27 de setembro de 2007

Duvido que mais algum político no activo tivesse a coragem demonstrada por Santana Lopes ao abandonar a entrevista à SIC Notícias. Contrariamente ao que diz a estação de Carnaxide, a atitude do ex-primeiro-ministro não foi desproporcionada. Desproporcionada (e prepotente) foi a reacção da SIC ao vir dizer que o incidente não vai alterar a sua linha editorial, quando se esperaria um pedido de desculpas. Espera-se, ao menos, que o episódio lhe sirva de lição. À SIC, e às outras televisões.

26 de setembro de 2007

O clima instalado fazia prever que os «nossos rapazes» que disputaram o Mundial de râguebi iriam ser recebidos como heróis. Não que tenham feito um brilharete na prova, onde perderam todos os jogos e quase sempre por mais que muitos, mas porque... Bom, para dizer a verdade, não sei porquê. Aliás, tirando os indefectíveis da modalidade, desconfio que ninguém percebeu porquê. Cantavam o hino com vigor? Bonito. Foram exemplos de fair play? Excelente. Deram o que tinham e o que não tinham? Perfeito. Mas... e o resto? A única coisa que se exige a uma selecção numa competição desta envergadura é que sejamos uns gajos porreiros? É claro que «a onda» à volta da selecção de râguebi é simpática e muito saudável, mas não exageremos. Afinal, o que se diria da selecção caso a modalidade fosse outra e os resultados idênticos?

24 de setembro de 2007

Era só o que faltava que Ahmadinejad fosse autorizado a visitar o Ground Zero. Como entenderiam as famílias dos que lá morreram a excursão do presidente iraniano? Como não tomar a coisa como um insulto ao povo americano? Depois, que outra razão haveria para Ahmadinejad visitar o local que não a mera propaganda? Já quanto à conferência na Columbia, onde o reitor fez um discurso notável (disponível aqui), nada a dizer. Uma universidade privada tem o direito de convidar quem muito bem lhe apetecer e tomar as posições que entender, goste-se ou não. Claro que não escondo que gostei do rumo que as coisas levaram. Afinal, também eu receei que a conferência da Columbia se transformasse numa tribuna para o presidente iraniano dizer o que lhe apetecesse perante a passividade geral. Como se viu, sucedeu precisamente o contrário: Ahmadinejad foi alvo de um autêntico massacre, acabando o tiro a sair-lhe pela culatra — e arrependido de lá ter posto os pés.

20 de setembro de 2007

A selecção portuguesa de basquetebol que competiu no último Europeu limitou-se a não ser tão má como dantes — mas diz-se que fez uma grande figura. Agora, a selecção portuguesa de râguebi apanha cabazadas atrás de cabazadas — e garantem que foi um sucesso a participação no Mundial. O mais espantoso disto tudo é que a regra não se aplica ao futebol, onde não se aceita que a selecção não esteja ao nível das melhores — e chega a ser trágico ficarmos em segundo lugar num Europeu ou em quarto num Mundial. Está tudo doido, ou sou eu que não percebo?
O episódio que envolveu o seleccionador nacional de futebol e um jogador sérvio foi aproveitado por uns para desopilar o fígado, e por outros para se posicionarem na corrida à sua sucessão. (O resto está aqui.)

18 de setembro de 2007

Não sei se o novo Código Penal entrou em vigor sem que a máquina estivesse pronta para o receber, e se a situação é tão dramática como alguns dizem. O que sei é que a confusão instalada não deixará de ajudar quem, no caso Madeleine, aposta em todos os meios que possam descredibilizar a investigação — e o que resta da Justiça portuguesa. Repare-se no que hoje disse o porta-voz dos McCann: a mera suspeita de envolvimento dos pais na morte da filha «é tão inacreditável quanto disparatada», e «daria vontade de rir» caso a suspeita não fosse tão grave. E ainda o senhor Mitchell desconhecia, presumo, as reacções da Justiça ao novo Código Penal. Quando tomar conhecimento de que a Judiciária desconhece o novo Código, que os funcionários judiciais não receberam qualquer directriz sobre a nova lei e que os magistrados não conseguem chegar a uma «uniformidade de critérios e procedimentos», é que vão ser elas.

17 de setembro de 2007

Não há jornal que se preze que não tenha zurzido nos media por causa de Madeleine. O curioso é que as críticas se destinam aos outros, que invariavelmente criticam os outros. Como ninguém chama os bois pelos nomes, e nunca — mas nunca — incluem nas críticas os jornais em que escrevem, ninguém sabe de quem falam quando falam dos outros. Entretanto, os jornais, incluindo os jornais que publicam as prosas de que falo, fazem o que podem e o que não devem para manter o assunto «atraente». Naturalmente que há excepções, só que ainda não vi onde.
«Segundo o relativismo ignorante, ninguém pode dizer se uma música é boa ou não. É tudo uma questão de gosto. Depende das circunstâncias. Depende da idade. Às vezes sabe bem uma coisa que, noutra altura, sabe mal. Cada um é como é e aquilo que agrada a um ... perdoem-me se me fico por aqui no blá blá blá.
Tem ou não tem graça como esta atitude coincide exactamente com a conveniência comercialista do cliente ter sempre razão; que os números não mentem; que os ouvintes é que sabem; que os anunciantes é que pagam e quem somos nós para dizer que não está bem assim?
O pior é que esta humildade é uma subserviência e este deixar decidir, este respeito pelos gostos dos outros, é uma gulosa cobardia.»

Miguel Esteves Cardoso, Público
Um verdadeiro serviço público.

14 de setembro de 2007

Luiz Felipe Scolari errou e, por isso, deve ser castigado? Sem dúvida. Mas que mal fizemos nós para aturar chusmas de moralistas de ocasião, que na hora do pugilato se algum mal viram na cena foi ter ficado por ali? O episódio de Scolari ralou-me, não digo que não, mas cá vou sobrevivendo. Já estes cavalheiros obrigam-me a ter sempre à mão um saco para o enjoo.

13 de setembro de 2007

É pena que a prosa de Alexandre O’Neill — Uma Biografia Literária não se distinga pela elegância formal. Pena porque O’Neill merecia melhor, muito melhor. Chega a ser penoso ler algumas passagens, e confesso que ainda não desisti porque o assunto me interessa.
Assuntos prioritários remeteram para dias mais calmos temas como este, que só hoje li. Como não perdeu actualidade, e porque julgo haver quem se interesse pelo assunto que ainda não leu, aqui fica a referência.
Onde quer se descobre um patriota.

12 de setembro de 2007

Contrariamente ao que se diz por aí, acho lamentável que o Vaticano tenha apagado as notícias sobre o desaparecimento de Madeleine do site que mantém na Internet sem dar uma explicação. Concluiu o Vaticano que procedeu erradamente? Nesse caso, ficar-lhe-ia bem uma explicação. Fazer de conta que não existiu o que toda a gente viu, só revela esperteza saloia. Além de que esconder os erros é quase sempre pior que assumi-los.
O Francisco descobriu a receita para emagrecer.

11 de setembro de 2007


Por que é que os filhos da puta nos querem matar?

10 de setembro de 2007

A enviada da RTP à Inglaterra para acompanhar o caso Madeleine diz que há um volte face da imprensa inglesa. Isto é, depois de alinhar ao lado dos pais da criança, a imprensa inglesa já questiona o comportamento dos McCann. Depois, para sustentar a tese do volte face, a jornalista socorre-se de um testemunho ouvido num fórum de rádio. Temos, assim, que um simples participante num fórum de rádio bastou para Sandra Felgueiras concluir que há um volte face da imprensa britânica. Mas há mais: na intervenção que fez no Prós e Contras, a jornalista foi toda convicções e sentenças por interpostas pessoas que não identificou e cujo valor representativo se desconhece. Infelizmente, um caso corriqueiro de mau jornalismo. Como, aliás, salientou o director do Expresso, ao dizer que se tratou de «uma peça totalmente orientada».
Ora nem mais.

7 de setembro de 2007

Moita Flores insiste que há uma campanha destinada a descredibilizar todas as hipóteses que não apontem para o rapto da pequena Maddie. Uma campanha, segundo ele, dirigida pelo «próprio governo inglês», uma «poderosa teia que denegriu Portugal e a polícia». Mas, depois, notícias recentes dão conta que um laboratório britânico chegou a resultados que se afastam da tese do rapto, e fica-se baralhado. Não, não simpatizo com teorias da conspiração — o que não quer dizer, evidentemente, que não as haja. Não simpatizo porque raramente vão além da suposição, do palpite, da fezada. Quanto a factos, nem um para amostra.

6 de setembro de 2007

Era só o que faltava que não tivessem sido cumpridos os requisitos necessários à realização das análises de sangue referentes ao «caso Madeleine» efectuadas em Birmingham, e que por esse motivo os resultados dessas análises não venham a ter qualquer valor jurídico, como já se diz por aí. Não fosse a hipótese ter sido aventada por um académico (um professor de direito penal da Católica cujo nome não me ocorre), diria tratar-se de uma anedota de mau gosto. É que um erro destes nem a amadores se admite, pelo que só podemos estar diante de uma hipótese meramente académica.
Graças ao mérito próprio (vitória sobre a Letónia) e à desgraça alheia (derrota da Espanha frente à Croácia), parece que «fizemos história». E a história que fizemos, vale a pena lembrar, deve-se à qualificação da selecção portuguesa de basquetebol para a fase seguinte do Europeu, onde vai defrontar a Rússia, Israel e a Grécia. Ora, a ser assim, onde está o motivo para tanto foguete? Afinal, Portugal limitou-se a demonstrar que já não é tão mau como antigamente, não é?

5 de setembro de 2007


Experimentem O salutaris hostia e vejam se não é divino.

4 de setembro de 2007

Não sei quem tem razão na disputa que opõe o Ministério da Educação aos sindicatos dos professores por causa dos docentes «que não foram colocados», mas é provável que ambos tenham alguma e nenhum a tenha toda. Percebi, porém, as razões da ministra da Educação, mas já não posso dizer o mesmo dos sindicatos. A ministra diz que o Estado não pode empregar professores de que não necessita — o que, a ser verdade, é um argumento que se entende. Já os sindicatos dizem que isso não é verdade, que o ensino público precisa de mais professores — mas não dizem onde nem porquê. Há outro aspecto também evidente: existem professores a mais para as necessidades, públicas e privadas, e o Estado não tem que lhes dar de comer. A ser verdade o que diz a ministra (Maria de Lurdes Rodrigues diz que o ensino público tem um professor por cada onze crianças no primeiro ciclo e um professor por cada sete estudantes no secundário), o ensino público está, em termos de quantidade, muitíssimo bem servido de professores. Aliás, que países do primeiro mundo se podem gabar de tais números?
Continuo sem perceber por que razão os portugueses falam de Ingrid Betancourt quando falam dos presos em poder das FARC e nunca — mas nunca — falam do cidadão luso-americano Marc Gonçalves, também preso pelas FARC. Será, apenas, por ignorância? Ou será porque Marc Gonçalves não tem pedigree?

31 de agosto de 2007

Vista a entrevista, devo dizer que não aprecio a forma utilizada por Mário Crespo, pelo menos a forma utilizada para entrevistar Gualter Baptista — por quem, devo acrescentar, não nutro a mais leve simpatia. É que aquilo não foi bem uma entrevista, mas um interrogatório. Um interrogatório em que me revejo nos argumentos, mas um interrogatório. E uma entrevista não é — não pode ser — um interrogatório. Pacheco Pereira, que aplaudiu a forma como a entrevista foi conduzida, devia lembrar-se disso. Não podemos aplaudir os métodos quando eles servem os nossos propósitos, e condenar quando não nos convém.
O secretário-geral da Associação Sindical Independente de Agentes da PSP atribuiu aos baixos salários praticados por aquela corporação o eventual envolvimento de agentes daquela polícia em esquemas de segurança privada. Ernesto Rodrigues acha que não haveria a tentação de ganhar uns dinheiros na segurança privada caso «os salários [dos agentes da PSP] fossem decentes», coisa que não acontece por culpa do Governo. Ora, por mais bem-intencionado que seja, o pressuposto do sindicalista é um absurdo inadmissível. É que, a verificar-se esta lógica, qualquer cidadão que não tem um «salário decente» tem o direito de recorrer a expedientes à margem da lei para aumentar os seus rendimentos, e de um agente da lei espera-se tudo — menos que a transgrida. Há, depois, outro problema. O que é um salário decente? Desde quando um salário decente impediu alguém de fazer uns biscates para aumentar a mesada? Não sei se os agentes da PSP são, ou não, mal pagos, mas não me custa acreditar que sim. Mas daí até desculpar o que não tem desculpa, vai um abismo.
Como não está em linha, não resisto a transcrever parte do editorial da Sábado de ontem.
«De tempos a tempos, como aquele adepto do FC Porto, o SIS põe a cabecinha de fora e tenta aparecer na fotografia. Faz sempre má figura. Há dias surgiu um relatório sobre o Ecotopia, o acampamento de onde supostamente saiu o grupo que destruiu um hectare de milho transgénico em Silves. Primeira dúvida: o que faz o SIS à volta do Ecotopia? Um grupo de hippies cometeu um crime, certo, mas convenhamos: não estamos propriamente perante aquilo a que a lei chama "sabotagem, terrorismo, espionagem e prática de actos que, pela sua natureza, possam alterar ou destruir o Estado de direito constitucionalmente estabelecido". Segunda dúvida: tendo o SIS andado à volta do Ecotopia, como é que não percebeu o que ia acontecer?
Os nossos espiões reapareceram pouco depois com declarações sobre a eventual presença da ETA em Portugal. E pelo que se lê percebe-se que as únicas informações que têm são conhecidas de toda a gente que compra jornais.
Convém esclarecer, para não haver confusões com os traumatizados de Guantánamo: o problema não é Portugal ter um serviço de informações; o problema é, como salta à vista, não ter.»

30 de agosto de 2007

Apesar de a minha conta bancária ter menos zeros à direita do que eu gostaria e de nunca me passar pela cabeça tornar-me accionista, pondero suspender a minha relação com o BCP. Posso estar enganado, mas não deve faltar por aí quem esteja a pensar o mesmo que eu — ou quem já tenha ido mais longe do que eu. É que o circo montado à volta de que manda no BCP excedeu o razoável, e não augura nada de bom. Quando seria de esperar contenção e o máximo de descrição, os cavalheiros desdobram-se em declarações incendiárias aos media. Quando se recomendaria bom senso e um esforço de consenso, cada vez se entrincheiram mais nas razões que dizem ter. Entretanto, a forma como se movimentam indicia que, para eles, os clientes — pelo menos os pequenos clientes — não contam. Assim sendo, é provável que eu deixe de contar com eles.

27 de agosto de 2007

Parece que há uma conspiração à volta do caso Madeleine, diz Moita Flores no Correio da Manhã. Segundo ele, «serviços de contra-informação» comandados pelo «próprio governo inglês» estarão «activamente a trabalhar para destruir a credibilidade de qualquer outra resposta para o caso que não seja a hipótese do rapto». Infelizmente, Moita Flores não entra em detalhes sobre o que designa por «monumental burla», e devia. Devia porque afirmações destas são demasiado graves para ficarem pela mera insinuação, e a ausência de detalhes apenas serve para alimentar a especulação e enfraquecer a teoria.

24 de agosto de 2007

O DN publicou um artigo sobre a Wikipédia onde se diz: devido às sucessivas manipulações, «a credibilidade da enciclopédia online começa a ser posta em causa». Ora, desde quando a Wikipédia foi uma enciclopédia credível?

22 de agosto de 2007

Luís Filipe Menezes acha «ridículo» que se tenha criado um caso por causa de um plágio, pois considera «irrelevante» o facto de fazer passar por seus textos que não são seus. Mais: o candidato à liderança do PSD garante que o «blogue pessoal» que mantém na Internet não é feito por si mas por um assessor. Reparem bem: um «blogue pessoal» feito por um assessor, provavelmente caso único no mundo e a merecer entrada no Guinness. Mas há mais. «Uma fonte da candidatura» do autarca garantiu que a não identificação do local onde os textos foram subtraídos se deveu a um «lapso», embora «quem lê esses textos percebe perfeitamente que não são da autoria de Luís Filipe Menezes». Como se vê, as explicações são tão fracas que nem a boa vontade as tomaria por boas. Há, ainda, um curioso episódio. Segundo o Público, os textos publicados no blogue até à data da notícia terminavam dizendo que Menezes era o seu autor, e após a notícia «estourar» passaram a dizer que Menezes era, apenas, o responsável pela sua publicação. Ou seja, alguém se apressou a emendar a mão logo que foi dado o alarme, fazendo lembrar o caso do engenheiro que não era engenheiro e acabando por demonstrar que, afinal, o assunto é muito mais que «ridículo» ou «irrelevante». De facto, o caso configura uma situação em que alguém se apropriou do que não lhe pertencia, e não há volta a dar-lhe. Nem volta a dar-lhe, nem explicação que demonstre que assim não foi.

21 de agosto de 2007

A filha do presidente angolano vai processar o DN por aquilo que considerou «má prática jornalística» nas duas reportagens publicadas por aquele jornal, diz a Lusa. O estranho da notícia é que os advogados de Isabel dos Santos afirmam não estar em causa «a veracidade ou não dos factos desenvolvidos na notícia», e mais estranha se torna quando se constata que a Sábado da última semana concedeu, ao abrigo do Direito de Resposta, duas páginas aos mesmos advogados de Isabel dos Santos para estes contestarem uma reportagem publicada por aquela revista que os causídicos acharam conter incorrecções. Coincidência o facto de haver erros nas três reportagens que justifiquem um processo ou o uso do Direito de Resposta? Ou haverá aqui mais alguma coisa?
Por que razão nunca se fala do luso-americano Marc Gonçalves quando se fala dos reféns em poder das FARC? Por que razão o Governo português nunca se interessou pelo caso?
Miguel Portas mudou de ideias sobre o caso do milho transgénico e resolveu assumi-lo. A coisa não teria importância caso fosse uma prática corrente entre nós. Como não é, o gesto merece referência.
Luís Filipe Menezes fez passar por seu aquilo que não era seu.
O que terá a entrevista de Mário Crespo ao DN de tão heróico que não vislumbrei?

20 de agosto de 2007

Cada vez me parece mais evidente que a famosa central de comunicação do Governo de Sócrates é uma montanha que pariu um rato. Como se confirma com o episódio da Wikipédia (e com toda a novela da licenciatura do primeiro-ministro), a dita central funciona de forma tão atabalhoada que chego a duvidar que esteja nas mãos de profissionais competentes e experimentados.

17 de agosto de 2007

Um ligeiro problema de saúde e a participação num júri que decidiu o destino de um sujeito acusado de cometer dois crimes mantiveram-me afastado da blogosfera mais do que eu desejaria. Retomarei o ritmo habitual a partir da próxima semana.
Tempo quente

15 de agosto de 2007

«A seita dos saudáveis. É uma agremiação como a dos escuteiros, dos desportistas, das testemunhas de Jeová, dos comunistas até há pouco e assim. Não beber, não fumar, evitar a carne e sobretudo as gorduras, dar preferência aos vegetais, comer pouco e várias vezes ao dia mesmo sem apetite, deitar cedo, fazer exercícios, evitar o sedentarismo, vigiar o peso, a tensão arterial... Sim. Mas para que é que eles querem a vida, se não é para a utilizarem? Lembram os que compram roupa mas guardam-na e não a usam. O seu objectivo na vida não é viverem-ma mas cifrar a felicidade ao simples facto de a terem. São exemplares à vista — magros, direitos, ginasticados. Mas não tiram proveito disso, excepto o de serem saudáveis à custa de muito martírio. Ou seja, o de poderem gozar a vida na sua maior amplitude, que apenas é poder. A seita dos saudáveis. Vejo-os com frequência na TV. Mas tiro-lhes o som e ficam mais enfermiços.» Vergílio Ferreira, em Pensar

14 de agosto de 2007

«A arte é a apoteose da solidão.» Samuel Beckett, citado por Richard Davenport-Hines em Proust at the Majestic

10 de agosto de 2007

Decididamente que o transporte de Porto caseiro das berças para a América não me está a correr bem. Depois de ter estado à beira de ficar sem nove garrafas do dito (episódio contado aqui), uma garrafa mal arrolhada inundou-me uma mala e demolhou-me meia dúzia de livros, entre eles um João de Araújo Correia, que há-de estar a rir-se lá onde estiver. Nada de irremediável no que aos livros respeita, mas já não posso dizer o mesmo quanto ao resto. É que o resto, meus amigos, era um Porto que valia bem uma missa.

8 de agosto de 2007

Na FNAC do Porto, secção dos livros, uma funcionária pergunta a um colega: «É de quem A Cidade e As Serras?»

18 de julho de 2007

Quem vê a RTP Internacional com alguma regularidade certamente que já reparou num conjunto de programas sobre os portugueses espalhados pelo Mundo que dão pelo nome de Europa Contacto, Brasil Contacto ou Estados Unidos Contacto (o nome varia consoante o local onde é produzido e deve haver, pelo menos, meia dúzia de programas sobre diferentes regiões). Certamente que já reparou, também, nos constantes atropelos à gramática, razão que aqui me traz. Bem sei que a RTP Internacional se destina aos emigrantes (ou, sobretudo, aos emigrantes), e poucos emigrantes se ralarão com a gramática — ou, sequer, terão reparado nas barbaridades que volta e meia se dizem. Contando que a bola role e as novelas passem a horas, o resto interessa pouco ou nada. Mas a questão deve ser levantada na mesma, pelo que eu pergunto: não será um dos objectivos da RTP Internacional preservar a língua portuguesa? Que tal a televisão do Estado assegurar que os seus colaboradores falam em português escorreito?

16 de julho de 2007

Não há volta a dar-lhe: o resultado do PSD em Lisboa é humilhante. Humilhante para o candidato Fernando Negrão, e humilhante para o PSD. Humilhante, ainda, para todos os políticos que se preocupam com a abstenção. Enquanto os candidatos às autárquicas lisboetas se mobilizaram em força e em número (12 candidatos), os eleitores também se desmobilizaram em força e em número (62,61 por cento de abstenção). Não vale a pena perder tempo a explicar o sucedido com as desculpas do costume (o calor e as férias no Verão, a chuva e o frio no Inverno, o fim de semana prolongado ou o Sporting-Benfica o resto do ano), que as razões estão à vista de todos. Haja humildade para as assumir que é já um bom começo.
Não é verdade que Sá Fernandes esteve «muito próximo do que conseguiu há dois anos», como diz o Daniel Oliveira. O candidato do Bloco obteve, em 2005, 22.342 votos, contra 13.348 obtidos agora. Basta fazer as contas para concluir que Sá Fernandes perdeu quase metade dos votos.

13 de julho de 2007

Como lembrou o João Gonçalves, isto de os candidatos à Câmara de Lisboa fingirem que são cidadãos como os outros, que têm um dia a dia semelhante aos habitantes da capital, que frequentam os transportes públicos e vão ao mercado, chega a ser obsceno. Pena é que os eleitores premeiem o circo em vez de o punir.

11 de julho de 2007

Interessante a entrevista de Michael Moore à CNN, especialmente a parte em que ele diz ser verdade tudo o que disse em Fahrenheit 9/11 (isto depois de na época em que a fita foi distribuída ter admitido tratar-se de um documentário ficcionado). Está visto que um aldrabão dificilmente deixa de o ser.
Peter Schlör
Selbst

10 de julho de 2007

Há uma coisa que nunca entendi: se esta gente anseia pela morte, por que razão faz tudo para escapar dela? Por que motivo se disfarça para salvar a pele, ou usa inocentes (mulheres e crianças, no caso) como escudos para se proteger? Há aqui qualquer coisa que não bate certo.

9 de julho de 2007

António Guterres admitiu que «a chamada guerra das civilizações (…) está aos poucos a ganhar força no mundo» (entrevista ao Público/RR). Mais: segundo ele, agudiza-se «um conjunto de conflitos sem solução a curto prazo que têm ajudado a criar este clima de confrontação, que não é apenas militar mas entre as sociedades.» A coisa não é uma evidência de agora (apesar de muitos continuarem a fingir que não vêem), mas já não é mau que o ex-primeiro-ministro comece a chamar os bois pelos nomes.

6 de julho de 2007

É evidente que a maioria dos muçulmanos não é terrorista, mas também não se pode ignorar que (quase todos) os terroristas são muçulmanos. Como se acaba de ver com os atentados falhados de Londres e Glasgow, a tese de Oriana Fallaci continua actualíssima. A tese e os factos que a sustentam, que não mudaram rigorosamente nada. Por exemplo, onde estão os muçulmanos moderados, que nunca se ouvem nestas ocasiões? Se eles são a maioria (não duvido, sequer, que sejam), por que agem como se não fossem? Não poderiam aproveitar os acontecimentos de Londres e de Glasgow para condenar, de forma clara e inequívoca, actividades daquela natureza, e dizer alto e bom som que o Islão não é assim? Confesso que nunca percebi por que razão se remetem a um silêncio ensurdecedor sempre que há atentados (ou tentativas de atentados, no caso) cometidos em nome dos valores em que acreditam. Já quando se queixam de estarem a ser olhados com desconfiança ou a serem discriminados, ouvem-se perfeitamente.
De repente, graças aos casos Charrua e de Vieira do Minho, o país descobriu o bufo. É o que se conclui quando se ouve o que por aí se diz de tão deslumbrante figura, pelos vistos um espécime raríssimo — e ainda mais difícil de encontrar. Serei só eu que vivo rodeado deles?
Absolutamente recomendável a entrevista de Zita Seabra à RTP, que acabei de ver aqui. Recomendo, também, o livro, que lerei mal tenha oportunidade.

4 de julho de 2007

É provável que a Oposição exagere quando diz que o Governo é «intolerante», «autoritário» e «arrogante», que pratica a «perseguição política» e instalou um clima de «claustrofobia». Só que, como se vê com mais este caso, há razões para protestos. Primeiro, porque a bola de neve parece imparável, pelo que é provável que outros casos surjam à boleia dos já conhecidos. Depois, porque os factos não podem ser desprezados. Claro que nada disto é uma prática exclusiva deste Governo, como alguns pretendem fazer crer. O expediente tem sido usado por todos os governos, socialistas e não socialistas, pelo que não há inocentes. A dúvida é saber se foi usado com mais moderação, se com mais discrição.
Não há político (ou candidato a lugar político) que não se queixe da forma como a RTP trata a sua pessoa ou o partido a que pertence. Agora foi a vez de Helena Roseta, que se queixou de discriminação pelo facto de a televisão pública não lhe dar o tempo de antena que ela diz ter direito. Reparem que não digo que ela não tem razões para se queixar, pois não sei se tem. Também não me interessa por aí além a decisão da ERC, que deu razão a Helena Roseta, embora sem enunciar os seus fundamentos. O que eu quero dizer é que já não há pachorra para tanta queixa contra a RTP, e cada vez me parece mais óbvio que a RTP se tornou o bode expiatório das misérias de tudo e de todos.
Aproveitei o 4 de Julho para dormir até tarde e retomar a leitura de um romance americano. No caso, As Vinhas da Ira, um Pulitzer colheita de 1940 muito apropriado à data que se comemora e obrigatório para quem se interessa pela Route 66.
Contrariamente ao que se diz por aí, parece-me excelente o vídeo de promoção do cinema europeu. Um bocado curto, é certo, mas excelente.

2 de julho de 2007

Para o caso de alguém já não se lembrar, os últimos dias demonstraram que eles andam aí, prontinhos a matar quem cometer o crime de estar no sítio errado à hora errada. Não fosse a aparente incompetência dos sujeitos, e estaríamos agora a lamentar mais umas quantas vítimas dos fanáticos do costume.
Assente a poeira causada pela morte da «princesa do povo», a Newsweek publicou uma investigação onde se demonstrava que o príncipe de Gales era melhor do que se pintava. Mais: ficou a saber-se que o cavalheiro era infinitamente melhor que a «princesa do povo». Dez anos após a morte de Diana, mantém-se a versão que interessa. Isto é, a «princesa» é a «princesa», o «vilão» é o «vilão». Como é sabido, os factos, às vezes, só atrapalham. No caso, nem isso.
Nada do que veio a público nos últimos dias sobre a «obra» de Carolina Salgado altera uma vírgula ao que escrevi sobre o caso. E o que escrevi sobre o caso foi o seguinte: é verdade que o presidente do FC Porto mandou espancar um autarca? É verdade que Pinto da Costa foi avisado pela Judiciária de que a sua prisão estaria eminente, e que a sua residência iria ser alvo de buscas? É verdade que um magistrado lhe deu guarida no dia aprazado para a sua detenção? É isto o que está em causa, é isto o que importa saber. Que a redactora da «obra» venha, agora, mostrar-se «arrependida», não altera coisa nenhuma.
«As autoridades públicas deviam saber que o mais perigoso para a sua honorabilidade não é o respeitinho ou a falta dele – mas o riso.»

29 de junho de 2007

Retomo Pensar, de Vergílio Ferreira, e descubro esta frase: «O comunismo acabou porque o pão fabricado pela mó marxista era pouco e de segunda.»

27 de junho de 2007

Dêem-lhe as voltas que quiserem: as gaffes de Fernando Negrão revelam (são mesmo um exemplo flagrante) que a corrida à Câmara de Lisboa do candidato do PSD é, para ele, uma mera etapa para outros voos. (Isto, bem entendido, partindo do princípio que a performance da campanha à Câmara de Lisboa não o arrume de vez.) É que não passa pela cabeça de ninguém que um candidato com reais possibilidades de vencer as eleições (claramente o caso dele) não tenha a mínima ideia acerca do que pretende dirigir, e ainda com o agravante de nem sequer se ter dado ao trabalho de se informar de molde a esconder a ignorância e fingir que lhe interessa o que manifestamente não lhe interessa. Está visto que o PSD escolheu um candidato que nem para vereador serve.
Joe Berardo não pode dizer o que lhe apetece porque tem dinheiro e poder e, por isso, está investido de especiais responsabilidades? Era só o que faltava. Se o cavalheiro é deselegante e está sempre a ultrapassar as marcas, façam o favor de o processar. É para isso que servem os tribunais, não é? Fora isso, deixem-no falar do ele quiser, as vezes que ele quiser. Aliás, eu até agradeço que ele se repita, pois raramente o entendo logo à primeira.
Não é bonito o que aqui se diz, mas que outro país seria capaz de expor as misérias caseiras aos olhos do mundo?

25 de junho de 2007

Sem ofensa para os protagonistas do debate, embora nem todos tenham alinhado no choradinho habitual, pareceu-me um bocado pacóvia a discussão no Prós e Contras à volta do poder que o Porto tem (ou não tem e devia ter) face ao país. Como, aliás, sempre me pareceu pacóvia a alegada rivalidade Norte-Sul, que nem no futebol me parece ter expressão. A cereja em cima do bolo, como agora se diz a propósito de tudo e de nada, foi a intervenção de Carlos Magno, esse paladino do lugar-comum. Reporto-me à primeira parte do debate, que fiquei sem paciência para o resto.
A ERC resolveu criticar a SIC-Notícias por esta ter promovido um debate «apenas» com seis candidatos à Câmara de Lisboa com este extraordinário argumento: «Não é (...) aceitável que, numa eleição, o jornal, a rádio ou a televisão defina os que vale a pena ouvir, ver ou ler e aqueles que não merecem.» Não é aceitável? O que não é aceitável é um raspanete (presumo que é um raspanete) que tem por base esta fundamentação. Além de absurda (e, presumo, sem fundamento legal), é ridículo.
Daniel Oliveira e Clara Ferreira Alves, ambos no Expresso, acusam Israel de retirar o apoio ao governo palestiniano após a vitória do Hamas. Acontece que nem um nem outro mencionaram a razão por que isso sucedeu, certamente não por considerarem irrelevante o facto mas por mera distracção. Valerá a pena relembrar que o Hamas é uma organização que não reconhece a Israel o direito de existir e que, por isso, seria absurdo Israel apoiar quem o quer liquidar? Não, não vale. Quando se tem uma ideia pré-concebida, a realidade não chega para a mudar.
Quando a realidade ultrapassa a ficção.

22 de junho de 2007

A propósito desta notícia, em que ponto estará a investigação à licenciatura de José Sócrates anunciada pela Procuradoria-Geral da República?

21 de junho de 2007

Dildos
Subscrevo inteiramente o que aqui se diz. De facto, pior que as tropelias de Alberto João Jardim, só mesmo o discurso condescendente e desculpabilizante que por aí vai.

19 de junho de 2007

Tenho evitado pronunciar-me acerca do ensino em Portugal, pela simples razão de que se trata de uma área em que ignoro quase tudo. Há, no entanto, uma coisa que cada vez me faz mais impressão e não julgo necessários especiais conhecimentos para a questionar: por que razão não se limitam os técnicos do Ministério da Educação a copiar um modelo já existente e que funciona em vez de insistirem em descobrir a pólvora?
O Daniel Oliveira relembrou, face à actual situação em Gaza, que o importante é que o episódio não signifique uma vitória de Israel. O resto — e o resto inclui a paz na região, a ajuda internacional aos mais carenciados, o destino do povo palestiniano — não importa.

18 de junho de 2007

Os empresários que financiaram o estudo de Alcochete têm interesses? Provavelmente. Como provavelmente tem interesses quem apoia outra solução — Ota, Rio Frio, Portela+1, o que for. Só que a questão que nos interessa não é saber que interesses particulares estão por detrás de cada solução. A questão que nos interessa é saber qual é a solução que melhor serve os interesses do país, coisa que ainda não se vislumbrou e muitos parecem ter perdido de vista.
Como muito bem notou o Alberto Gonçalves, o verdadeiro problema com o relógio de Bush não foi o relógio de Bush. O verdadeiro problema foi o facto de Bush ter sido recebido da forma que se viu num país que ainda há pouco era um modelo político para muita gente.
Eu sei que é politicamente correcto e muitíssimo popular bater nos políticos, esses filhos da mãe. Mas como ficar indiferente ao conteúdo de um livro como este? Seriam muito diferentes os resultados de uma investigação semelhante em Portugal?

14 de junho de 2007

Tempos houve em que publiquei, na minha página pessoal, um texto que continha um erro factual que quase mudou o sentido da ideia que nele defendi. Como o texto estava — e continua — em linha, eu podia muito bem corrigi-lo — ou, então, apagá-lo. Não o fiz porque acho que não se deve mexer num texto publicado — a não ser para corrigir uma gralha ou coisa assim. Isto tudo para dizer que não simpatizo com a prática muito em voga de corrigir (ou actualizar) os textos em linha. Pela razão exposta, mas, também, porque nunca sei se estou a ler a última versão.
Qualquer pessoa medianamente informada acerca das coisas da política sabe que a estupidez está democraticamente distribuída pela esquerda e pela direita. Folgo, por isso, saber que Saramago descobriu que também a esquerda é estúpida, embora não pelas razões que invoca.
Não é fácil perceber o protesto formal (repito: formal) do Presidente da República junto da RTP por esta não ter transmitido, na íntegra, as cerimónias do Dia de Portugal, e ainda se percebe menos o pedido de desculpas da RTP. Pior: não se vislumbra o interesse em transmitir, agora, as partes omitidas. Ainda pior: conhecidas as peripécias da coisa, desconfio que a transmissão das cerimónias é bem capaz de produzir o efeito contrário ao que se pretende.
O treinador-adjunto da selecção portuguesa de sub-21 acusou, no rescaldo da derrota de Portugal frente à Holanda, um «lobby nórdico» de pretender impedir que Portugal seja campeão europeu. «Não queremos (...) habilidades com as arbitragens», disse Rui Caçador, referindo-se ao juiz que dirigiu a partida com os holandeses e que nos terá prejudicado. Acontece que Rui Caçador acrescentou logo a seguir: «não digo que foi má arbitragem». Ora, se não houve má arbitragem, o que é que o «lobby nórdico» tem a ver com a derrota portuguesa? Não estará o técnico português a atribuir a terceiros culpas que não são de terceiros?

12 de junho de 2007

Vítor Malheiros escreveu, a propósito do almoço dos agentes da Judiciária a que o Times fez referência, que num repasto privado «existem limites impostos pelo bom senso quando não por regulamentos oficiais ou pela lei quanto ao que se pode beber», pois é sabido que «o consumo de álcool embota os sentidos e o espírito e existem actividades nas quais nós preferimos que isso não aconteça». E dá um exemplo para ilustrar o raciocínio: «se o mesmo almoço tivesse sido presenciado em relação a condutores da Carris, não veríamos o director de Recursos Humanos da empresa na televisão a dizer que os motoristas estavam na sua hora de almoço e que nos momentos privados as pessoas podem beber o que lhes apetecer que ninguém tem nada a ver com isso». Depois, vai ao ponto a que pretende chegar: «será que conduzir uma investigação judiciária não exige um espírito tão atento como a condução de um autocarro?» Tudo isto porque o jornalista não gostou que a Judiciária não tenha justificado a acusação do Times, alegando tratar-se de um momento privado durante o qual os polícias são livres de fazerem o que muito entenderem. Ora, seguindo o princípio de Malheiros, outras questões se levantam. Por exemplo, não deviam os jornalistas abster-se de ingerir álcool quando almoçam ou jantam? E os médicos? E os arquitectos? E os padeiros? E os bombeiros? E os barbeiros? E todos os outros profissionais a quem, de uma forma ou doutra, «o consumo de álcool embota os sentidos e o espírito»? Não seria bom que houvesse, também para eles, uma lei que regulasse o que se pode beber? E, já agora, quem nos protege do politicamente correcto?
Nada surpreendentes as declarações de Mário Soares ao Expresso no que a Chávez diz respeito. Afinal, Mário Soares sempre falou bem de quem o tratou bem, e Chávez tê-lo-á tratado bem nas várias vezes que esteve na Venezuela. É o que dá quando se acha que se é o centro do mundo: os assuntos pessoais e os assuntos políticos são a mesmíssima coisa.
Ora aqui está uma pergunta que se impõe.
Estrela Serrano desafia Cintra Torres para um debate.
Mais um inocente até prova em contrário.

8 de junho de 2007

O Times escreveu que os agentes da Judiciária responsáveis pelo «caso Madeleine» fazem almoços de duas horas. Pior: consomem bebidas alcoólicas durante o repasto, no caso vinho branco e uísque. Mas o ridículo da notícia não se fica por aqui. Segundo o diário, dois inspectores ter-se-ão rido quando se encontravam num restaurante e na TV passavam imagens do caso que investigam. A «informação» terá sido recolhida junto de «um cliente incomodado», que prontamente acedeu colaborar com o tal jornalismo de que fala o ministro.
Apesar das «estranhas cumplicidades», da «violência extrema que encorajam» ou da «presença inquietante dos grupos proto-terroristas que os penetram», os protestos de Rostock por ocasião da cimeira do G8 são «úteis e necessários», bem como «um sinal de resistência perante uma ordem política mundial incubadora de excluídos». É por estas e por outras que a coisa resultou em centenas de polícias feridos, um pormenor certamente irrelevante (e de que quase não se falou).
Tal como sucedeu com Avenida Paulista, de João Pereira Coutinho, o mais recente livro distribuído com a Sábado (Algumas Distracções, de Francisco José Viegas) dificilmente conterá algo que eu já não tenha lido. Mesmo assim, é com imoderado gozo que me preparo para reler os textos do Aviz e d’A Origem das Espécies.
Acabo de descobrir a Ana de Amsterdam. Para quem não conhece, recomendo que comece por aqui.

7 de junho de 2007

Se Luís Filipe Menezes acha que Fernando Negrão é um bom candidato à Câmara de Lisboa, por que razão há-de Marques Mendes ser o responsável por um eventual insucesso nas urnas? Definitivamente que o autarca de Gaia não diz uma que abone a sua candidatura à liderança do PSD.

6 de junho de 2007

Estava em causa o prestígio de Portugal no jogo do Kuwait? Não me parece. Se realmente a Federação se preocupa com o prestígio da selecção, jamais teria agendado um jogo daqueles.

5 de junho de 2007

O anteprojecto do Governo que prevê a suspensão dos mandatos dos autarcas formalmente acusados pelo Ministério Público por alegados crimes no desempenho das suas funções é, de facto, uma aberração. Pior: é perigoso, porque permitiria ao poder judicial afastar alguém eleito só porque por si impende uma acusação (que pode revelar-se falsa) — ou abusar das suas competências. É verdade que o anteprojecto pode não passar disso, mas não se percebe como se põe à discussão uma coisa destas. É que nem me parece necessário invocar a provável inconstitucionalidade da coisa ou o princípio da presunção da inocência, pois o simples bom-senso deveria bastar para perceber onde uma lei destas nos pode levar. Com certeza que o expediente permitiria afastar uns quantos autarcas que passaram das marcas, mas o problema é que isso abriria a porta a toda a espécie de arbitrariedades. E o país, como disse o Procurador-Geral da República ao Diário Económico, já está «cheio de arguidos inocentes».