30 de julho de 2003

Se você, caro leitor, não sabe quem é Arvo Pärt, deixe-me que lhe diga que não sabe o que perde. Não, não é jogador de futebol ou apresentador de "reality shows". É um compositor estónio, 67 anos, autor de algumas obras que eu considero sublimes. Sim, eu disse sublimes. Ouçam "Für Alina" e "Te Deum", de preferência a recato, e verão do que falo. Garanto-vos que são duas verdadeiras obras-primas, que eu já ouvi uma dúzia de vezes e ainda não me cansei. Alguém disse que ouvir a música de Pärt é como estar na presença de deus. Um exagero, é claro. Mas eu, que ateu me confesso, não contesto. O que pensará o Crítico disto?
O Valete Frates! chama a atenção para um artigo de Denis Boyles, na National Review de ontem. É sobre o comportamento «exemplar» da BBC na guerra do Iraque, que muito gente considerou «independente».
O 11 de Setembro foi «feito» para justificar o aumento das despesas com a defesa dos EUA, garante Isabel do Carmo no "Público" de hoje. Não, não é mais uma teoria da conspiração, diz a senhora. Trata-se apenas de um disparate, diria eu.

29 de julho de 2003

Dois anos e tal depois de ter deixado de fumar, descobri, após exaustiva inspecção ao guarda-roupa, que 17 pares de calças — dezassete — deixaram de me servir. Isto para já não falar das camisas, que não me dei ao trabalho de contar. Pois é. Isto de deixar de fumar tem consequências, e não só ao nível dos furos no cinto. Deixar de fumar é uma espécie de lavagem por dentro que, até ver, compensa.
Olhando o que por aí se escreve nos blogues, cada vez se torna mais evidente que os jornais estão cheios de analfabetos.

28 de julho de 2003

Vi a reportagem sobre os blogues em dois jornais televisivos. Fiquei a saber que a bomba inteligente é mesmo uma bomba, tem gato e fica embaraçada quando fala para a tv. Quanto ao resto, nada de novo: sempre os mesmos a dizer o mesmo. Dor de cotovelo, é claro.
Só agora li as parvoíces de Lúcia Guimarães, que parece muito incomodada com os blogues. Que bicho lhe terá mordido? Decididamente que a liberdade dos blogues incomoda muita gente.

25 de julho de 2003

Miguel Sousa Tavares sente-se traído na confiança que depositava nos juízes. Diz ele que «as ilusões de ontem foram caindo aos poucos, a golpes sucessivos de corporativismo, cegueira e arrogância da nossa magistratura». Um ataque demolidor à justiça que vale a pena ler com atenção.
«Só mesmo o reaccionarismo da maioria dos actuais governos da periferia da Europa do Sul e do Leste, incapazes de responder ao desafio da integração política europeia, explica o extemporâneo apoio à Administração norte-americana», diz Villaverde Cabral na sua crónica de hoje. E o que é o reaccionarismo? Bom, o reaccionarismo é uma daquelas coisas que se dizem sempre que não se tem argumentos credíveis para se sustentar uma ideia.

24 de julho de 2003

«Faz sentido que sendo a prisão preventiva uma medida excepcional, os presos preventivos representem em Portugal cerca de um terço do total de reclusos?», pergunta um conjunto de personalidades num manifesto assinado, entre outros, por Mário Soares e Freitas do Amaral. De facto, a serem verdadeiros (e acredito que sejam verdadeiros), estes números dão que pensar. Que pensar dão também as escutas telefónicas a Ferro Rodrigues, que parecem continuar. Gostaria de acreditar que o líder do PS está a ser escutado pela simples razão de que ninguém está acima da lei. Mas tenho dúvidas, muitas dúvidas.

23 de julho de 2003

Parece que há uma literatura de Verão — ou para ser lida no Verão, como os jornais não se cansam de nos lembrar com a publicação de listas e inquéritos. Eu tenciono ler nas férias aquilo que leio habitualmente e não consigo imaginar porque haveria de ser de outra maneira. Aliás, cada vez me convenço mais de que esta suposta literatura de Verão não passa de invenção dos jornais. Porque no Verão só lê quem já lê o resto do ano. Quem não lê o resto do ano, porque haveria de ler nas férias de Verão?

22 de julho de 2003

Vale a pena recordar aqui como Eça de Queirós, citando o autor de Madame Bovary, definiu o que é escrever bem: «Flaubert catava dos seus livros todos os termos que não pudessem ser usados na conversa pelo seu criado: daí vem ele ter produzido uma prosa imortal. E a razão é que só os termos simples, usuais, banais, correspondendo às coisas, ao sentimento, à modalidade simples, não envelhecem. O homem, mentalmente, pensa em resumo e com simplicidade, nos termos mais banais e usuais. Termos complicados, são já um esforço de literatura — e quanto menos literatura se puser numa obra de arte, mais ela durará.»

21 de julho de 2003

Ferro Rodrigues diz que querem «decapitar a direcção do PS» e que está em jogo o futuro da democracia. Segundo ele, trata-se de forças que «não são eleitas», que conseguem «fundir interesses financeiros», «mediáticos» e «fugas de informação». E que não têm quaisquer problemas em recorrer à «mentira», à «infâmia» e à «calúnia». Mesmo tendo em conta alguma demagogia, isto dá que pensar.
Graças às novas tecnologias, nomeadamente à Internet e ao "e-book" (sobre o qual já escrevi uma crónica), levei para a praia as últimas edições do "Diário de Notícias", do "Público" e do "Expresso", bem como os últimos textos de alguns blogues. Assim fiquei a saber que nada se passou na terrinha que mereça um comentário. Ou então foi do sol, da praia ou do mar, que tudo tornou secundário e nada interessante. A única coisa de que me lembro é da crónica de Inês Pedrosa, no "Expresso", onde ela pinta um interessante retrato do português médio. Além da novela Pinto da Costa, a que os jornais se agarram com unhas e dentes.

17 de julho de 2003

Segundo o "Público", o ex-secretário de Estado da Comunicação Social Arons de Carvalho terá instado a Alta Autoridade para a Comunicação Social e o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas «a reagir ao "código de conduta" que o "Expresso" publicou na sua última edição.» Nomeadamente no que se refere às escutas telefónicas, que o resto até acha «razoável». E o que diz o famoso "código de conduta" sobre as escutas telefónicas? Vejamos: «Os jornalistas não devem recorrer a aparelhos de escuta ou à intercepção de conversas telefónicas privadas, nem devem publicar informação obtida clandestinamente através daqueles meios». Mas com uma ressalva: a não ser que haja «interesse público». Ora, não se percebe porquê tanto alarido. O "código de conduta" do "Expresso" mais não é de que uma carta de intenções — e toda a gente sabe que não é para cumprir. Aliás, as abundantes ressalvas que nele se fazem encarregam-se largamente de demonstrar que aquilo é só para inglês ver.
Cada vez gosto mais de ler os Textos de Contracapa. Os dois últimos "posts" são crónicas sobre António Lobo Antunes e José Gomes Ferreira, ambas publicadas no DNA. Excelente a crónica sobre Lobo Antunes; uma delícia a crónica sobre José Gomes Ferreira.

16 de julho de 2003

É hoje que vou ler "O Estrangeiro", de Camus, que veio com o "Público" da última quarta. Li as primeiras duas páginas e não me apeteceu nada ter que adiar o restante para mais logo. Lá se vão os planos de acabar "Casei com uma Comunista", de Philip Roth, um livro cuja estória se passa aqui bem perto.
O Almocreve das Petas disse que eu aprendi «depressa as metodologias da administração neoconservadora americana». Eu só posso agradecer o reparo. Em primeiro lugar, porque os acessos ao meu blogue subiram em flecha. Em segundo, aprender depressa pode ser um sinal de inteligência.

15 de julho de 2003

Face às "evidências" que demonstram o "embuste em que se baseou a invasão do Iraque", o senhor Vital Moreira acha que "os variegados campeões da guerra" lhe devem uma explicação. E pergunta: "Por que esperam?" Ora, não querendo eu responder por eles, diria que os "campeões da guerra" esperam que Vital Moreira se retrate de todas as mentiras que não se cansou de escrever sobre a invasão do Iraque.
Segundo o "Diário de Notícias", continua a discutir-se, na Assembleia da República, que vai a Cancun participar num encontro parlamentar da Organização Mundial do Comércio. Será que esta gente não tem vergonha na cara?

14 de julho de 2003

A revista "Grande Reportagem", que parece ter os dias contados (vai passar a suplemento do "Diário de Notícias"), é uma publicação que se lê com prazer. Mais do que o conteúdo, a "GR" é uma revista muito bem escrita. Nota-se ali a mão de Francisco José Viegas, um escritor de quem só tenho lido as crónicas no "Jornal de Notícias" (muito bem escritas, aliás) e, mais recentemente, os textos publicados no Aviz. A "Grande Reportagem" mereceu, em tempos, uma crónica na minha página pessoal, onde eu manifestei reservas aquando da saída de Miguel Sousa Tavares, então director. Contrariamente ao que eu temia, não tenho dúvidas de que a revista mudou para melhor. Não propriamente ao nível do conteúdo, que me parece mais ou menos na mesma, mas ao nível da escrita e dos colunistas (estou a lembrar-me das crónicas de António Sousa Homem, por exemplo). Francisco José Viegas está de parabéns.
«The Iraqi government in the 1990s admitted to U.N. weapons inspectors that it had produced 8,500 liters of anthrax and a few tons of VX. Where are they?», pergunta Robert Kagan no Washington Post. Esta e outras perguntas, que os mais recentes acontecimentos procuram escamotear, continuam por responder.

11 de julho de 2003

Manuel Falcão chama a atenção para o "Código de Conduta" que o "Expresso" estará em vias de publicar. «A dúvida está em saber como regulamentam a publicação de fretes e em conhecer o livro de estilo da publicação de escutas telefónicas», adverte o jornalista. Os Marretas (atenção às «pequenas histórias sobre uma curta viagem» à Alemanha) tratam o semanário do arquitecto Saraiva por "jornal do saco". Está visto que há por aí um ódio de estimação ao "Expresso". E, já que se fala de jornais, atenção ao Guerra e Pas, onde se faz uma interessante análise sobre a imprensa portuguesa ("Visão", "Público" e "Expresso", até ver). Ainda em matéria de novidadas fresquinhas, Miguel Esteves Cardoso acha que os blogues constituem uma autêntica «revolução». E a entidade do Pipi conheceu mais um palpite: Rui Ângelo Araújo desconfia que se trata de João Pereira Coutinho, e diz não estar sozinho: há, pelo menos, mais uma pessoa que assim pensa. E mais outra, que sou eu.
«A recente guerra no Iraque não provocou apenas baixas militares: também causou baixas no jornalismo de referência», diz José Manuel Fernandes no editorial de hoje. Segundo o director do "Público", as baixas foram a BBC e o "New York Times", embora eu pense que tenha havido muitas mais (ver Valete Fratres!). Ainda no "Público" de hoje, especialmente para quem gosta de ler, a crónica de João Bénard da Costa.
Afinal, não foi só no dia da bola que os nossos deputados se baldaram aos trabalhos parlamentares em quantidades industriais, avisa o "Diário de Notícias" de hoje. Vinte e três por cento dos ditos senhores (65, pelas minhas contas) faltou ao plenário do dia 11 de Junho, um dia que teve a particularidade de ficar entalado entre os feriados do Dia de Portugal e de Santo António.

10 de julho de 2003

Mário Bettencourt Resendes atribui o abaixamento das vendas da imprensa generalista por todo o mundo ao «progresso dos media electrónicos», à «modificação de hábitos quotidianos» e ao «envelhecimento da idade média dos leitores». Mas acrescenta que, em Portugal, «o número de leitores de jornais, designadamente diários, aumentou ao longo da última década». Assim sendo, como explicará ele a queda de vendas do "DN"? Não será porque aligeirou demasiado o conteúdo, aproximando o "DN" da chamada imprensa popular?
"Polícia que leva nos cornos" é o título da crónica de Francisco José Viegas, no "Jornal de Notícias" de hoje. Para ler e recomendar.

9 de julho de 2003

"História Secreta de Uma Novela" é um "livrinho" que me trouxe à memória gratas recordações. Digo "livrinho" porque o formato (minúsculo) me fez lembrar a colecção "Seis Balas", salvo erro editada pela Agência Portuguesa de Revistas, que teve o mérito de me incutir o hábito da leitura. Para quem não sabe ou não se lembra, a colecção "Seis Balas" era constituída por uns livrinhos de "cowboys" escritos por autores portugueses disfarçados de americanos. As estórias eram todas iguais e invariavelmente terminavam com o artista a casar com uma boazona. O livro de Vargas Llosa fez-me ainda lembrar "Cartas a Um Jovem Poeta", de Rilke, que eu comprei numa livraria das Twin Towers de Nova Iorque com o intuito de sobre ele escrever um ensaio. Lembro-me que foi o primeiro livro que eu vi num formato tão pequeno, e que decidi comprá-lo porque eu gostava de Rilke. Além destas gratas lembranças, "História Secreta de Uma Novela" não é a "obra-prima" que me recomendaram, mas quase. É uma estória despretensiosa (na realidade é o texto de uma conferência na Washington State University, em 1968), que se lê num par de horas e que deixa água na boca. Há livros assim, mas cada vez menos. Nos últimos tempos só Francisco Coloane, um chileno que escreveu estórias belíssimas e onde hei-de voltar.

8 de julho de 2003

Os portugueses emborracham-se antes de ir para a estrada. Se não se emborracham, vão para a estrada como quem vai para uma corrida. Às vezes misturam as duas coisas — e com mais frequência do que seria de imaginar. O resultado de tudo isto só podia ser catastrófico: mortos e feridos em barda, especialmente ao fim de semana. Dos 30.272 automobilistas controlados pela Brigada de Trânsito durante o mês de Junho, 1.011 beberam mais que o normal. Dos 520.533 veículos fiscalizados pela GNR no mesmo período, 17.357 foram apanhados em excesso de velocidade. Tendo em conta a escassa fiscalização das autoridades, quantos mais seriam apanhados com excesso de álcool ou velocidade caso houvesse mais fiscalização? O dobro? O triplo? Ou será que passaria a haver menos?
Tirando quando nos interessam, sondagens são sondagens. Mas a que o "Público" divulgou no último domingo, sobre o que as pessoas pensam da justiça portuguesa, parece-me muito próxima da verdade. Os portugueses acham que «existem dois pesos e duas medidas nos tribunais»; que «os ricos e os poderosos conseguem mais vezes o que querem dos tribunais»; que há demasiada lentidão nos processos e excesso de amnistias. Nada que já não se soubesse, evidentemente. Mas é sempre bom haver números que o confirmem.

7 de julho de 2003

O editorial de Nuno Pacheco no "Público" de domingo tresanda a anti-americanismo primário. E depois não gosta esta gente que lhe chamem anti-americanos primários, que eles dizem nada ter nada contra os americanos mas sim contra Bush-filho. Como ontem tiveram contra Clinton e anteontem contra Bush-pai, lembram-se?
Hoje apetece-me recomendar três cronistas brasileiros que leio regularmente. São eles Luís Fernando Verissimo (O Globo e O Estado de São Paulo), João Ubaldo Ribeiro (O Globo e O Estado de São Paulo) e Mário Prata (O Estado de São Paulo). Bem sei que deve haver mais cronistas interessantes no Brasil, mas tenho andado sem grande tempo para pesquisas. Se alguém me quiser recomendar algum, sou todo ouvidos.

4 de julho de 2003

Após semanas seguidas de chuva e de temperaturas baixas para a época, eis que chegou o Verão. Os americanos aproveitaram o dia de hoje (aniversário da independência dos EUA) para se escaparem para a praia, tanto mais que hoje se iniciou um fim-de-semana prolongado. O resultado desta ânsia de sol e de praia não podia ser pior: estradas entupidas, filas nos prontos-a-comer, gente em cada palmo de areia. Salvaram-me uma centena páginas de "The Happy Isles Of Oceânia", de Paul Theroux, o melhor escritor de viagens depois de Bruce Chatwin.

3 de julho de 2003

Tal como aconteceu com a descoberta de Fernando Pessoa e, mais tarde, António Lobo Antunes, a descoberta de Vergílio Ferreira foi um deslumbramento. Nelson de Matos lembrava recentemente, no Textos de Contracapa, alguns episódios passados com o autor de "Para Sempre", e chamou a atenção para "Alegria Breve", que considera «um dos mais enigmáticos e fascinantes romances da literatura portuguesa contemporânea». É lamentável verificar, sete anos após a sua morte, como Vergílo Ferreira está completamente esquecido.
"A Cidade e os Cães", de Vargas Llosa, pode ser um bom livro. Mas eu já o tentei ler variadíssimas vezes e não consigo. Hoje coloquei-o na prateleira dos livros adiados, provavelmente para sempre, onde já existe um número considerável de "obras-primas".

2 de julho de 2003

À semelhança do que acontecia na China há uns anos atrás, onde o Dia Mundial do Combate à Droga seria comemorado com o fuzilamento de várias dezenas de traficantes e consumidores de droga, Luís Fernandes defendeu hoje, no "Público", o método dos chineses como «um acto importante». Porque «no combate à droga não pode haver cedências nem contemplações», argumenta. O senhor Fernandes fez-me lembrar que já vai sendo tempo de haver um debate sério sobre a legalização da droga, que eu defendo há muitos anos. Porque não começar este debate nos blogues?

1 de julho de 2003

Há por aí um ror de gente que não se cansa de lembrar que os chamados neoconservadores têm um passado de esquerda — ou mesmo de extrema-esquerda. Embora o (aparente) pudor os impeça de dizer o que pensam, é evidente que esta gente quer dizer que a mudança da esquerda para a direita constitui um pecado. Ora eu aconselharia a reflectir no seguinte: porque será que os esquerdistas se mudam com frequência para a direita e raramente se vê o contrário?

30 de junho de 2003

Só mais uma coisa sobre o Pipi. Quando é que a Opus Gay lhe põe um processo? Não será um caso flagrante de ofensas contra os homossexuais e de homofobia?
O Meu Pipi deu uma entrevista ao "Expresso", terá uma proposta para publicar um livro e já foi motivo para um (excelente) poema de Vasco Graça Moura (publicado pelo Abrupto). Quer isto dizer que o Pipi daqui a nada já foi?
Um estudo efectuado pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros concluiu que os portugueses lêem, em média, 11 livros por ano. Como sempre acontece que são divulgados números sobre esta matéria, não há comentador de serviço que não venha dizer que os portugueses lêem pouco. Ora, sem querer contestar o estudo em causa (desconheço os métodos utilizados e não sou especialista na matéria), eu não acredito que os portugueses lêem, em média, 11 livros por ano. Mas imaginemos que sim, que o número reflecte a realidade. Nesse caso, porquê tanta lamúria? Não seria um número razoável?

27 de junho de 2003

Eça de Queirós fazia, nas "Cartas de Inglaterra", o seguinte retrato de Portugal:
«Somos o que se pode dizer um povo de bem, um povo boa pessoa. E a nação, vista de fora e de longe, tem aquele ar honesto de uma pacata casa de província, silenciosa e caiada, onde se pressente uma família comedida, temente a Deus, de bem com o regedor e com as economias dentro de uma meia... A Europa reconhece isto: e todavia olha para nós com um desdém manifesto. Porquê? Porque nos considera uma nação de medíocres: digamos francamente a dura palavra — porque nos considera uma raça de estúpidos».
E depois acrescentava:
«Dir-me-ão que eu sou absurdo ao ponto de querer que haja um Dante em cada paróquia e de exigir que os Voltaires nasçam com a profusão dos tortulhos. Bom Deus, não! Eu não reclamo que o país escreva livros, ou que faça artes: contentar-me-ia que lesse os livros que já estão escritos e que se interessasse pelas artes que já estão criadas. A sua esterilidade assusta-me menos que o seu indiferentismo. O doloroso espectáculo é vê-lo jazer no marasmo, sem vida intelectual, alheio a toda a ideia nova, hostil a toda a originalidade, crasso e mazorro, amuado ao seu canto, com os pés ao sol, o cigarro nós dedos e a boca às moscas...»
Será que nos afastávamos assim tanto deste retrato?

26 de junho de 2003

Graças a uma mudança no Blogger, os caracteres acentuados começaram por não aparecer correctamente. Depois, fui obrigado a mudar o "template". O que virá a seguir?
Se bem se lembram, o Governo decidiu contribuir com uma força da GNR para o processo de paz do Iraque. Após ter sido tomada a decisão, descobriu-se que a GNR não tinha equipamento adequado para desempenhar a missão. Agora, o ministro da tutela já fala em atrasar um mês a partida para o Iraque de molde a garantir que os nossos patrícios partam com todos os meios necessários. Ou então, diz o ministro, resta-nos pedir material emprestado aos italianos. Se esta estória tivesse moral, a moral só poderia ser esta: quando já não for precisa para nada, a nossa GNR estará pronta a actuar.

24 de junho de 2003

Só agora tive oportunidade de ler o famoso texto de Pedro Rolo Duarte sobre os blogs, no "DNA", graças a uma alma caridosa que se encarregou de fazer circular uma cópia pela Internet. Além da ignorância de Pedro Rolo Duarte acerca dos blogs, fiquei a saber que o director do DNA, se pudesse, legislaria no sentido de que os blogs só existiriam com a seguinte "reserva legal": "só a eles deveriam ter acesso os que, pelas mais diversas razões, não têm espaço próprio nos órgãos de comunicação". Alguém me sabe dizer qual é o problema de Pedro Rolo Duarte?
O presidente Bush não disse que as armas de destruição maciça do Iraque "foram destruídas pelos iraquianos antes do ataque norte-americano", como nos quer fazer crer Vital Moreira na sua crónica de hoje. O que o presidente Bush disse foi que a destruição dessas armas pelos iraquanos antes do ataque norte-americano é uma possibilidade, o que é diferente. E depois vem o senhor Vital falar de mentiras.

23 de junho de 2003

Depois do chumbo no referendo, em 1998, aí está a versão dois da regionalização. Agora com cinco regiões em vez de oito, porque os socialistas nos querem convencer de que a regionalização teria vingado caso tivessem sido propostas cinco regiões em vez de oito. "Grande parte das pessoas que defenderam o 'não' em 1998 (...) não eram contra a regionalização mas contra o modelo então proposto a referendo", garante o líder do PS/Porto. E com base em quê que Francisco Assis garante a suposta evidência? Com base em coisa nenhuma, evidentemente.

22 de junho de 2003

A Constituição Europeia, de que tanto se tem falado nos últimos dias, não é precisa para nada, garante António Barreto.

20 de junho de 2003

Manuel Villaverde Cabral escreveu, no «DN», uma crónica contra os reaccionários. Mas, afinal, o que é um reaccionário?
A escritora J. K. Rowling, que deu à estampa o famoso «Harry Potter», sente-se culpada por ser rica. Eu, que não dei à estampa coisa alguma, sinto-me culpado por o não ser. Moral da história: ninguém está bem com aquilo que tem (ou não tem).
«Vão longe os tempos épicos em que o jornalista era associado a uma imagem de cavaleiro sem mácula, batalhando denodadamente pelo interesse público e a busca da verdade», diz Vicente Jorge Silva na sua última crónica no «Diário Económico». Por uma vez estamos de acordo.

19 de junho de 2003

Várias têm sido as pessoas que me têm perguntado porquê «Esmaltes e Jóias». Aqui vai a resposta: trata-se do título da obra de estimação de Artur Corvelo, personagem principal de «A Capital», que eu não me canso de ler e recomendo vivamente. Aliás, raramente se fala deste livro quando se fala de Eça de Queirós, o que me parece uma injustiça. «A Capital» nada fica a dever a «Os Maias», por toda a gente considerado uma obra-prima (mesmo por quem nunca leu o livro).

18 de junho de 2003

Já toda a gente sabe mas nunca é demais repetir: Francisco José Viegas tem um blog. Ou seja, outra boa notícia.
Um bordel australiano está a oferecer um desconto de 5% aos aposentados que usarem os seus serviços. A ideia é aumentar a clientela dessa faixa etária, que ao fim de semana já representa 20 por cento do total. Vinte por cento do total? Sim, vinte por cento do total. O proprietário do bordel garante que todas as funcionárias foram treinadas em primeiros-socorros e "técnicas de ressuscitamento", para o que der e vier. E ainda dizem que não há boas notícias.

16 de junho de 2003

O prof. César das Neves decretou o fim do jornalismo. Calma, é só para o ano 2020. Alguém imagina a razão do óbito? A falta de censura, pois então.
Foi impressão minha, ou os jornalistas portugueses que estiveram no Iraque, hoje homenageados pelo ministro Morais Sarmento, estavam envergonhados?
As 170 mil obras supostamente roubadas do Museu de Bagdad logo após a entrada da tropa americana naquela cidade eram, afinal, 33. Quem o disse foi o próprio director do museu e não me lembro de ter visto qualquer rectificação na imprensa portuguesa. Os pormenores estão no Washington Post do dia 8 de Junho.

13 de junho de 2003

Definitivamente que os blogs estão na moda. Depois de várias referências nos jornais, os blogs mereceram editorial no "Público" e comentários pertinentes de Pacheco Pereira no "Abrupto". Só faltou ao eurodeputado dizer que há uma espécie de "pacto estratégico" entre os blogs com o seguinte objectivo: ora agora falo eu bem de ti, ora agora falas tu bem de mim. Tirando isto, está lá tudo.
José Saramago está senil, diz Maria Filomena Mónica no "Público" de hoje. Uma crónica inteiramente dedicada ao "Fórum Social Português" que vale a pena ler com atenção.

12 de junho de 2003

"As verbas referentes à construção dos dez estádios [que vão albergar o Euro'2004] já derraparam em mais de 127 milhões de euros", diz o "Diário de Notícias" de hoje. Mas o secretário de Estado do Desporto já desmentiu. O que há, diz ele, são "ajustamentos". Não há nada como as subtilezas da língua.

11 de junho de 2003

Ainda estou a digerir a conferência de imprensa e a entrevista da dona Fátima Felgueiras. Mas, para já, posso dizer que se cumpriu o que se esperava: a senhora está inocente, não fugiu às responsabilidades, é uma vítima do (mau) funcionamento da justiça. O único dado que eu não esperava é que ela se considerasse uma "exilada política". Mas, bem vistas as coisas, o senhor Ramalho (advogado da senhora) já o tinha dado a entender. Tudo isto em directo nas televisões, em horário nobre, como num país do terceiro mundo.

10 de junho de 2003

A senhora Felgueiras vai, finalmente, pôr a boca no trombone e explicar porque resolveu mandar-se para o Brasil. Não esqueçam: é já amanhã, às 16:00 horas locais (20:00 de Lisboa e Londres, 21:00 de Paris, 15:00 de Nova Iorque).
Os cigarros nos écrans estimulam os jovens a fumar, diz mais um estudo. Quanto tempo faltará para assistirmos ao "Casablanca" sem fumo?

9 de junho de 2003

Mário Soares, Ruben de Carvalho e Miguel Sousa Tavares insistem em dizer que Wolfwitz disse o que não disse, apesar de saberem que a versão que para aí circula foi deturpada. Esta gente tem tanto horror à verdade que não hesita em mudá-la de molde a servir os seus próprios desejos. Bem podem os jornais fazer desmentidos solenes, como foi o caso do "Público" e do "Guardian", que nada demove estes senhores. Sim, há a possibilidade de esta gente nem sequer se ter dado ao cuidado de ler as declarações de Wolfwitz, o que seria imperdoável mas teria atenuante. Só que, se assim for, será que vão repor a verdade nas próximas colaborações nos jornais? Evidentemente que não vão.

6 de junho de 2003

Em vez de se documentar, como seria sua obrigação, Miguel Sousa Tavares deixou-se levar pela onda de mentiras que por aí circulam e que atribuem a Paul Wolfowitz coisas que ele não disse. Depois aproveita para acrescentar mais umas "provas" que só ele conhece e ajuntar mais um chorrilho de mentiras, valha a verdade que nem todas da sua autoria. Com certeza que são respeitáveis todas as ideias, mesmo as mais disparatadas. Mas a mentira definitivamente que não é.
Finalmente aparece alguém da chamada imprensa de referência (os blogs já o fizeram há muito tempo) a repor a verdade sobre o caso Wolfowitz. José Manuel Fernandes, director do "Público" (jornal não isento de pecados nesta estória), escreve hoje sobre o caso.

4 de junho de 2003

Numa das crónicas reunidas sob o título "Cartas de Inglaterra", Eça de Queirós faz um retrato da nação portuguesa que vale a pena lembrar: «(...) vista de fora e de longe, tem aquele ar honesto de uma pacata casa de província, silenciosa e caiada, onde se pressente uma família comedida, temente a Deus, de bem com o regedor e com as economias dentro de uma meia... A Europa reconhece isto: e todavia olha para nós com um desdém manifesto. Porquê? Porque nos considera uma nação de medíocres: digamos francamente a dura palavra – porque nos considera uma raça de estúpidos». Será que o retrato do Portugal actual mudou assim tanto?

3 de junho de 2003

O professor Abdelilah Suisse disse hoje, no "Público", que a Al-Jazira tem tido um «excelente papel informativo e didáctico na mentalidade dos cidadãos árabes, tornando-se, sem dúvida, o modelo ideal da boa informação». Modelo ideal da boa informação? Foi o que ele disse. A teoria do sr. Abdelilah fez-me logo lembrar o artigo da capa da última "Spectator", que aconselho vivamente.

2 de junho de 2003

O "Público" de hoje publicou uma curiosa rectificação de Maria José Nogueira Pinto. Segundo ela, não é verdade que tenha dito que também teria fugido para o Brasil caso estivesse na mesma situação que Fátima Felgueiras, como o "Público" noticiou em primeira página. Se lhe perguntassem o que faria numa situação dessas, Maria José teria respondido assim: «a única resposta séria é talvez». E deu-se ela ao trabalho de fazer uma rectificação para nos dizer isto.

1 de junho de 2003

«Se (...) as armas [de destruição maciça] não forem encontradas, então esta guerra [do Iraque] não teve qualquer legitimidade», disse Mário Soares numa conferência. Quer isto dizer que a guerra teve legitimidade se as tais armas forem encontradas? Tudo indica que sim. Assim sendo, trata-se de uma evolução da "teoria" do dr. Soares sobre a guerra. Primeiro, era ilegítima. Depois, passa a sê-lo se forem encontradas as armas.

31 de maio de 2003

José Manuel Fernandes decidiu criticar a maneira de vestir do juiz Rui Teixeira. Como se esperaria, apanhou por tabela. Em resposta aos leitores, o director do Público voltou, porém, a insistir no que designa por "códigos de comportamento social" para justificar as suas críticas.
Depois de tudo o que lhe tem acontecido nos últimos dias, só faltava a Ferro Rodrigues ser apanhado a 200 à hora.
Maria José Nogueira Pinto acha que a senhora Fátima Felgueiras fez muito bem em se mandar para o Brasil. Se estivesse no lugar de Felgueiras, Maria José teria feito exactamente na mesma, disse ela à Rádio Renascença.

30 de maio de 2003

Definitivamente que a classe política já viu melhores dias. Ele é Paulo Pedroso detido preventivamente por suspeita de crimes de abuso sexual de menores, ele é Fátima Felgueiras fugida à Justiça, ele é Ferro Rodrigues que vai testemunhar no processo da Casa Pia, ele é João Soares e Paulo Portas que vão depor no caso Moderna. Com certeza que nenhum deles é culpado (ou suspeito, conforme os casos) até que a Justiça assim o entenda. Só que, até prova em contrário, o "tribunal" da opinião pública já decidiu que eles são culpados.

29 de maio de 2003

«A esmagadora maioria dos portugueses e dos europeus não debateu, não foi consultado, não delegou poderes no grupo de pessoas que prepararam um texto [Constituição Europeia] que, pela sua natureza, será o cume do ordenamento jurídico europeu, vinculando as constituições nacionais», alerta Pacheco Pereira na sua crónica de hoje. Um processo que, segundo ele, tem muito pouca legitimidade democrática.
José Manuel Fernandes decidiu levantar algumas questões pertinentes acerca do estado da Justiça. Só que, a dado passo, disse esta pérola: «É razoável que o juiz deste processo [Rui Teixeira], que deveria cultivar a distância e o recolhimento, apareça nas televisões, em ténis, jeans e t-shirt, deixando cair uma ou outra palavra quando devia estar calado? Não deveria um juiz, símbolo da justiça e do seu equilíbrio, cultivar uma imagem de dignidade e severidade, incompatível com a pose desportiva com que surge diariamente perante os portugueses? Se nos tribunais se continuam a utilizar togas e a respeitar um conjunto de formalidades destinadas a construir uma imagem de severidade e respeito, não entenderá este juiz que deve respeitar um mínimo de formalidade na forma como se veste sob pena de criar a imagem que este caso está nas mãos de alguém sem maturidade?»

28 de maio de 2003

Estou a reler "Cartas Inéditas de Fradique Mendes" e não resisto a citar uma passagem: «Flaubert catava dos seus livros todos os termos que não pudessem ser usados na conversa pelo seu criado: daí vem ele ter produzido uma prosa imortal. E a razão é que só os termos simples, usuais, banais, correspondendo às coisas, ao sentimento, à modalidade simples, não envelhecem.» Isto devia ser aprendido de cor por todos os escribas em geral e literatos em particular.

27 de maio de 2003

Como diria o brasileiro Mário Prata, Clara Ferreira Alves continua a encher linguiça. A última vez (que eu saiba) que nos serviu uns enchidos foi no Diário Digital. E depois queixa-se que escrever é uma actividade muito mal paga.

26 de maio de 2003

Eduardo Prado Coelho está zangado com o mundo. Mais exactamente com o pequeno mundo da Justiça, que pretende "minar o país" e "converter o PS de vítima em culpado". As angústias de Prado Coelho no "Público" de hoje.
Paulo Portas e Santana Lopes são os responsáveis políticos pela famosa "cabala" contra o PS, terá dito João Soares na comissão nacional dos socialistas. Segundo o "Público", que não fala de Santana Lopes (ao contrário do "Diário de Notícias"), João Soares terá ainda referido três magistrados "interessados na fragilização das instituições" e, supõe-se, do PS. Eu não acredito em nada do que diz João Soares sobre esta matéria. Mas estou curioso de saber o que é que isto vai dar.

24 de maio de 2003

"Face à reacção desadequada de Ferro Rodrigues perante esta situação [detenção de Paulo Pedroso], ficou a imagem de um líder que se atola desastradamente na primeira grande crise que teve de enfrentar e agarram-se-nos perguntas incontornáveis: a actual liderança do PS está de facto preparada para exercer o poder?", pergunta Helena Matos no "Público" de hoje.

23 de maio de 2003

"É preciso investigar e punir quem está a quebrar o segredo de justiça", disse o bastonário da Ordem dos Advogados ao Diário de Notícias de hoje. Há quantos anos andamos a ouvir isto?

22 de maio de 2003

O escritor Saramago afirmou, numa entrevista a uma rádio mexicana, que está em marcha um plano dos Estados Unidos para dominar o mundo. Plano esse que, segundo ele, "começou a ser elaborado nos anos 20 e não tem nada a ver com os atentados às Torres Gémeas de 11 de Setembro". Interrogado sobre a questão de Cuba, o autor do "Ensaio sobre a cegueira" repetiu o que tem vindo a dizer nos últimos dias: que "a revolução se distanciou de si mesma". Mas desta vez com uma ressalva: "Para que não exista algum engano, a solidariedade ao povo cubano mantém-se intacta". E quem não é solidário com o povo cubano?, interrogar-se-ão algumas almas. Infelizmente o entrevistador esqueceu-se de lhe perguntar.

21 de maio de 2003

O deputado Paulo Pedroso está a ser vítima de uma "montagem e infâmia", disse Ferro Rodrigues. E, depois, prometeu o combate da sua vida contra aqueles que designou por "caluniadores", que terão insinuado o seu nome no escândalo da Casa Pia. Isto dá que pensar, não dá?

20 de maio de 2003

Verdadeiramente impressionante o que se passou em Felgueiras (e continua a passar-se) por causa da dona Fátima, que resolveu mandar-se para o Brasil logo que soube que ia ser presa. Agora são os socialistas locais, que ameaçam formar um partido ou "um movimento independente". Até o advogado da senhora, especialista em defender criminosos famosos, parece saído de uma opereta.
Afinal, García Márquez negou ter defendido a legalização da droga. Os jornalistas deturparam o que ele disse, acusou o escritor. Uma pena.
"Sabia que Portugal tem 22 distritos? E que a Ditadura Militar teve início em 1923? Ou que durante o Estado Novo um dos órgãos de soberania nacional era a Assembleia Geral? Estes não são erros de um qualquer compêndio de «asneiras» de estudantes portugueses, mas sim factos constantes de um manual escolar de estudo do meio escolhido por dezenas de professores e adoptado em inúmeras escolas de Portugal", reza esta notícia no "DN" de hoje.

19 de maio de 2003

O escritor García Márquez defendeu a legalização das drogas como forma de resolver o problema da violência no seu país. "Não é possível imaginar o fim da violência na Colômbia sem a eliminação do narcotráfico", disse o Nobel de Literatura, acrescentando que "não é possível imaginar o fim do tráfico sem a legalização da droga". Depois de ter reafirmado o seu apoio ao regime cubano após os mais recentes incidentes, o autor de "Cem Anos de Solidão" regressou à lucidez.

18 de maio de 2003

Em jeito de resposta ao deputado Manuel Alegre, Vasco Pulido Valente publicou uma crónica sobre os "jotas" que vale a pena ler. Aliás, valia a pena uma discussão sobre as "jotas", embora o resultado se adivinhe confrangedor.

16 de maio de 2003

O disco duro do meu computador resolveu dar o berro. Para quem não sabe o que isso significa, digamos que é mais ou menos como ler as crónicas da Margarida Rebelo Pinto ou do César das Neves.

15 de maio de 2003

Segundo o Washington Post, a França vai queixar-se oficialmente ao governo dos EUA por aquilo que considera uma "campanha de desinformação organizada" dos media norte-americanos contra os franceses. Ora, não estando os media americanos nas mãos do governo, o que esperam os franceses com a queixa? Que o governo americano proíba os media de falar mal dos franceses? Decididamente que a política externa francesa, como a questão do Iraque largamente demonstrou, é verdadeiramente anedótica.

13 de maio de 2003

A ideia de construir um casino em pleno Parque Mayer como forma de recuperar aquele espaço da cidade de Lisboa gerou, desde a primeira hora, uma enorme controvérsia. Para uns, entre deixar o parque como está e construir um casino era melhor a primeira hipótese. Para outros, a construção do casino iria recuperar o espaço e revitalizar a zona. Em causa estava — pelo menos assim parecia — o futuro do Parque Mayer. Hoje, como se tem visto pelos últimos desenvolvimentos, tornou-se claro que a recuperação do Parque Mayer foi um mero pretexto. Porque o que está realmente em causa é construir um casino, seja ele no Cais de Sodré, no porto de Lisboa ou no Terreiro do Paço.

10 de maio de 2003

As toalhas usadas pelos tenistas nos "courts" de Roland Garros são portuguesas. Palavra de honra que é verdade. Vem no Expresso e tudo.

9 de maio de 2003

Miguel Sousa Tavares fez hoje, no "Público", uma análise impiedosa do jornalismo português. O retrato peca por exagero, mas pouco. Depois da guerra do Iraque, em que se fartou de dizer asneiras, MST voltou ao seu melhor.

8 de maio de 2003

O manifesto do dr. Soares e companhia é o tema da crónica que acabo de colocar na minha página pessoal.

7 de maio de 2003

Não faço a mais pequena ideia se Fátima Felgueiras saiu, ou não, do país. O que me espanta é que se anuncie aos quatro ventos a prisão preventiva da senhora e só muito depois se procure consumar o acto. Parece um convite à senhora para se pôr a milhas, não é?

6 de maio de 2003

O escritor José Saramago, que recentemente anunciou o seu distanciamento do regime cubano (sem que se tenha percebido o que houve de novo que o tenha feito mudar de ideias), acha que é muito importante "resgatar as vozes individuais do seio de uma voz colectiva", que às vezes pode tornar-se perigosa por anular os pensamentos pessoais. Não, não deu exemplos do que estava falar. Mas as vozes colectivas podiam ser o partido de que é militante ou os regimes comunistas presentes e defuntos, não podiam?
O meu "blog" mereceu uma referência lisonjeira na última "Grande Reportagem". Escusado será dizer que me fez bem ao ego. E, já que falo da "GR", aproveito para destacar o trabalho da capa (sobre a Coreia do Norte) e a crónica de António Sousa Homem.

5 de maio de 2003

Ruben de Carvalho não se conforma com a vitória dos aliados no Iraque. Desta vez o bode expiatório é o vice-director do "Diário de Notícias", a quem acusa de defender a guerra com "incontido gozo", "indiferença" e "chacota". A cegueira não perdoa.
Vasco Pulido Valente afirmou que votará Mário Soares se ele se candidatar nas próximas presidenciais. Será que estava a falar a sério?

2 de maio de 2003

Hoje foi dia de ouvir três entrevistas. A Mariza, a Gabriela Canavilhas e a Ruy Duarte de Carvalho. Todas no "Pessoal e Transmissível", de Carlos Vaz Marques, na TSF. Um exemplo de como se deve conduzir uma entrevista com inteligência e serenidade.