portanto, fatal.
2 de março de 2022
PUTIN JÁ PERDEU (1). Vladimir Putin pode ganhar as próximas batalhas na Ucrânia, mas já perdeu a guerra. O sonho de recuperar o império perdido (a extinta URSS, que na fase final englobava 15 países, Ucrânia incluída) por todos os meios, incluindo meios violentos, morreu — ou morrerá — na Ucrânia. Falhada a Ucrânia (mesmo que a conquiste a curto prazo), desmoronar-se-á o sonho imperial de Putin. Para bem de todos, povo russo incluído, aguardá-lo-ão as monografias sobre corrupção e o caixote do lixo da História.
8 de fevereiro de 2022
OS MAUS PELOS PIORES. Quem não percebeu por que razão, ou conjunto de razões, Trump ganhou em 2016? Quem não percebeu por que razão, ou conjunto de razões, Ventura cresceu em 2022? A explicação já foi dada e amplamente demonstrada, pelo que duvido que alguém não tenha percebido. Não é preciso fazer um desenho, consultar politólogos ou cientistas, tudólogos ou astrólogos. Quem votou Trump ou Ventura fê-lo porque despreza os políticos, que de um modo geral tem por pantomineiros, aldrabões, vigaristas, corruptos. Mas se isto me parece claro e normal, já me custa entender que se penalizem os maus e se premiem os piores. Como não será por masoquismo, fá-lo-ão por ressentimento ou ignorância, ou porque desprezam a democracia. Seja o que for, o resultado não se recomenda.
26 de janeiro de 2022
TEMPOS DE CÓLERA. Trump e seus papagaios derramam diariamente o que há de pior no ser humano. Dantes discutiam-se as diferenças de forma civilizada; agora descarrega-se ódio no outro à primeira oportunidade — e quando as coisas acalmam, ninguém pede desculpa a ninguém. As redes sociais potenciam, e muito, estes comportamentos, embora o ódio que prolifera nas redes já existisse. Destilava-se em doses moderadas, porque naquele tempo havia o que hoje escasseia: decência e respeito pelo outro. Não sei até onde isto vai, que o fundo é quase sempre mais fundo do que se pensa. Mas a continuarmos por aqui, não tarda que necessitemos de reaprender as regras básicas da convivência humana para nos diferenciarmos, pelas melhores razões, dos animais ditos irracionais.
12 de janeiro de 2022
COMEÇAR BEM O ANO. Começo o ano a reler A Estrada Para Oxiana, do inglês Robert Byron, depois de ter lido a versão original há uma década. Depressa descubro que já não me lembro do que li, pelo que é como se fosse a primeira vez. Já tudo se disse sobre o livro. Acrescentarei apenas, e apesar de ainda ir a meio, que é um dos cinco melhores livros de viagens que já li. E que nos restantes quatro que figuram no meu panteão de livros de viagens só um deles, A Sombra da Rota da Seda, do britânico Colin Thubron, é considerado como tal. Aproveito para dizer que os livros de viagens de autores contemporâneos são, regra geral, penosos de ler.
6 de janeiro de 2022
NÃO ESQUECER. Trump falhou, por pouco, faz hoje um ano, o golpe de Estado de 6 Janeiro de 2021, depois de ter perdido a eleição de 2020 e insinuado, durante a campanha, que só perderia se houvesse fraude. Como se demonstrou, o processo decorreu com normalidade, e o adversário ganhou com uma diferença de sete milhões de votos. Mas Trump não se conformou, e ainda hoje insiste em vender aos fanáticos a teoria de que foi roubado, porque os fanáticos só querem ouvir o que lhes convém. Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, prepara-se para fazer o mesmo se não for reeleito, e até já avisou que as presidenciais deste ano poderão ser adiadas caso suspeite que não há condições para as fazer «livremente» (leia-se caso suspeite que as possa perder). Se houver eleições e for derrotado, não vão ser bonitas as manobras para se manter no poder — e, por arrasto, ficar impune dos crimes de que é acusado, ele e os filhos, que são muitos e feios. Resta esperar que o famoso «sistema», que ambos odeiam e nos EUA tremeu mas não caiu, seja capaz de o tirar do Planalto caso perca e não saia pelo próprio pé.
Subscrever:
Comentários (Atom)
